Começamos a existir Naquele Sonho que faz realidade todos os outros, derramando o Seu amor, através do amor de dois seres humanos, e, no milagre da vida, descobri-mo-nos capazes de pensar, de amar, de chorar, mas também de sorrir. Misturando este sonho, agitado pela vida, assim pensamos... e do pensar a letra se faz, e da Palavra se recomeça de novo, como na Origem.

25 maio 2006

Uma Pausa que nos transforma (V)


Há já algum tempo que não escrevo aqui. Será que também estou em pausa?! Não sei. Acho que estou meio perdido. Nem sei bem o que me leva a escrever aqui. Mas neste imenso mar, apetece-me também lançar a garrafa com a minha mensagem, esperando que vá parar a uma tal ilha ou praia perdida. Como se fosse o mapa do tesouro. E é-o de facto. É um mapa de mim próprio. Não sou lá grande tesouro. Mas na verdade não estou desprovido de alguma auto-estima e, como tal, acho que sou um pequeno tesouro. Este mapa é um mapa que me vai permitir deixar, a quem o vier a encontrar na praia, um mapa do meu coração.
Há dias fiz uma pequena releitura de um livro muito bom. O Principezinho de A. Saint-Exupery. O essencial é invisível aos olhos. Assim, neste mapa, o caminho está oculto. E roubo uma imagem desse livro. É como um desertoo, onde algo brilha sempre, por entre dunas, e onde um poço de água estará sempre escondido algures. Não se vê. Tem a sua beleza, o deserto. Mas precisamos do essencial, e é complicada a tarefa de encontrar esse poço. É tão bom quando encontramos aquele poço que o menino cabelos cor de ouro encontrou. Com tudo o que precisamos para tirar água. Esta água é diferente de todas as outras águas. Mata mais a sede que as outras. É aquela que ficou para sempre associada a sentimentos que marcarão, de agora para sempre, esse mesmo momento em que matámos essa sede. Também encontro muito que dizer acerca da flor, aquela rosa que o príncipe tinha no seu planeta. E quantas coisas lindas diria eu aqui se falasse da minha rosa. Apenas digo que é a mais bela de todas, é a única flor que de facto existe para mim, e eu para ela. O essencial é invisível aos olhos.
Mas deixo estas considerações preliminares. Falo agora de Pausa. Começou este blog por causa de uma pausa. Continuou com a pausa. Escrevi aqui alguns dos assuntos que me ocuparam as ideias ao longo de 8 meses. Espero é que não termine quando a pausa terminar. Essa pausa vai acabar.
Como é diferente o meu olhar sobre as coisas. Mas será que é diferente a maneira de (re)agir? A conclusão ainda não a posso tirar. Mas partilho alguns pontos de vista:
1. Uma pausa é sempre muito importante. Na nossa vida diária. Na nossa vida de estudo. Na nossa vida espiritual.
2. Ajuda-nos a situar. E se é verdade que "o Homem é um ser em situação", como é bom saber onde estamos situados. Situados num espaço, num tempo, por quem estamos rodeados.
3. Há laços que nos fortalecem. Há outros que se desfazem. Outros há onde não se mexe. Há ainda os que se constatam serem inexistentes.
4. Nas dificuldades crescemos. É como na canção: "perante o mar/ que te hei-de eu dizer/ olha, que tens de crescer". O mar estará sempre diante de nós. E nós por maiores que sejamos, nunca seremos maiores que o mar. Mas continuaremos, desafiados a crescer.
5. De que importa a desinquietação com os dias que hão-de vir. Quando o nosso sonho corresponde ao sonho de Deus para nós, não há que ficar inquieto. Esse sonho está seguro. Onde? Como? Em Deus. E aí está seguro, mais seguro que nada. Aliás aí. se aí está Deus, tudo está então seguro no mais pleno sentido.
6. "O essencial é invisível aos olhos", é apenas visível ao coração. E isto não é poesia. Precisamos de tempo para aprender. Para aprender a verdadeira mudança do coração, que nos levará toda a vida. Assim uma pausa permite reforçar confiança. Ganhar força e coragem para uma caminhada.
7. A novidade que todos os dias se nos mostra é a mais antiga, aquela que é sempre nova. "Ó Beleza tão antiga e tão nova".
8. Na nossa vida Ele está tão presente, que mesmo quando lhe viramos as costas, Ele usa as suas habilidades de equilibrista para fazer todos os saltos mortais que forem necessários até ficar frente a frente connosco.
9. Até para nos conhecermos a nós próprios é necessário um mapa. Esse mapa constrói-se, como nós, todos os dias. As indicações de rumo podem vir de fora. Mas só por dentro é que podem ser comprovadas e seguidas.
10. É o momento, como agora o será e o foi todos os dias, de dizer qual é o caminho. Preparar os Seus caminhos. Ser como o leito de um rio, onde a água passa, mas chega ao mar.
Obrigado a todos aqueles que durante um ano me ajudaram tanto A pausa termina. O caminho está à frente e está atrás. Nunca será agora direito. Quero que tenha Um Sentido Único. Mas sei que teve curvas, e quantas pedras. Sei que essas dificuldades de caminhante não deixarão de me acompanhar, a nãos er que deixa de caminhar.
Mas quero estar sempre a caminho. Até que termine um dia na meta que passa para lá do tempo, para lá do espaço, par lá do nosso entendimento.
Faz de mim um caminhante.
Nunca me deixes largar o cajado e o alforge;
nem as sandálias. Caminharei sem nada
se for preciso. Mas deixa-me caminhar.
Sei que és O caminho.
Sei que comigo fazes caminho.
Sei que por mim fazes o caminho.
(Já o fizeste há dois mil anos atrás)
Sei que me levarás ao colo se disso necessitar.
Sei que caído me levantarás.
Sei que com sede serás água viva.
Sei que nos dias escuros serás o sol.
Sei que és o Eterno Viandante.
Sei que nas noites serás luz.
Sei que nos dias belos serás a brisa.
Na tormenta serás abrigo.
Sob o sol ardente serás sombra.
Foste origem. Serás meta.
És motivo. Serás causa.
De Ti recebi a vida. Nas Tuas mãos a coloco.
"Sei que vai raiar a madrugada
e não me deixarás abandonado".

1 comentário:

Pe Ângelo disse...

que profundo...........