Começamos a existir Naquele Sonho que faz realidade todos os outros, derramando o Seu amor, através do amor de dois seres humanos, e, no milagre da vida, descobri-mo-nos capazes de pensar, de amar, de chorar, mas também de sorrir. Misturando este sonho, agitado pela vida, assim pensamos... e do pensar a letra se faz, e da Palavra se recomeça de novo, como na Origem.

31 janeiro 2007



"mas a caridade não acaba nunca"

24 janeiro 2007

Partilha


Cada criança que nasce traz-nos o sorriso de Deus e convida-nos a reconhecer que
a vida é uma sua dádiva, um dom a acolher com amor e a conservar com cuidado,
sempre e em cada momento.



Bento XVI, Homilia 8 de Janeiro 2007, Festa do Baptismo do Senhor

10 janeiro 2007

Novuum Annum...

Faça-se silêncio. Cale-se todo o ruído que começa ainda agora a submergir de entre tantos festejos e tantas coisas que são velhas neste ano, que é novo... "Angusta est domus animae meae, quo venias ad eam: delitetur abs te. Ruinosa est: refice eam. Habet quae offendant oculos tuos: fateor et scio. Sed quis mundabit eam?" (Confissões,Livro I, V,6), ainda mais interrogo "Quandiu, quandiu cras te cras? Quare non modo? Quare non hac hora finis tupitudinis meae?(Confissões, livro VIII, XII, 28) aqui se deve procurar a resposta: " A te petatur, in te quaeratur, ad te pulsetur: Sic, sic accipietur, sic invenietur, sic aperietur."(Confissões, Livro XII, XXXVIII, 53). Fica a oração, e a resposta...

23 dezembro 2006

Boas Festas!



Feliz Natal a todos! Que Ele, a verdadeira Luz deste Natal, seja acolhido no vosso coração, e encontre na vossa vida espaço para brilhar!

20 dezembro 2006

Fazer do mundo um lugar feliz...


Corro. Descanso. Recomeço. O tempo passa-me por entre as mãos, deixo-o fugir, afinal ele tem como que uma capacidade de se "ir" por entre o bater do coração dentro do peito. Passa cada dia, cada semana, cada mês, finalmente mais um ano... Hoje penso no tempo. O tempo da minha vida, da vida que não corre, da vida que apenas passa, cada dia, sem que eu lhe dê tempo. Sim... sem que eu lhe dê tempo. Por isso exclamo como tantos outros: "a vida passa rápido", "o tempo voa", "não sei como foi, mas nem dei pelo tempo passar"!!! Um dia destes um amigo disse-me que se eu não desse tempo à vida, a vida iria dar-me o tempo que eu devia ter tido, mas à força... isto é, ou eu dou espaço a mim mesmo, ou a vida encarregar-se-á de arranjar esse tempo e esse espaço, ou somente espaço (o espaço na vida é o próprio tempo...), da forma que menos me convirá... novamente sem ter tomado a minha vida nas mãos... "Agarra a tua vida", disse-me, em jeito de conselho e de desafio... daquele jeito que um verdadeiro amigo aconselha e ao mesmo tempo semeia o desafio para a aventura... Agradeço-te, amigo, por me teres alertado para uma possibilidade que me passara completamente ao lado, não porque não soubesse, mas porque "tinha mais que fazer". Claro que sei que não posso ter tempo para os outros se não tiver tempo primeiro para mim, não por uma questão de egoísmo, mas porque o ser humano é assim, somos assim, eu sou assim... preciso em primeiro lugar de olhar para dentro de mim, de parar, de aquietar as águas, e depois então poderei ajudar alguém... Depois todo o trabalho para os outros fará sentido... porque antes eu tenho sentido...

Partilho ainda mais alguns pensamentos, que me vão animando por dentro! O verdadeiro sentido de humildade... Li algures que humildade, etimologicamente procede de "humus"( grande novidade!!!, dirás)... mas a novidade não está em descobrir que é o mais baixo e discreto, aquilo que pisamos com os pés, mas sim em que a sua vocação, a vocação de humildade, consiste em produzir... tal qual o húmus faz nascer e germinar a semente...

Ainda distraído, algures numa parede, encontrei a frase "sós encontramos a solidão, juntos descobrimos o amor"...

Mas o que quer dizer o título do "post", perante toda letra que deixei até aqui? É que com estas ideias que me "animam", e que me fazem de facto pensante, penso que posso fazer do mundo um lugar feliz... porque Eu posso ser feliz e fazer os outros felizes... sendo humilde, dando-me tempo, procurando nao construir a solidão, mas antes na proximidade (do próximo) construir o amor.

13 dezembro 2006

Partilha

Alguém hoje partilhou comigo este belo texto de Tagore, que partilho agora com todos aqueles que o quiserem ler e, lendo-o, se sintam seres animados pensantes!!!

Morria a noite... Um murmúrio corria de boca em boca:

O MENSAGEIRO! O MENSAGEIRO! AÍ VEM O MENSAGEIRO!

Inclinei a cabeça e perguntei: Vem já?

De todas as partes parece que estalava o Sim da resposta.

O meu pensamento, atormentado, dizia:

Não tenho ainda pronta a cúpula do meu palácio, nada está completo.

Veio uma voz do céu: Derruba o teu palácio.

Porquê? perguntou o meu pensamento

Porque hoje é o dia da chegada

E o teu palácio estorva a passagem!

07 dezembro 2006

Advento: O SENHOR VEM! (II)

Quando agora nós celebramos em cada ano o Advento, centrando o nosso olhar na espera e na preparação da vinda de Jesus, não queremos simular que Ele ainda não veio, como se Ele ainda tivesse que vir. Somos os Seus seguidores, transformados pela Sua Morte e Ressurreição, os que recebemos o Seu Espírito para que continuemos a Sua obra. Então o que significa preparar esta vinda?
Várias coisas... Em primeiro lugar significa, paradoxalmente, olhar para trás, para aquele acontecimento transcendental de há dois mil anos, para o reviver-mos com toda a intensidade. Este é um facto decisivo: Deus fez-Se Homem. Veio viver a nossa própria vida, entrou na nossa história para nos abrir um caminho que nos pudesse libertar do mal e do pecado, Deus fez Sua a nossa debilidade – a nossa carne, diz o Evangelho de João – e fez dela vida plena, vida divina.
Para podermos celebrar tudo o que o Natal significa, precisamos de ter em nós uma atitude de espera, de desejo da vinda do Senhor. Pois sem este desejo, sem estarmos convencidos que necessitamos libertação, transformação da nossa vida humana, se não vivermos profundamente o anseio de Deus e sem estarmos dispostos a acolher Alguém que nos mostre uma nova maneira de viver, que sentido teria celebrar o Natal?
Por tudo isto necessitamos de esperar e desejar a vinda do Senhor, vivendo os sentimentos do Povo do AT que espera e deseja a vinda do Messias. Pela voz dos profetas, escutamos na liturgia este desejo e necessidade de Israel daquele que seria capaz de fazer nascer uma nova maneira de viver entre os Homens, que livraria do mal e da dor, enchendo o mundo do Amor e da Misericórdia de Deus, fazendo nascer no coração dos homens, duro em acolher estes sentimentos, sentimentos de justiça e de bondade. Assim unimo-nos aos profetas, à sua espera e confiança que o Messias virá. Apesar de O sabermos já presente, continuamos também nós a precisar que Ele actue em nós e mude os nossos corações, que actue no nosso mundo e mude tanta injustiça, tanta opressão, tanta desigualdade, tanto desespero...O tempo de Advento traz-nos também um convite a que nos coloquemos no lugar de Maria, a Virgem Mãe de Deus. Ela é nestas semanas, sem dúvida, o grande modelo. Maria sabe-se pobre e frágil, como parte do mundo também ele pobre e frágil, carenciado da acção de Deus que salva...Ela deseja como ninguém que os pobres possam levantar a cabeça e que este mundo seja libertado da dor e do mal que o atormenta. Ao mesmo tempo está disposta a colaborar neste projecto, e aceita ser Mãe do Messias. Abriu o seu coração á força de Deus que actua e por mediação da qual as esperanças dos profetas se tornarão realidade. Maria trará então ao mundo o Filho de Deus, Deus feito Homem. É para nós modelo de abertura a Deus, para tornar possível a Sua vinda e modelo de esperança gozosa do Deus que vem.

04 dezembro 2006

Advento: O SENHOR VEM! (I)


São quatro as semanas que antecedem o Natal, e as que dão início a um novo ano litúrgico, durante o qual preparamos a vinda de Jesus Cristo. O que quer dizer para nós, crentes do séc. XXI, isto? Preparar a vinda de Jesus Cristo?
Certamente não temos que fingir que Ele ainda não veio ao nosso mundo, tal como se fossemos os homens e as mulheres do Antigo Testamento que esperavam a chegada do Messias. Jesus Cristo já veio. Deus já se fez Homem, e com a Sua vinda, transformou já a nossa história e a nossa vida. Este é um facto que aconteceu há já dois mil anos, num lugar concreto, no meio de um povo concreto. E foi o Menino que nasceu que iniciou um caminho do qual todos nós somos herdeiros. Fez-se Homem, percorreu a Galileia e a Palestina, de uma forma nova, abriu caminhos inesperados. Anunciava o Amor de Deus – o Reino de Deus – que se estava a converter em realidade plena para todo aquele que o quisesse viver. Bastava mudar o coração, dispor-se a amar, ser capaz de renunciar à riqueza e ao poder, defender os mais fracos, não concordar com a opressão, deixar toda e qualquer segurança humana, e não ter outro apoio senão Deus. Além de anunciar, tornou realidade o que proclamou: abriu os olhos aos cegos, curou os doentes, levantou o ânimo aos abatidos, trouxe de novo os marginalizados, libertou a mulher adúltera daqueles que em nome da Lei a queriam apedrejar...
Todos se sentiam atraídos por este Jesus, uma multidão imensa seguiu-o. Não percebiam claramente o que dizia. Sentiam e experimentavam que naquele pregador havia uma força que fazia viver, que renovava o sentido às coisas, Nele, Deus tornava-se próximo. Acabou cravado numa cruz pois para Ele não havia nada maior que o amor, nenhuma Lei lhe passava adiante. Ora isto colocava em causa demasiadas coisas e autoridade... era verdadeiramente insustentável. Tornou-se então, para os responsáveis de Israel e para os governadores romanos, imprescindível liquidá-lO. Permaneceu fiel ao caminho que traçou, mas acabou pregado numa cruz. Como é contraditório o ser humano... Contudo o amor de Deus é sempre mais forte que o mal e a morte dos homens, e Jesus, o Filho do Deus-Amor, vence as cadeias da morte ressuscitando glorioso, e aqueles que o tinham seguido, experimentaram a Sua presença e receberam o Seu Espírito.
Desde então este grupo foi crescendo, e hoje somos Igreja à imagem daquele grupo de discípulos, continuando o que Jesus Cristo, esse Menino-Deus que se fez Homem, anunciou e o que a Sua Incarnação significa: Deus ama-nos e quer estar no meio de nós, para que nós estejamos n’Ele.

30 novembro 2006

In Fine

No fim fica o quê? Depende do fim... mas geralmente em cada fim há sempre um sentimento que está de acordo com o antes: há um vazio... um vazio que fica sem mais e que nao quer partir... Pode ser um vazio de alma, pode mesmo ser de coração, pode até ser das duas formas... Acho que no fim é o fim daquilo que antes tinhamos conhecido. Até agora uma coisa, daqui em diante outra, agora um propósito, mais logo outros virão. In fine... Espero que reste Deus... Se nem Ele ficar, entao tudo cairá num absurdo...

25 outubro 2006

«Que eu veja»

Que eu veja Senhor...
No meio do meu dia,
no meio das minhas pressas.
Que eu veja na minha cegueira,
na minha debilidade,
Que eu veja...

Que veja no mais fundo de mim,
que te veja Senhor.
Que te procure e te encontre,
no meio dos meus irmãos,
Que eu veja Senhor...

Na caminhada de hoje,
na queda de ontem,
no calcorrear os caminhos amanhã,
que eu veja Senhor.

Que te saiba e sinta sempre comigo.
Que nunca me separe de Ti.
Que que veja Senhor...
Tem Piedade de mim.

23 outubro 2006

Hoje...

Cada dia é sonho e é descoberta.
É acordar e adormecer.
É sorrir mas também chorar.
É uma nova oportunidade de olhar o mundo...

15 outubro 2006

É mais fácil um camelo...

Os dias continuam a passar... várias vozes vão ecoando no fundo do meu ser... no mais fundo de mim as mesmas palavras... as mesmas intenções... o mesmo caminho... à minha volta a vida mudou... já não os mesmos amigos, já não o mesmo percurso... tudo um pouco diferente... tudo, no fundo, semelhante... a vida segue um entrelaçado, tal qual a rede de um pescador... Apetece gritar ao longe, e ouvir ao perto... volto a explicar: apetece dizer bem alto "no fim vou ser feliz", e ouvir bem junto a mim "não estás só". Efectivamente nem me sinto infeliz, nem estou só. Mas parece que é sempre esse o nosso anseio... é um caso de doença incurável este: querer ser feliz e nunca estar só.
Ao coração vêm palavras das quais os ouvidos apenas percebem o que lhes é próprio, as sensações. Mas há uma sensação mais profunda, aquela que encontra o seu órgão sensor no mais fundo de cada um, algo que é tão vital que chamamos de "coração", tal qual o nosso orgão mais importante. Mas este coração é, parece-me, diferente do músculo... no entanto ninguém deixará de lhe encontrar semelhanças, as que aliás conduziram à denominação anterior: se para de bater "morremos", a vida escapa-se-nos sem ele... "bate" mais depressa e mais devagar, ao ritmo do nosso "cansaço" emocional... por vezes parece que andamos a tentar praticar "desporto" com este coração e às vezes quem sabe se não vamos parar à "cardiologia"... deixo de tentar estabelecer agora comparações.
Como dizia há muitas coisas diferentes... a vida que também ela é mãe e mestra ("mater et magistra") vai-se encarregando de nos ensinar o que tantas vezes não queremos aprender. Seja em relação a amigos, ou a situações, envolva pessoas perfeitamente anónimas, ou talvez bem conhecidas, não digo distantes, mas talvez não tão próximas algumas. "deitar faladura"... dirá quem lê. É o que este rapaz está a fazer... Pois é precisamente o pensar que nos faz "deitar faladura"...
E porque o dia de hoje é própício para falar de camelos, é mais fácil um camelo reconhecer-se culpado de algo, do que qualquer um de nós admitir culpa seja no que for... Pode ser que seja uma mera ilusão o pensar, o sentir e talvez até o amar... mas prefiro pensar, sentir e amar do que deixar de viver, sem estar a viver... Afinal o que é "ser animado" e pensar???

04 outubro 2006

Hoje...

«O pessimista vê uma dificuldade em cada oportunidade.
O optimista vê uma oportunidade em cada dificuldade.»
Anónimo

28 setembro 2006

"Nem o nosso temor é constante, nem o nosso amor é estável"

Hoje ao ler um texto de Sto. Agostinho, apeteceu-me partilhar com quem o ler um pequeno pedaço, que me fez sentir um ser animado pensante!!!
[...] qual é o homem que pode julgar o homem? A terra está cheia de juízos temerários. Aquele de quem perdêramos toda a esperança, dum momento para o outro converte-se e torna-se o melhor de todos. Nem o nosso temor é constante, nem o nosso amor é estável.
O que é hoje cada homem, dificilmente o sabe o próprio homem. E se de algum modo sabe o que é hoje, não sabe o que será amanhã.

27 setembro 2006

Talvez...


Talvez um dia brinquemos com as palavras
Talvez um dia sonhemos com outras realidades
Ou talvez não...

Talvez um poema, ou quem sabe uma prosa
Uma prece, ou um simples pedido,
Num dia alegre ou triste...

Penso que tanto faz... Porque talvez
Nunca me esqueça de quem não se esquecer de mim
E talvez guarde dentro do meu peito recordações felizes.

Então ouvir-te-ei, não importa onde nem quando,
Mas as tuas palavras hão-de ecoar no meu coração
E TALVEZ te ensine o que é escutar.

19 setembro 2006

A minha meta... é CRISTO



Caminhar... Caminhar... Caminhar... sem nunca perder a esperança. Novas experiencias... Novas realidades... espera-me alguma coisa nova e diferente. Mas não... não mudei o rumo, como já escrevi aqui, o que tenho de novo é o jeito de caminhar...

18 setembro 2006


Meu Senhor e Meu Pai,
que eu Te conheça
e Te faça conhecer
que Te ame e Te faça amar
que Te sirva e Te faça servir
que eu Te louve
e Te faça Louvar
por todas as criaturas. Amen.

14 setembro 2006

Cada dia...É sonho, é poema...

Cada dia é sonho...É poema.
É manhã que se levanta
no acordar preguiçoso do sol,
nas densas nuvens que encanta.

É sol que brilha no horizonte.
Bem alto no alto do céu...
e brisa que acaricia a fronte.
É misto de ternura e de fúria,

Com o tempo e o vento...
que dança ora rápido, ora lento,
com frémitos de luxúria...

E é noite que depois do sol posto
nas estrelas, adormece com o teu rosto,
cada vez mais meu...

11 setembro 2006

Terrorismo...

11 de Setembro. As palavras não conseguem transmitir a dor que sentiram as pessoas que de alguma forma estiveram envolvidas pelos atentados deste dia há cinco anos atrás. Nós próprios nos sentimos constrangidos pela dilaceração que aconteceu. O Homem que mata o seu próprio irmão. Caim e Abel. E nós próprios, os nossos pequenos conflitos que ali se manifestam elevados ao cubo. No fundo, embora haja muitas maravilhas, na verdade somos cada um de nós responsáveis por uma pequena parte de terrorismo. Por certo não aquele que aconteceu há cinco anos atrás, mas por aquele que praticamos para com aqueles que nos rodeiam. Não são acções comparáveis ao terrorismo, podemos pensar, mas a verdade é que continuamente podemos correr o risco de deixar de fazer o que queríamos que nos fizessem e... praticar "terrorismo". Um terrorismo por vezes apenas por palavras, apenas por pensamento... mas já o poeta dizia que as palavras são facas, e matam mais que um punhal. É um dom a nossa vida, que devemos continuamente agradecer e preservar. A nossa e a dos outros. A nossa e a do nosso próximo. E quem é o meu próximo? Quantos aparecem na nossa vida? A quem ignoramos tantas vezes? Hoje apeteceu-me ser um ser animado (que questiona) pensante!!!!!!!!

10 setembro 2006

«Tende coragem, não temais. Aí está o Vosso Deus [...] ELE PRÓPRIO VEM SALVAR-NOS»


Passam os dias. Acho que devagar. Ou talvez depressa demais. Nem sei bem como classificar o tempo que passa. Hoje, como ontem, "Ele próprio vem salvar-nos". E nós podemos estar distraídos, ou mesmo impedidos de O ver. "Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e os mudos falem". E nós somos tantas vezes surdos à Palavra... e tantas vezes ainda mais mudos para com a mesma Palavra. Esquece-mo-nos dos outros, de nós próprios... e começamos a viver num castelo onde nem nós conseguimos entrar. Do alto dos nossos montes, onde não deixamos ninguém subir, vemos tudo, ouvimos tudo, mas não fazemos nada. Acho que amamos às vezes uma solidão solitária, onde estamos sós, mas sem estarmos. Parece uma afirmação de loucos. Mas é verdade que reconheço em mim isto mesmo. Pareço atravessar um rio e apesar do seu caudal não fico molhado. "Ele próprio VEM". Apetece-me dizer, vem... mas depressa porque estou a desanimar. Mas sei que "quando Ele vier" «o coxo saltará como o veado e a língua do mudo cantará de alegria. As águas brotarão no deserto e as torrentes na aridez da planície; a terra seca transformar-se-á em lago e a terra árida em nascentes de água.»