Encontrei esta pequena oração num pequeno panfleto... fez-me bem meditar nas palavras que contém... fica a partilha.
Senhor,
Tu agarraste-me e eu não pude resistir.
Corri durante muito tempo, mas Tu perseguias-me.
Dei voltas, entrei por desvios, mas Tu os conhecias.
Tu alcançaste-me, ganhaste.
Aqui estou, Senhor. Eu disse sim, quase sem fôlego,
Quase sem forças, e quase sem querer...
Mas, de repente, pousaste sobre mim o Teu olhar de amor.
Já não poderei mais esquecer-Te Senhor.
Num instante conquistaste-me, num instante me agarraste.
Sem Te ver, eu reconheci-Te, senti-Te sem Te tocar,
Compreendi-Te sem Te escutar.
Agora sei que estás aí, presente junto a mim, e, em paz, descanso sob o Teu olhar de amor.
Basta erguer para Ti os olhos da minha alma, para encontrar o Teu olhar.
E logo nos entendemos; tudo está claro, tudo está em paz!
Começamos a existir Naquele Sonho que faz realidade todos os outros, derramando o Seu amor, através do amor de dois seres humanos, e, no milagre da vida, descobri-mo-nos capazes de pensar, de amar, de chorar, mas também de sorrir. Misturando este sonho, agitado pela vida, assim pensamos... e do pensar a letra se faz, e da Palavra se recomeça de novo, como na Origem.
23 maio 2007
17 maio 2007
Desafio...
De um "jogo de palavra"s o que mais poderia esperar senão que me colocasse este desafio?!
Aqui respondo Nuno.
Eu quero: ser feliz...
Eu tenho: lábia para muita coisa
Eu tenho: lábia para muita coisa
Eu acho: que a vida é um caminho para Amar
Eu odeio: a velhacaria astuta e manhosa
Eu sinto: cansaço neste momento
Eu odeio: a velhacaria astuta e manhosa
Eu sinto: cansaço neste momento
Eu escuto: música a toda a hora
Eu cheiro: ao meu perfume
Eu imploro: paz e sossego
Eu procuro: Deus
Eu arrependo-me: de muita coisa
Eu imploro: paz e sossego
Eu procuro: Deus
Eu arrependo-me: de muita coisa
Eu amo: aqueles que Deus colocou no meu caminho para amar
Eu sinto dor: pela maldade (quando a encontro)
Eu sinto a falta: de ter um coração puro e simples como uma criança
Eu importo-me: com aquilo que não tem importância
Eu sempre: acelerado
Eu sinto dor: pela maldade (quando a encontro)
Eu sinto a falta: de ter um coração puro e simples como uma criança
Eu importo-me: com aquilo que não tem importância
Eu sempre: acelerado
Eu não fico: quieto
Eu acredito: no Amor que é Deus
Eu danço: sozinho se fdoir preciso, mas poucas vezes
Eu acredito: no Amor que é Deus
Eu danço: sozinho se fdoir preciso, mas poucas vezes
Eu canto: o silencioso canto dos solitários
Eu choro: e quando não choro pergunto-me se não é melhor chorar também (lava-me por dentro)
Eu falho: porque sou humano
Eu luto: sem parar por aquilo que quero
Eu escrevo: tal e com a mesma necessidade com que respiro
Eu ganho: fôlego antes de ir a alguns sítios
Eu perco: muitas coisas
Eu confundo-me: perante o aparente progredir de tanta maldade no mundo
Eu estou: no meu quarto
Eu fico feliz: com pouco
Eu tenho esperança: na misericórdia de Deus
Eu preciso: de caminhar seguro
Eu deveria: ser mais concentrado
Eu sou: quem sou, não me arrependo de ser Eu, pensador nas horas livres, sonhador quando ocupado.

Agora lanço o desafio para:
http://oblogdoangelo.blogspot.com/
http://tocarlos.blogspot.com/
http://ardaguarda.blogs.sapo.pt/
Eu falho: porque sou humano
Eu luto: sem parar por aquilo que quero
Eu escrevo: tal e com a mesma necessidade com que respiro
Eu ganho: fôlego antes de ir a alguns sítios
Eu perco: muitas coisas
Eu confundo-me: perante o aparente progredir de tanta maldade no mundo
Eu estou: no meu quarto
Eu fico feliz: com pouco
Eu tenho esperança: na misericórdia de Deus
Eu preciso: de caminhar seguro
Eu deveria: ser mais concentrado
Eu sou: quem sou, não me arrependo de ser Eu, pensador nas horas livres, sonhador quando ocupado.
Agora lanço o desafio para:
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http://tocarlos.blogspot.com/
http://ardaguarda.blogs.sapo.pt/
16 maio 2007
15 maio 2007
Pensamentos dispersos na ilusão de um louco pensador

A vida é cada dia uma surpresa. Uma verdadeira aventura. Se há momentos que de alguma forma nos entristecem, outros há que nos fazem sentir vivos, bem vivos, e ainda bem que estamos vivos. Não sei se vos acontece acordar pela manhã com uma sensação de vazio e de repente algo encher o nosso dia... Ou então aprender coisas que são verdadeiras sensacionalidades, ou escutar verdadeiras banalidades, e mesmo assim sentir que tudo é maravilhoso?!
O rosto de alguém pode revelar aquilo que lhe vai por dentro... mas a mera sucessão dos momentos obriga-nos a transformar aquilo que não é digno de nós, e a revelar assim auqe maior do que aquilo que nos vai cá dentro é Aquele que nos faz "mover, ser e existir"...
"Escrevo-vos porque vencestes", porque em cada dia eu aprendo a vencer, porque cada um faz essa mesma experiência... Vencer... Houve Alguém que venceu tudo o que havia para vencer. Entristece-me não corresponder a essa vitória como desejaria, mas alegra-me saber que Ele venceu por mim, e me ajuda cada dia a vencer... (Não que a vida seja uma competição, embora por vezes possamos olhá-la desse modo) Gostava de aprender a ver a vida como um caminho para amar e poder ensinar isso mesmo... Como a pequena Teresinha exclamar: "Vivo de amor"!
10 maio 2007
Porque o dia de Ontem, ajuda a perceber o de hoje...
Vazio. Hoje sinto-me vazio. Em desacordo com a vida e comigo mesmo. Parece que não tenho a "sorte" de alguns dias. Enfim, há dias assim. Talvez porque me fecho sobre mim mesmo. Ignorando o que está fora, com medo de me magoar, com medo de que me magoem. Não sei. Amorfo. É um estado de apatia. Detesto estes dias. Nem sei porque os deixo acontecer. Que aborrecimento. Sorrir por fora e chorar por dentro. Calem-me estes dias.
07 maio 2007
Louco?!
«...Vácuo imóvel e mudo! Necessidade fria e eterna! Destino louco! Que sós estão na ampla necrópole do universo. E eu também estou só, só comigo mesmo. Ó Pai, onde está o teu peito infinito para poder reclinar-me nele?...» (o Homem louco - texto adapt. de Jean Paul, filósofo ateu francês - Excerto do Teatro "Deus Morreu?!", apresentado pelo S M G)
Por vezes a personagem que encarnei sou eu mesmo, em cada dia. Também tenho dias em que me sinto só. Só, comigo mesmo. Só, no meio do mundo. Só, na presença de Deus. Mas só. Que raio de vida. De facto, que destino - entenda-se vida - louco! Quanto de só, de vácuo, de imóvel e mudo tem por vezes o meu interior. Quisera tantas vezes dar largas a todo o turbilhão de sentimentos que pululam bem dentro de mim. Mas não. Calo e não digo. Penso mas não faço. Engulo mas não deixo transparecer. Pergunto-me tantas vezes se Seguir Cristo também é isto.
Não olho para tudo como uma ampla necrópole, tudo à espera de uma purificação pela morte, e num momento futuro é que tudo há-de ganhar sentido. Deus há-de ser tudo em todos, sim. Mas a criação é obra Sua. E não creio que esta seja uma imensa cidade de mortos, onde as diversas cores deixam adivinhar a alegria do que é estar ainda do lado de cá. Mas porque há-de ser tudo assim? Porque não havemos de poder dizer tudo quanto nos vai na alma? Diz o salmista, "agora porém gritarei como aquela que dá à luz, desafogarei todo o meu ardor". e GRITO. E gritarei. Não sei se seguir Cristo é também isto. De certo é abandonar-se à Sua vontade e acreditar que nenhuma dificuldade é maior do que Ele. Quando nos sentimos sós, e comigo muitas vezes felizmente acontece, depois de algum modo Ele (Se) me faz sentir bem perto.
Louco?! Sim, bastante pois não é fácil que muitos vejam sensatez na adesão a Alguém que deu tudo sem esperar nada em troca, e que quer que façamos o mesmo. Não seremos salvos de certeza pela grandeza dos nossos méritos, mas pelo Amor infinito e omnipotente que Deus nos manifestou no Seu Filho. Louco Ele, insensato aos olhos do mundo. Mas não encontrou Ele descanso no peito infinito do Pai? Não foi Ele ressuscitado como Aquele a quem o Pai disse "o meu amor por ti quer dizer Tu-não-morrerás" (G. Marcel)?!
Sabe bem ser louco, insensato aos olhos do mundo. Perder comigo mesmo o sentido das coisas. É uma necessidade fria, e eterna enquanto houver humanidade, esta de procurar um sentido. Mas é quando o perco que logo aí me consigo voltar a encontrar... Há males que vêm por bem.
O dia termina. Amanhã levantar-se-á o Sol da Justiça. Termino com uma prece. Permite-me ó Pai, encontrar o teu peito infinito para poder reclinar nele a minha cabeça e encontrar em Teus braços a força que hoje me falta.
04 maio 2007
Senhor, Tu sabes tudo

"Senhor, Tu sabes tudo, Tu bem sabes que Te amo" (Jo 21, 17b)
Mesmo quando não Te encontro,
Ainda quando não quero encontrar-Te,
Talvez quando nego encontrar-me contigo,
Tu sabes que Te amo.
Nas noites escuras, em que confundo o Teu vulto,
Em que julgo caminhar para Ti,
E antes corro a fugir, sem de tal me percatar,
Tu sabes tudo,
Tu saberás que ainda aí Te amo.
Mesmo ao sol do meio dia,
Onde brilhar refulgente a Tua imagem,
E ainda assim Te troque,
abandone a luz do Teu olhar,
Tu sabes tudo,
Peço-te, que ainda aí, saibas que Te amo.
23/04/2007
13 abril 2007
A alegria de um sepulcro vazio...
Qualquer sepulcro vazio poderia despertar espanto, admiração, ou mesmo tristeza por aquilo que significa. Mas um sepulcro onde em aguda tristeza se deposita um corpo, um segundo sacrário, e que, na palidez de um dia que desperta, se acha vazio, que sentimentos poderá despertar? Alegria?! Só por si talvez não, mas pela força da Ressurreição, a alegria converte-se em extase de quem contempla as ténues réstias deste acontecimento que a Humanidade não sonhara... A morte é vencida, o luto transformado, a eternidade aberta, o infinito no finito, a efemeridade da pequena criatura humana na imensa grandiosidade do divino... A festa é tão grande que a celebramos durante 50 dias... à espera do Espírito que se há-de derramar nos nossos corações, fazendo deles moradas e sepulcros de ressurreição.
27 março 2007
Uma pequena homenagem...
Bem sei que atrasada, pois o nascimento que quero comemorar ocorreu no dia 22, mas quero agora publicar o que então escrevi.
Mais do que julgas conhecer,
Amor maior não irás encontrar e,
Revendo em ti a imagem dele,
Tu és, pequeno ao nascer,
Igual na grandeza para amar,
Maior, certamente, para viver...
Benvindo pequeno!!!
Então não haverá barreiras
Uma experiência só por si não vale nada. Vale por aquilo que fazemos depois com ela. Um homem não vale apenas por aquilo que diz, vale por aquilo que faz do que diz, ou por aquilo que diz poder levar outros a fazer algo. Posso experimentar a solidão, mas se não me levar a valorizar o convívio... de nada me serve. Posso desenvolver uma brilhante teoria, mas se ela não me ajuda nem a mim, nem a outrém, são coisas que, embora inusitadas, podem ser dispensáveis... Na verdade, de que me serve experimentar amar alguém, se esse amor não me leva ao amor de Deus?! Ao pensar nisto, recordo uma leitura que fiz, e da qual guardei o seguinte pensamento: "Se Deus é amor, então a caridade não deve ter fronteiras, porque para Deus não há barreiras". Nada de novo, é certo. Mas como é difícil este viver numa dimensão que a pouco e pouco nos conforma de tal modo a Deus, que nos leva a esvaziar do nosso próprio amor, para que em nós não haja senão Amor, amor de Deus, que passa a amar em nós. E este Deus que passa a amar em nós, sem dúvida nenhuma é o mesmo Deus que na cruz, como recorda o Papa, ama de tal forma, que chega a voltar-se contra Si mesmo (Deus caritas est, n.º12). É um amor radical este, daquele que dá a vida pelos amigos, aquele do que o qual ninguém tem maior amor. De facto, quanto mais se reflecte neste amor, mais se sente a distância que separa ainda o nosso coração de ser despojado do nosso amor próprio, para ser preenchido com o amor de Deus, e cada acto de amor, que passamos a realizar, é um acto de amor do próprio Deus. Penso que seria um verdadeiro sacramento este... Que maravilhoso haveria de ser, este amor sem distinção e sem barreiras... estas barreiras que a humanidade, que cada um, que eu crio... Sem o esforço da conquista, é impossível a alegria quando se atinge a meta, e quero acreditar que tudo o que vai acontecendo, é em ordem a uma Alegria que não terá fim, a um Bem maior que tudo, a um Amor que tudo preencherá, que tudo transformará e tudo saciará. Fico extasiado de alegria ao pensar nisto. Espero que possa ter ajudado alguém a alegrar-se também. Afinal, todos nós somos seres animados pensantes!!!
23 março 2007
Teologia Hoje: XXI ENET
Este é um artigo que foi enviado ao jornal "A Guarda", mas que não pode ser publicado na íntegra. Como acho pertinentes algumas das afirmações, que no entanto não puderam ser publicadas, optei por divulgá-lo aqui.
Decorreu durante os dias 16, 17 e 18 de Março, no Porto, o XXI ENET, organizado pela FNAET (Federação Nacional das Associações de Estudantes de Teologia) e pela Associação de Estudantes da Faculdade de Teologia do Porto. Sob o tema “Teologia hoje. O papel das religiões na paz mundial”. Foram conferentes o senhor Cardeal Saraiva Martins, Prefeito da Congregação para Causas dos Santos, o Prof. Santiago Guerra, ocd, do Centro Internacional Teresiano Sanjuanista (Ávila, Espanha), o Doutor António Couto, smbn, da Faculdade de Teologia da U.C.P. (Porto), e a Prof. Doutora Maria do Céu Pinto, da Universidade do Minho.
O senhor Cardeal, que proferiu a lição de sapiência do encontro, falou-nos sob o tema “O papel das religiões na paz mundial”. D. José Saraiva Martins percorreu num primeiro momento aquilo que ele mesmo apelidou como “um complexo problema histórico”, passando à análise da situação actual, sob o horizonte socio-cultural e económico. Apresentou algumas indicações práticas, nomeadamente uma antropologia que encarasse “a pessoa humana, como coração da paz”, bem assim como o ”terrorismo zero” e o justo discernimento acerca da guerra, que “nunca pode ser caminho da paz”. Terminou apresentando o que ele mesmo apelidou de “decálogo das religiões para a paz”, sublinhando o carácter pacífico de todas as religiões. Para completar o primeiro dia do ENET, actuaram para os presentes alguns dos elementos da Tuna Masculina da UCP (Porto).
O segundo dia, depois da oração de Laudes e Eucaristia, continuou com a primeira conferência, pelo professor Santiago Guerra, sob o tema “A mística cristã no diálogo inter-religioso. Sta. Teresa de Jesus e S. João da Cruz”. A sua conferência centrou-se inicialmente nas religiões orientais, concretamente no hinduísmo, para a apresentar como ponto de referência na mística, cuja concepção se centra numa mística que é “de per si” “libertação da existência”. Da apresentação dos dois caminhos da mística oriental, o caminho do conhecimento e o caminho do amor, estabeleceu a ponte para o diálogo inter-religioso, pela concretização de exemplos de afinidade entre a mística carmelita e a mística oriental. O último ponto centrou-se na “oferta” de diálogo a partir da mística carmelita, passando por S. João da Cruz, Sta. Teresa e Sta. Teresinha. Concluiu a apresentação do tema, falando daquilo que considera ser a relação entre mística e diálogo inter-religioso, ou seja “uma dissonância harmoniosa, em vez de uma harmonia dissonante”. Na conclusão desta conferência, e como intervalo lúdico da manhã, o Grupo de Jovens da Igreja Stella Maris, dos Padres Carmelitas Descalços, executou para nós algumas poesias musicadas da autoria de S. João da Cruz, Sta. Teresa e de Sta. Teresinha. Ainda durante a manhã, conferenciou o Doutor António Couto, sob o tema “Olho por olho, dente por dente?”, apresentando além do que dimana do Texto Sagrado, as suas origens no Código de Hamurabi, a própria concepção do povo hebreu, culminando na “proposta revolucionária” de Jesus, acerca do perdão.
“Diálogo inter-religioso Cristianismo-Islão. As dificuldades no relacionamento na conjuntura actual” foi o tema da apresentação que nos fez a Prof. Doutora Maria do Céu Pinto, da UM. Sumariamente referiu os pontos de convergência entre cristianismo e Islão, nomeadamente o monoteísmo e Jesus, ou “Issa”, como uma grande figura entre os muçulmanos. Depois reportou-nos os diferentes pontos de divergência, desde a Trindade, inaceitável para o Islão, como ponto mais divergente entre cristãos e muçulmanos, até ao estatuto dos crentes de outras religiões no Islão. Ainda houve tempo durante a tarde para a apresentação das Escolas Teológicas presentes: Porto e Vila Real, Guarda, Viseu e Lamego. Estiveram também presentes no encontro as escolas de Braga e Coimbra. O dia terminou com um concerto de oração, com a Claudine Pinheiro, que integra o projecto dos Salesianos “Água Viva”.
O último dia de encontro teve o seu ponto alto na Eucaristia de Encerramento do ENET, na Sé Catedral do Porto, presidida pelo Director da FT (Porto), Cónego Doutor Jorge Teixeira da Cunha, e no almoço de encerramento e plenário realizados na Pousada da Juventude, também no Porto. Na homilia da Eucaristia, o director da FT que acolheu o XXI ENET, mais uma vez felicitou a organização e sublinhou o orgulho da Faculdade em ser a casa que acolheu e preparou este encontro. “Somos uma minoria, mas temos entre mãos uma grande tarefa e vocação, que é a de levar Deus aos Homens de hoje!” sublinhou. De facto os caminhos da teologia vivem momentos de incerteza a nível institucional, onde se debate a organização das escolas de teologia. E pese embora o problema de permanecer dispersos ou juntos, ou o da formação, ou não, a nível universitário, ou o carácter “pastoral” da teologia, cuja proximidade das pessoas a quem serve pode ser um ponto importante, “sem reunião de esforços não podemos ter qualidade”. E a qualidade é tornar a teologia a “alma pastoral”, o fundamento da competência dos ministros da Igreja, a preparação dos servidores do Povo de Deus e da sociedade, com a forma que o Espírito Santo vier a inspirar, “tornando-se o centro de uma espiritualidade feliz”.
Como em todos os ENET’s, o convívio, a formação, o estabelecer laços de amizade entre os alunos de todo o país, foi mais uma vez a marca deste encontro. O último tinha sido organizado na Guarda, e talvez por isso, depois da Escola organizadora, foi a escola que marcou presença em maior número. É pena, que neste encontro, como em todos os anteriores, nunca seja possível contar com a presença de todas as escolas teológicas do país. Pese embora esta fractura na FNAET, penso poder afirmar que este encontro foi reflexo e participação visível da comunidade de estudantes de teologia a nível nacional. Felicitações à Organização. Parabéns a todos nós que acolhemos o apelo e participamos no encontro. Que possamos contar com uma maior união entre escolas, optimizando este “pequeno grupo” de estudantes de teologia a nível nacional, para que possamos ser “sal da terra, e luz do mundo” (Mt 5, 13-16). Foi grata esta visita à “mui nobre e sempre leal cidade”, e agradecemos profundamente o empenho daqueles que organizaram o XXI ENET. Aguardamos certamente as Conclusões do encontro, e esperamos que possam mais escolas de teologia continuar a acolher este desafio que a comunidade de teólogos, através da FNAET continua lançar a todas, para que “activamente continue a manifestar da unidade de escolas, na diversidade que é por si promotora da identidade de cada escola académica”, como sublinhou o presidente da FNAET, Rui Mota Alves.
O senhor Cardeal, que proferiu a lição de sapiência do encontro, falou-nos sob o tema “O papel das religiões na paz mundial”. D. José Saraiva Martins percorreu num primeiro momento aquilo que ele mesmo apelidou como “um complexo problema histórico”, passando à análise da situação actual, sob o horizonte socio-cultural e económico. Apresentou algumas indicações práticas, nomeadamente uma antropologia que encarasse “a pessoa humana, como coração da paz”, bem assim como o ”terrorismo zero” e o justo discernimento acerca da guerra, que “nunca pode ser caminho da paz”. Terminou apresentando o que ele mesmo apelidou de “decálogo das religiões para a paz”, sublinhando o carácter pacífico de todas as religiões. Para completar o primeiro dia do ENET, actuaram para os presentes alguns dos elementos da Tuna Masculina da UCP (Porto).
O segundo dia, depois da oração de Laudes e Eucaristia, continuou com a primeira conferência, pelo professor Santiago Guerra, sob o tema “A mística cristã no diálogo inter-religioso. Sta. Teresa de Jesus e S. João da Cruz”. A sua conferência centrou-se inicialmente nas religiões orientais, concretamente no hinduísmo, para a apresentar como ponto de referência na mística, cuja concepção se centra numa mística que é “de per si” “libertação da existência”. Da apresentação dos dois caminhos da mística oriental, o caminho do conhecimento e o caminho do amor, estabeleceu a ponte para o diálogo inter-religioso, pela concretização de exemplos de afinidade entre a mística carmelita e a mística oriental. O último ponto centrou-se na “oferta” de diálogo a partir da mística carmelita, passando por S. João da Cruz, Sta. Teresa e Sta. Teresinha. Concluiu a apresentação do tema, falando daquilo que considera ser a relação entre mística e diálogo inter-religioso, ou seja “uma dissonância harmoniosa, em vez de uma harmonia dissonante”. Na conclusão desta conferência, e como intervalo lúdico da manhã, o Grupo de Jovens da Igreja Stella Maris, dos Padres Carmelitas Descalços, executou para nós algumas poesias musicadas da autoria de S. João da Cruz, Sta. Teresa e de Sta. Teresinha. Ainda durante a manhã, conferenciou o Doutor António Couto, sob o tema “Olho por olho, dente por dente?”, apresentando além do que dimana do Texto Sagrado, as suas origens no Código de Hamurabi, a própria concepção do povo hebreu, culminando na “proposta revolucionária” de Jesus, acerca do perdão.
“Diálogo inter-religioso Cristianismo-Islão. As dificuldades no relacionamento na conjuntura actual” foi o tema da apresentação que nos fez a Prof. Doutora Maria do Céu Pinto, da UM. Sumariamente referiu os pontos de convergência entre cristianismo e Islão, nomeadamente o monoteísmo e Jesus, ou “Issa”, como uma grande figura entre os muçulmanos. Depois reportou-nos os diferentes pontos de divergência, desde a Trindade, inaceitável para o Islão, como ponto mais divergente entre cristãos e muçulmanos, até ao estatuto dos crentes de outras religiões no Islão. Ainda houve tempo durante a tarde para a apresentação das Escolas Teológicas presentes: Porto e Vila Real, Guarda, Viseu e Lamego. Estiveram também presentes no encontro as escolas de Braga e Coimbra. O dia terminou com um concerto de oração, com a Claudine Pinheiro, que integra o projecto dos Salesianos “Água Viva”.
O último dia de encontro teve o seu ponto alto na Eucaristia de Encerramento do ENET, na Sé Catedral do Porto, presidida pelo Director da FT (Porto), Cónego Doutor Jorge Teixeira da Cunha, e no almoço de encerramento e plenário realizados na Pousada da Juventude, também no Porto. Na homilia da Eucaristia, o director da FT que acolheu o XXI ENET, mais uma vez felicitou a organização e sublinhou o orgulho da Faculdade em ser a casa que acolheu e preparou este encontro. “Somos uma minoria, mas temos entre mãos uma grande tarefa e vocação, que é a de levar Deus aos Homens de hoje!” sublinhou. De facto os caminhos da teologia vivem momentos de incerteza a nível institucional, onde se debate a organização das escolas de teologia. E pese embora o problema de permanecer dispersos ou juntos, ou o da formação, ou não, a nível universitário, ou o carácter “pastoral” da teologia, cuja proximidade das pessoas a quem serve pode ser um ponto importante, “sem reunião de esforços não podemos ter qualidade”. E a qualidade é tornar a teologia a “alma pastoral”, o fundamento da competência dos ministros da Igreja, a preparação dos servidores do Povo de Deus e da sociedade, com a forma que o Espírito Santo vier a inspirar, “tornando-se o centro de uma espiritualidade feliz”.
Como em todos os ENET’s, o convívio, a formação, o estabelecer laços de amizade entre os alunos de todo o país, foi mais uma vez a marca deste encontro. O último tinha sido organizado na Guarda, e talvez por isso, depois da Escola organizadora, foi a escola que marcou presença em maior número. É pena, que neste encontro, como em todos os anteriores, nunca seja possível contar com a presença de todas as escolas teológicas do país. Pese embora esta fractura na FNAET, penso poder afirmar que este encontro foi reflexo e participação visível da comunidade de estudantes de teologia a nível nacional. Felicitações à Organização. Parabéns a todos nós que acolhemos o apelo e participamos no encontro. Que possamos contar com uma maior união entre escolas, optimizando este “pequeno grupo” de estudantes de teologia a nível nacional, para que possamos ser “sal da terra, e luz do mundo” (Mt 5, 13-16). Foi grata esta visita à “mui nobre e sempre leal cidade”, e agradecemos profundamente o empenho daqueles que organizaram o XXI ENET. Aguardamos certamente as Conclusões do encontro, e esperamos que possam mais escolas de teologia continuar a acolher este desafio que a comunidade de teólogos, através da FNAET continua lançar a todas, para que “activamente continue a manifestar da unidade de escolas, na diversidade que é por si promotora da identidade de cada escola académica”, como sublinhou o presidente da FNAET, Rui Mota Alves.
06 março 2007
Hão-de olhar para Aquele que trespassaram - a morte...
Hão-de olhar... Porquê? Talvez porque perdemos alguns sentidos da existência... Sem Ele perde sentido a vida, ou o seu termo, a morte.... ou o Tempo e a eternidade... penso que ninguém esquece este tema, no entanto parece que disfarçamos, ou que a sociedade disfarça o que nos faz passar para lá deste "cronos".
Nas palavras de J. L. L. Arauguren, fala-se da "morte iludida". Mas esta atitude apenas acontece porque se encara a morte como um um fim, como oposição à vida, que de certa forma a paralisa e lhe corroi as energias... Como não a podemos superar, nem tao pouco referir-nos àquela que será a nossa própria morte, reprimimos naturalmente o pensamento dela. Não podemos compreender nem entender a morte, mesmo à luz da teologia, se não for iluminados pela morte do próprio Filho de Deus. E mesmo da morte deste, apenas o Pai foi testemunha, de facto alguns o terão visto expirar, mas a morte em si, ultrapassou-os, como de resto nos ultrapassa a morte de alguém, mesmo ao nosso lado. Contudo e ao glorificar o Filho, Deus mostra-nos o que foi a morte do Seu Filho, e o que é para nós: a entrada na Sua verdadeira vida filial. Cabe dizer que uma importante chave de leitura aqui é a aceitação que Jesus tem da Sua morte com verdadeira liberdade. O MORRER-COM-CRISTO habita desde já cada cristão, dando a todos nós a possibilidade de desde já viver nesta tensão até que o morrer-com aconteça e nos torne verdadeiramente cristãos. De facto o que começamos no baptismo apenas encontra aqui o seu termo. A morte é assim o ponto de encontro de todos com Cristo. Na morte Ele está onde nós estamos (Kenose) e nós estamos onde Ele está.
14 fevereiro 2007
Apenas Tu saberás...

Nas Tuas mãos, meu Deus eu me abandono.
Modela este barro como a argila em mãos de oleiro.
Tu sabes o que queres fazer de mim.
Então vem, toma-me e age em mim,
que em mim se faça a Tua Palavra.
Que em mim mostres o Teu amor.
Amor sem o qual não posso viver,
para o qual fui criado.
E sim, ò Pai, dá-me o amor da Cruz.
De cada cruz do meu dia.
Não de "cruzes" de heroísmo,
mas de todas as que simples, carrego,
por vezes obstinado,
perguntando o porquê...
A cruz das contrariedades,
a cruz dos esquecimentos,
a cruz dos fracassos,
a cruz dos meus pecados,
a cruz da frieza e dos desprezos alheios,
tantas Senhor, só tu sabes...
E se continuarem a perguntar o porquê,
se aos olhos do Mundo perguntarem qual o motivo,
No silêncio Tu saberás que Te amo.
Na verdade, ainda que mesmo eu o não saiba,
Tu sim, sabes.
E isso me basta.
Então serei feliz.
31 janeiro 2007
24 janeiro 2007
Partilha
Cada criança que nasce traz-nos o sorriso de Deus e convida-nos a reconhecer que
a vida é uma sua dádiva, um dom a acolher com amor e a conservar com cuidado,
sempre e em cada momento.Bento XVI, Homilia 8 de Janeiro 2007, Festa do Baptismo do Senhor
10 janeiro 2007
Novuum Annum...
Faça-se silêncio. Cale-se todo o ruído que começa ainda agora a submergir de entre tantos festejos e tantas coisas que são velhas neste ano, que é novo... "Angusta est domus animae meae, quo venias ad eam: delitetur abs te. Ruinosa est: refice eam. Habet quae offendant oculos tuos: fateor et scio. Sed quis mundabit eam?" (Confissões,Livro I, V,6), ainda mais interrogo "Quandiu, quandiu cras te cras? Quare non modo? Quare non hac hora finis tupitudinis meae?(Confissões, livro VIII, XII, 28) aqui se deve procurar a resposta: " A te petatur, in te quaeratur, ad te pulsetur: Sic, sic accipietur, sic invenietur, sic aperietur."(Confissões, Livro XII, XXXVIII, 53). Fica a oração, e a resposta...
23 dezembro 2006
Boas Festas!
20 dezembro 2006
Fazer do mundo um lugar feliz...

Corro. Descanso. Recomeço. O tempo passa-me por entre as mãos, deixo-o fugir, afinal ele tem como que uma capacidade de se "ir" por entre o bater do coração dentro do peito. Passa cada dia, cada semana, cada mês, finalmente mais um ano... Hoje penso no tempo. O tempo da minha vida, da vida que não corre, da vida que apenas passa, cada dia, sem que eu lhe dê tempo. Sim... sem que eu lhe dê tempo. Por isso exclamo como tantos outros: "a vida passa rápido", "o tempo voa", "não sei como foi, mas nem dei pelo tempo passar"!!! Um dia destes um amigo disse-me que se eu não desse tempo à vida, a vida iria dar-me o tempo que eu devia ter tido, mas à força... isto é, ou eu dou espaço a mim mesmo, ou a vida encarregar-se-á de arranjar esse tempo e esse espaço, ou somente espaço (o espaço na vida é o próprio tempo...), da forma que menos me convirá... novamente sem ter tomado a minha vida nas mãos... "Agarra a tua vida", disse-me, em jeito de conselho e de desafio... daquele jeito que um verdadeiro amigo aconselha e ao mesmo tempo semeia o desafio para a aventura... Agradeço-te, amigo, por me teres alertado para uma possibilidade que me passara completamente ao lado, não porque não soubesse, mas porque "tinha mais que fazer". Claro que sei que não posso ter tempo para os outros se não tiver tempo primeiro para mim, não por uma questão de egoísmo, mas porque o ser humano é assim, somos assim, eu sou assim... preciso em primeiro lugar de olhar para dentro de mim, de parar, de aquietar as águas, e depois então poderei ajudar alguém... Depois todo o trabalho para os outros fará sentido... porque antes eu tenho sentido...
Partilho ainda mais alguns pensamentos, que me vão animando por dentro! O verdadeiro sentido de humildade... Li algures que humildade, etimologicamente procede de "humus"( grande novidade!!!, dirás)... mas a novidade não está em descobrir que é o mais baixo e discreto, aquilo que pisamos com os pés, mas sim em que a sua vocação, a vocação de humildade, consiste em produzir... tal qual o húmus faz nascer e germinar a semente...
Ainda distraído, algures numa parede, encontrei a frase "sós encontramos a solidão, juntos descobrimos o amor"...
Mas o que quer dizer o título do "post", perante toda letra que deixei até aqui? É que com estas ideias que me "animam", e que me fazem de facto pensante, penso que posso fazer do mundo um lugar feliz... porque Eu posso ser feliz e fazer os outros felizes... sendo humilde, dando-me tempo, procurando nao construir a solidão, mas antes na proximidade (do próximo) construir o amor.
13 dezembro 2006
Partilha
Alguém hoje partilhou comigo este belo texto de Tagore, que partilho agora com todos aqueles que o quiserem ler e, lendo-o, se sintam seres animados pensantes!!!
Morria a noite... Um murmúrio corria de boca em boca:
O MENSAGEIRO! O MENSAGEIRO! AÍ VEM O MENSAGEIRO!
Inclinei a cabeça e perguntei: Vem já?
De todas as partes parece que estalava o Sim da resposta.
O meu pensamento, atormentado, dizia:
Não tenho ainda pronta a cúpula do meu palácio, nada está completo.
Veio uma voz do céu: Derruba o teu palácio.
Porquê? perguntou o meu pensamento
Porque hoje é o dia da chegada
E o teu palácio estorva a passagem!
07 dezembro 2006
Advento: O SENHOR VEM! (II)
Quando agora nós celebramos em cada ano o Advento, centrando o nosso olhar na espera e na preparação da vinda de Jesus, não queremos simular que Ele ainda não veio, como se Ele ainda tivesse que vir. Somos os Seus seguidores, transformados pela Sua Morte e Ressurreição, os que recebemos o Seu Espírito para que continuemos a Sua obra. Então o que significa preparar esta vinda?
Várias coisas... Em primeiro lugar significa, paradoxalmente, olhar para trás, para aquele acontecimento transcendental de há dois mil anos, para o reviver-mos com toda a intensidade. Este é um facto decisivo: Deus fez-Se Homem. Veio viver a nossa própria vida, entrou na nossa história para nos abrir um caminho que nos pudesse libertar do mal e do pecado, Deus fez Sua a nossa debilidade – a nossa carne, diz o Evangelho de João – e fez dela vida plena, vida divina.
Para podermos celebrar tudo o que o Natal significa, precisamos de ter em nós uma atitude de espera, de desejo da vinda do Senhor. Pois sem este desejo, sem estarmos convencidos que necessitamos libertação, transformação da nossa vida humana, se não vivermos profundamente o anseio de Deus e sem estarmos dispostos a acolher Alguém que nos mostre uma nova maneira de viver, que sentido teria celebrar o Natal?
Por tudo isto necessitamos de esperar e desejar a vinda do Senhor, vivendo os sentimentos do Povo do AT que espera e deseja a vinda do Messias. Pela voz dos profetas, escutamos na liturgia este desejo e necessidade de Israel daquele que seria capaz de fazer nascer uma nova maneira de viver entre os Homens, que livraria do mal e da dor, enchendo o mundo do Amor e da Misericórdia de Deus, fazendo nascer no coração dos homens, duro em acolher estes sentimentos, sentimentos de justiça e de bondade. Assim unimo-nos aos profetas, à sua espera e confiança que o Messias virá. Apesar de O sabermos já presente, continuamos também nós a precisar que Ele actue em nós e mude os nossos corações, que actue no nosso mundo e mude tanta injustiça, tanta opressão, tanta desigualdade, tanto desespero...O tempo de Advento traz-nos também um convite a que nos coloquemos no lugar de Maria, a Virgem Mãe de Deus. Ela é nestas semanas, sem dúvida, o grande modelo. Maria sabe-se pobre e frágil, como parte do mundo também ele pobre e frágil, carenciado da acção de Deus que salva...Ela deseja como ninguém que os pobres possam levantar a cabeça e que este mundo seja libertado da dor e do mal que o atormenta. Ao mesmo tempo está disposta a colaborar neste projecto, e aceita ser Mãe do Messias. Abriu o seu coração á força de Deus que actua e por mediação da qual as esperanças dos profetas se tornarão realidade. Maria trará então ao mundo o Filho de Deus, Deus feito Homem. É para nós modelo de abertura a Deus, para tornar possível a Sua vinda e modelo de esperança gozosa do Deus que vem.
Várias coisas... Em primeiro lugar significa, paradoxalmente, olhar para trás, para aquele acontecimento transcendental de há dois mil anos, para o reviver-mos com toda a intensidade. Este é um facto decisivo: Deus fez-Se Homem. Veio viver a nossa própria vida, entrou na nossa história para nos abrir um caminho que nos pudesse libertar do mal e do pecado, Deus fez Sua a nossa debilidade – a nossa carne, diz o Evangelho de João – e fez dela vida plena, vida divina.
Para podermos celebrar tudo o que o Natal significa, precisamos de ter em nós uma atitude de espera, de desejo da vinda do Senhor. Pois sem este desejo, sem estarmos convencidos que necessitamos libertação, transformação da nossa vida humana, se não vivermos profundamente o anseio de Deus e sem estarmos dispostos a acolher Alguém que nos mostre uma nova maneira de viver, que sentido teria celebrar o Natal?
Por tudo isto necessitamos de esperar e desejar a vinda do Senhor, vivendo os sentimentos do Povo do AT que espera e deseja a vinda do Messias. Pela voz dos profetas, escutamos na liturgia este desejo e necessidade de Israel daquele que seria capaz de fazer nascer uma nova maneira de viver entre os Homens, que livraria do mal e da dor, enchendo o mundo do Amor e da Misericórdia de Deus, fazendo nascer no coração dos homens, duro em acolher estes sentimentos, sentimentos de justiça e de bondade. Assim unimo-nos aos profetas, à sua espera e confiança que o Messias virá. Apesar de O sabermos já presente, continuamos também nós a precisar que Ele actue em nós e mude os nossos corações, que actue no nosso mundo e mude tanta injustiça, tanta opressão, tanta desigualdade, tanto desespero...O tempo de Advento traz-nos também um convite a que nos coloquemos no lugar de Maria, a Virgem Mãe de Deus. Ela é nestas semanas, sem dúvida, o grande modelo. Maria sabe-se pobre e frágil, como parte do mundo também ele pobre e frágil, carenciado da acção de Deus que salva...Ela deseja como ninguém que os pobres possam levantar a cabeça e que este mundo seja libertado da dor e do mal que o atormenta. Ao mesmo tempo está disposta a colaborar neste projecto, e aceita ser Mãe do Messias. Abriu o seu coração á força de Deus que actua e por mediação da qual as esperanças dos profetas se tornarão realidade. Maria trará então ao mundo o Filho de Deus, Deus feito Homem. É para nós modelo de abertura a Deus, para tornar possível a Sua vinda e modelo de esperança gozosa do Deus que vem.
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