21 setembro 2010
«Segue-me»
10 junho 2010
Um olhar diferente...
O olhar de Jesus é diferente. Não se apressa a julgar os comportamentos da mulher. E no meio daquelas lágrimas e de beijos, Jesus vê amor e arrependimento. Afinal o Profeta de Deus não vinha trazer mais moralismos vazios, mas antes compaixão. Jesus prefere reconhecer nela uma mulher que se sabe amada e perdoada por Deus. Por isso deixa-se tocar e amar por ela. Oferece-lhe o perdão de Deus. Ajuda-a a encontrar dentro de si própria a fé que a salva e que a deixa viver, dai em diante, em paz. Por isso afirma Paulo que não é pelas obras da Lei que o homem se torna justo, mas pela fé em Cristo Jesus. Por isso é que todos nós acreditámos em Jesus, a fim de vivermos para Deus. E viver para Deus é viver como Jesus viveu, fazendo do olhar dele o nosso olhar, da sua compaixão a nossa, do seu perdão o nosso, do seu amor, o nosso. E depois como diz Paulo, já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. E se vivemos ainda marcados pela nossa fraqueza, vivemos animados pela fé no Filho de Deus que nos amou e se entregou por nós, para que Cristo não tenha morrido em vão. 06 junho 2010
Hoje em mim!!! 24
05 junho 2010
Eu te ordeno, levanta-te!
01 maio 2010
Já não vos chamo servos, mas AMIGOS!
25 abril 2010
«o Meu Pai é maior do que todos»
16 abril 2010
Páscoa, na nossa vida!
02 abril 2010
Acontece(u) à (quase) dois mil anos!
25 março 2010
Pede um sinal ao Senhor teu Deus!
16 fevereiro 2010
Quaresma...
13 fevereiro 2010
Felizes quem?!
Se abrirmos os jornais todos os dias nos aparecem notícias de controvérsias e desgraças sociais. A crise económica mundial, a riqueza de uns quantos, que não evita a degradação e pobreza de milhões de pessoas, um terceiro mundo que teima em subsistir graças ao estilo de vida do auto-denominado primeiro mundo… ou então podemos olhar até para as notícias do nosso país e surpreendermo-nos cada dia com políticos, até com os governantes, com terrorismo trazendo bases operacionais ao nosso pequeno Portugal à beira mar plantado… E se quisermos, cada um de nós pode pensar na sua rua, na sua terra, e ver com os seus próprios olhos o que vai acontecendo. Em quem colocamos a nossa esperança? Onde procuramos a nossa segurança? Em quem pomos a nossa confiança? «Maldito o homem que confia no homem, e põe na carne toda a sua esperança» dizia Jeremias, mas «feliz quem põe a sua esperança no Senhor», porque esse é como uma árvore plantada à beira da água, e que estende as suas raízes para a corrente. Por nós, o nosso valor seria imensamente pequeno, mas porque Cristo ressuscitou, também nós seremos capazes de por nele a nossa esperança, não apenas para a vida presente, mas sempre.
No tempo de Jesus, a situação em que vivia aquele povo não era melhor. E Jesus não tinha qualquer poder político nem religioso para a transformar, apenas tinha a força da sua palavra. Que ia espalhando, conforme a leitura de Lucas nos tem vindo a sugerir, a quantos o ouviam. Hoje àqueles que o ouviam Jesus grita claramente que a lógica que corre por aí, não é a lógica de Deus. É preciso aceitar perder para ganhar. Perante a situação daquelas gentes Jesus proclama-os «felizes». Aos que nada têm, eventualmente por verem as suas terras e posses sucumbir diante dos poderosos, diz-lhes que deles é o Reino dos Céus. Perante a fome de tantos homens, mulheres e crianças, embora agora tenham fome e sede Jesus promete que hão-de ser saciados. A quantos choram, porventura com a raiva de não poderem defender o melhor das suas colheitas cujos cobradores de impostos lhe arrancam, Jesus diz que hão-de rir. Não será mais uma brincadeira? Um gozo, ou cinismo? Se Jesus lhes falasse de um palácio talvez. Mas Jesus está com eles. Não leva dinheiro, caminha descalço e não leva duas túnicas. É mais um desses pobres, mas que lhes fala com fé e totalmente convicto. Os pobres entendem-no. Sabem que podem acreditar nas suas palavras. Não são ditosos pela sua pobreza, nem pouco mais ou menos. A sua miséria não é um estado de vida invejável, nem um ideal. São bem-aventurados porque Deus está do seu lado. O seu sofrimento e as suas contrariedades não durarão para sempre. Deus há-de fazer-lhes justiça. Jesus é realista. Sabe que as suas palavras não significam o final imediato da fome, das injustiças, ou de perseguições de todos os que são chamados «pobres». Mas o mundo precisa de saber que esses também são filhos de Deus, que são os seus filhos predilectos, a sua dignidade não é uma utopia, a sua vida é mesmo sagrada. Num mundo injusto, o que Jesus quer deixar bem claro é que os que não interessam a ninguém, esses são os que mais interessam a Deus; os que nós colocamos à margem, são os que ocupam um lugar privilegiado no coração de Deus; a quantos parecem indefesos e orfãos neste mundo, têm-no a Ele como Pai. Nele está a fonte da nossa esperança.
Nós, os que vivemos acomodados na sociedade da abundância, neste primeiro mundo, não temos o direito de pregar a ninguém as bem-aventuranças de Jesus. A nossa tarefa é antes escutá-las e começar a olhar para os pobres, os famintos, os que choram, os que colocamos à margem, como os olha Deus. A partir daí poderá germinar a conversão que o tempo da quaresma, que vamos iniciar, nos sugere, e cada um de nós poderá ser essa árvore plantada à beira da água, cuja folhagem, as nossas obras, não murcha, porque têm a Deus como origem, e mesmo em ano de estio, num mundo onde Cristo parece ter desaparecido, os nossos frutos continuarão a ter o sabor da Sua presença, isto é a dizer que Ele está connosco, que Ele nunca nos abandonou, que a nossa vida é testemunho da Sua esperança, que somos profetas que Ele envia a anunciar o Seu amor por nós.
30 janeiro 2010
Charitas Christi urget nos...
No domingo passado Jesus era-nos apresentado como o Cristo, o ungido por Deus para anunciar a boa nova aos pobres, a libertação aos cativos, para proclamar o tempo favorável do nosso Deus. Esta escolha, como a de cada um de nós, que pelo Baptismo somos sacerdotes, profetas e reis em Jesus Cristo, aconteceu «antes de sermos formados no ventre materno», isto é, desde sempre. É o Senhor quem nos faz anunciar «o que Ele nos ordenar». O profeta por excelência, à imagem do qual somos profetas é o próprio Jesus Cristo, à luz do qual entendemos estas palavras do profeta Jeremias. E como Jeremias, como Jesus, como Paulo, somos enviados a anunciar um caminho de perfeição que ultrapassa tudo. Mas desde logo Jesus nos previne: «nenhum profeta é bem recebido na sua própria terra». E dá dois exemplos. Elias e Eliseu. O simples facto de recordar acontecimentos passados, para fazer perceber o presente, desperta a fúria dos ouvintes de Jesus. E este Jesus que Deus envia ao Seu Povo, este menino que há pouco contemplava-mos como dom de Deus para nós, é agora homem, que é expulso para fora da cidade. Já tinha nascido fora, mas para que não restassem dúvidas, até da sua própria terra foi expulso. Levado para fora da cidade. Não foi a primeira e não foi a última. Desde já Lucas prefigura qual o desfecho deste caminho que Jesus segue. Será também fora da cidade que há-de ser crucificado e sepultado. Não demorou muito a que Deus fosse rejeitado pelos homens. Se bem que todos se admiravam das suas palavras, todos são novamente os que ficam furiosos. O Profeta, aquele que não se anuncia a si mesmo, mas à Palavra de Deus, não é compreendido imediatamente. E pese embora o seu anúncio de libertação, de salvação, que inicialmente atrai, bem depressa se converte em escândalo para os seus ouvintes. Foi assim com Jesus, Ele próprio nos disse que haveria de ser assim connosco. Porém Jesus não desistiu de anunciar esse caminho de perfeição que ultrapassa tudo. E a nós também nos deve mover a caridade de Cristo. Porque é essa mesma a que dá sentido a tudo o que dizemos e fazemos. Pouco importa falarmos línguas, dos homens ou dos anjos, das coisas da nossa realidade, ou da vida que esperamos, sem caridade. Porque seremos sempre aparentemente robustos, e na realidade ocos, vazios. De nada nos serve anunciar, ou porventura ter grandes conhecimentos, ou até termos fé, porque sem caridade, sem o mesmo amor que Deus nos manifestou em Cristo Jesus, nada somos. Mas essa caridade não é apenas a que brota do exterior, que até nos pode levar a dar tudo o que temos, mesmo anulando quem somos. A nossa caridade tem de ser a de Jesus Cristo: paciente, benigna, alegre com a verdade, pronta a desculpar tudo, a tudo crer, tudo esperar, tudo suportar. Então ela não acabará nunca. E mais ou menos perfeita, à Luz Daquele que é perfeito, todas as imperfeições serão purificadas. E quando Ele quiser também nós conheceremos como somos conhecidos. Antes, porém, temos de tomar consciência de que somos comunidade profética, para anunciarmos como Jesus a Palavra do Pai, servirmos à libertação dos pobres e marginalizados aqui e agora. E então poderemos dizer «vi Aquele que me vê», porque o seu amor bondoso e o seu perdão misericordioso em nós mostraram outro: Jesus. Diante de todos, se assim procedermos, é Deus quem nos coloca: poderão combater contra nós, como fizeram com Jesus, mas não poderão vencer-nos porque Deus está connosco para nos salvar. E esse é um caminho de perfeição que ultrapassa tudo. O amor é a profecia que por excelência temos de anunciar, mais ainda, é a palavra que se faz caminho a seguir. Jesus passou pelo meio deles e seguiu o seu caminho. Hoje de novo passa pelo meio de nós. E nós, estaremos decididos a seguir o Seu caminho?
28 janeiro 2010
Os dias que correm
20 janeiro 2010
Uma pausa nos dias que correm... para rezar!
como caminhaste com os dois que viajavam pela estrada de Emaús,
vem conosco em nossa jornada de fé.
Nos encontros que tivermos pelo caminho,
dá-nos compaixão para ouvir a história do outro,
paciência para explicar o que pode parecer óbvio para nós,
e a coragem para nos tornarmos vulneráveis,
para que outros possam encontrar-te através de nós
e nos possamos redescobrir-te através deles.
Amén.
(Lindsey Sanderson, subsídios da Escócia para a Semana da Unidade dos Cristãos, disponíveis em vatican.va)
06 janeiro 2010
Novo diário (1) Ano novo, a mesma vida
Ano novo, a mesma vida, nova tentativa de escrever este post, sem que o computador vá abaixo… Hoje foi dia de retomar o trabalho. Não porque o tivesse deixado, mas porque estive ocupado com outros trabalhos. Também não foram férias, à parte de não haver aulas para preparar, nem aulas para dar. Fiquei contente por ter terminado um trabalho que comecei em um ano e seis meses atrás. Quem dera já não ter de lhe voltar a tomar o sabor, mas claro, falta o ponto final. Porém nem só de retomas de aulas foi o dia. Antes disso já tinha retomado a estrada, as curvas, os telefonemas durante o caminho, o cumprimento do código da estrada, prudentemente verificado por duas brigadas que me saudaram… Andei pela primeira vez a pé sozinho numa distância mais considerável, cá nas bandas, e senti o frio do tempo, na cara, o calor das pessoas que encontrei, no coração, e o céu a ameaçar neve, que agora se veio revelar zangada connosco, ou mais vulgarmente, que foi comida pelo nevoeiro.
Também foi uma oportunidade para rever o horário e plano de vida. Sim, um verdadeiro documento ‘gráfico’ onde tenho distribuídos tempos, momentos, e formas de andar p’ra frente… Deu-me o riso com alguns dos meus objectivos, e atrevo-me a partilhá-los. O primeiro é o cumprimento diário do horário e plano semanal. Diariamente é suposto seguir uma catrefada de planos, marcações e coisas do género. Para uma ideia mordaz da questão diariamente tenho cerca de 9h atribuídas a um possível sono, 7h30 para trabalho, estudo e coisas afins, 3h de oração litúrgica e pessoal, e 4h30m para refeições, higiene e tempo livre… ainda estou para fazer o gráfico! Sim, o rapaz é afinado. Não fosse o segundo propósito/compromisso que quero partilhar convosco: esquecer o horário e compromissos um dia, uma vez por semana. Realmente, tanto trabalho, tanta planificação para no fim de contas chegarmos a isto. Não estou a brincar nem convosco, nem comigo. Explico: não posso deixar que um pedaço de papel, ou meia dúzia de folhas controlem a minha vida. Não sou escravo da planificação. E antes que lhe prometa fidelidade inviolável, vale mais deixar já claro que há um ponto de fuga. Só uma vez por semana. Outra vez por semana quero desligar-me do telemóvel e outros meios de comunicação afins, tipo, vulgo, internet. E depois a seguir queixar-me e ouvir as queixas dos meus amigos e amigas que dizem: mas olha lá, ainda és vivo? ‘tás mesmo no fim do mundo, nem o telemóvel atendes!!! Para que te mando eu mail’s? ou esta mais engraçada: quando precisares depois eu cá estou! Mudando de ritmo, uma vez por mês, quero fazer um passeio. Sem mais nada, sem nenhum objectivo concreto, ao sabor do tempo e das rodas do carro. Estejam atentos à estrada, quem sabe não apareço diante de vós, ou desviem-se, quem sabe não tenho tempo de travar!!! Esta é mesmo de rir, mas quero cumpri-la a sério, como pessoa séria e empenhada no meu bem-estar: uma manhã de desporto por semana… Depois há os propósitos de leitura e escrita. Ao menos um livro por mês e andar sempre com um caderno para alimentar as linhas de poesia que de vez em quando me lembro. Tantas vezes hei-de lançar olhares em verso, que certo dia algum há-de ser perfeito. Também quero actualizar mais vezes este blog, no mínimo duas vezes por mês.
Até parecia mal se não falasse do acontecimento que hoje marca o dia. Cá no sítio, idosos e crianças vieram encontrar-se com o menino Jesus no presépio. Como nesse tal acontecimento, estes reis trouxeram-lhe presentes. Até se ouviu um balido inocente de um cordeiro negro ao colo de um actuante pastor. E Jesus voltou de novo a manifestar-se a todos os povos como a Salvação de Deus. Já pela manhã tinha dito a pequenos e não tão pequenos quais eram os presentes que os do Oriente tinham ofertado ao menino Jesus. Ouro, incenso e mirra. E expliquei: hoje cabe-nos a nós oferecer-Lhe a mirra de sermos verdadeiras imagens de Deus, homens e mulheres criados como Ele nos quis (por vezes custa tanto aceitar isto, e vê-se cada coisa…); o nosso incenso é sermos capazes de ouvir Deus que nos quer falar, e falarmos com Ele, aquilo a que chamamos oração; e o ouro… esse teve várias tentativas de definição, mas eu sugiro uma própria: oferecermos-lhe a nossa vontade, afinal é essa mesmo que Deus precisa para fazer em nós maravilhas.
Resta dormir e esperar que amanhã seja outro dia assim: frio, quente, nevoeiro, luz, sombras, planos, viagens, conversas, aulas, reis, negros cordeiros, ouro, incenso e mirra. Amén.
03 dezembro 2009
Louco?! [2]
Andei a revisitar os textos do meu blog, e apesar de outros textos mais próprios de advento, sabe bem reler este. A mim soube. Porque só um Deus enlouquecido de Amor pelo Homem pode continuar a vir ao seu encontro. Porque só um ser humano que enlouqueça de amor por Deus pode deixar-se ir ao seu encontro sem temer o quando. Em 7 de Maio de 2007 dizia assim um post:
«...Vácuo imóvel e mudo! Necessidade fria e eterna! Destino louco! Que sós estão na ampla necrópole do universo. E eu também estou só, só comigo mesmo. Ó Pai, onde está o teu peito infinito para poder reclinar-me nele?...» (o Homem louco - texto adapt. de Jean Paul, filósofo ateu francês - Excerto do Teatro "Deus Morreu?!", apresentado pelo S M G)
Por vezes a personagem que encarnei sou eu mesmo, em cada dia. Também tenho dias em que me sinto só. Só, comigo mesmo. Só, no meio do mundo. Só, na presença de Deus. Mas só. Que raio de vida. De facto, que destino - entenda-se vida - louco! Quanto de só, de vácuo, de imóvel e mudo tem por vezes o meu interior. Quisera tantas vezes dar largas a todo o turbilhão de sentimentos que pululam bem dentro de mim. Mas não. Calo e não digo. Penso mas não faço. Engulo mas não deixo transparecer. Pergunto-me tantas vezes se Seguir Cristo também é isto.
Não olho para tudo como uma ampla necrópole, tudo à espera de uma purificação pela morte, e num momento futuro é que tudo há-de ganhar sentido. Deus há-de ser tudo em todos, sim. Mas a criação é obra Sua. E não creio que esta seja uma imensa cidade de mortos, onde as diversas cores deixam adivinhar a alegria do que é estar ainda do lado de cá. Mas porque há-de ser tudo assim? Porque não havemos de poder dizer tudo quanto nos vai na alma? Diz o salmista, "agora porém gritarei como aquela que dá à luz, desafogarei todo o meu ardor". e GRITO. E gritarei. Não sei se seguir Cristo é também isto. De certo é abandonar-se à Sua vontade e acreditar que nenhuma dificuldade é maior do que Ele. Quando nos sentimos sós, e comigo muitas vezes felizmente acontece, depois de algum modo Ele (Se) me faz sentir bem perto.
Louco?! Sim, bastante pois não é fácil que muitos vejam sensatez na adesão a Alguém que deu tudo sem esperar nada em troca, e que quer que façamos o mesmo. Não seremos salvos de certeza pela grandeza dos nossos méritos, mas pelo Amor infinito e omnipotente que Deus nos manifestou no Seu Filho. Louco Ele, insensato aos olhos do mundo. Mas não encontrou Ele descanso no peito infinito do Pai? Não foi Ele ressuscitado como Aquele a quem o Pai disse "o meu amor por ti quer dizer Tu-não-morrerás" (G. Marcel)?!
Sabe bem ser louco, insensato aos olhos do mundo. Perder comigo mesmo o sentido das coisas. É uma necessidade fria, e eterna enquanto houver humanidade, esta de procurar um sentido. Mas é quando o perco que logo aí me consigo voltar a encontrar... Há males que vêm por bem.
O dia termina. Amanhã levantar-se-á o Sol da Justiça. Termino com uma prece. Permite-me ó Pai, encontrar o teu peito infinito para poder reclinar nele a minha cabeça e encontrar em Teus braços a força que hoje me falta.
04 novembro 2009
Assumir a Cruz
Daquele que assim proceder, diz o salmo «O seu coração é inabalável, nada teme». Esse põe a sua confiança no Senhor, coloca nele a sua justiça, ama os seus preceitos, sabe que não deve fazer mal ao seu próximo.
É claro que é bem mais fácil dizer do que fazer. Mas as palavras de Jesus no Evangelho de hoje iluminam-nos mesmo assim: «Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo». Quiseramos que fosse mais fácil, quiseramos que tudo isto fosse possível sem cruz. Mas Jesus desafia-nos, como temos vindo a escutar no Evangelho dos domingos precedentes, a segui-Lo pelo seu caminho. Um caminho que conduz a Jerusalém, que passa pela cruz. Um caminho que só teremos seguido verdadeiramente se assumir-mos também a nossa cruz.
Pela fé acreditamos que este caminho não termina na cruz. Pela fé sabemos que o de Jesus não terminou na cruz. Pela fé esperamos que também o nosso há-de terminar com um começo: a noite da dor do Filho único de Deus, abre-se à luz pascal, e por isso hoje estamos aqui a implorar para este nosso irmão, cuja vida passou do meio de nós, o dom de Deus, o dom da vida eterna. Que o Senhor, bom Pastor, que nos faz caminhar em prados verdejantes, a quem temos por apoio, que prepara para nós a mesa e o cálice, mesmo diante dos nossos problemas, nos ensine a todos o caminho da vida, para que a seu lado, como hoje imploramos para o nosso irmão, vivamos, um dia, na plenitude Sua da alegria.
19 setembro 2009
O Senhor sustenta a minha vida (partilha)
Na primeira leitura do livro da Sabedoria, de acordo com o seu estilo, quer-nos fazer compreender uma lição essencial: a incompatibilidade entre os dois modos de vida, gerando dificuldades inevitáveis para o que quer viver segundo a Lei de Deus. A leitura de hoje não pode ser isolada do contexto e até do capítulo em que se integra cuja mensagem essencial é «Deus não quer a morte, a justiça é imortal». Pelo seu modo de vida, pela lembrança das suas convicções, o justo torna-se para os ímpios uma censura permanente. Daí a atitude dos ímpios: a melhor maneira para se tranquilizarem é eliminá-lo. Na Paixão de Cristo isto deixa de ser apenas uma lição de moral, para se converter numa realidade inscrita no coração da história humana. Não se tratam apenas de aspectos materiais: ultrajes, tormentos, condenação à morte… São também todos os acontecimentos que, pouco a pouco, se vão acumulando no decorrer dos factos. A Paixão dele é de facto a paixão do justo que nos descreve o livro da Sabedoria. Junto à cruz evoca-se isto mesmo, quando, na narração de Lucas, o centurião que O trespassa exclama «de facto, este homem era um justo». Nouvelle du salut annoncée aux hommes par JésusAttitude qui incite à l'indulgence et au pardon.
Tudo isto nos diz respeito. E de que maneira. A carta de S. Tiago retoma estas duas formas de vida: a da justiça em Cristo Jesus, e a que, independentemente das aparências, será o reverso da medalha, fonte de conflitos e da morte. «Cobiçais e nada conseguis: então assassinais. Sois invejosos e não podeis obter nada: então entrais em conflitos e guerras. Nada tendes, porque nada pedis.» É uma passagem realista. De facto somos nós, homens e mulheres, que destruímos, e que criamos os sofrimentos, as desigualdades, as guerras. «Pedis e não recebeis, porque pedis mal, pois o que pedis é para satisfazer as vossas paixões.» Ao contrário, a Sabedoria que vem de Deus e antes de mais rectidão, e consequentemente, paz fecunda. «Ela dá o seu fruto aos que fazem a paz.» Diz uma passagem do sermão da Montanha: «Felizes os que fazem a paz, porque serão chamados Filhos de Deus». Cabe-nos então a nós acolher o Filho do Homem, em toda a sua verdade e realidade, que inclui a sua paixão e morte, para partilharmos na Ressurreição a vida divina Daquele que no-la enviou. A explicação dada aos apóstolos, por Jesus no Evangelho, quer iluminar a sua incompreensão que não é senão um reflexo da impiedade que a todos nos habita. O silêncio no qual eles se fecham vem do medo que têm em Lhe perguntar o sentido daquilo que o Mestre afirmara.
A realidade e a proposta que Jesus nos apresenta são diferentes daquelas que poderia vislumbrar o autor do livro da Sabedoria, algumas dezenas de anos antes. Jesus é rejeitado por outros motivos. Em primeiro lugar por ser um incómodo, por trazer ao de cima a verdade. Uma verdade que faz tremer o círculo em que se fechara o ímpio. «A verdade vos fará livres». Depois, ele não é apenas um justo no meio dos justos, com uma personalidade interessante. Também não é apenas a consciência dos que andam dispersos. Como Messias, Ele é provocante de outra forma. Reune o Povo de Deus sobre o próprio Deus. Os seus adversários não são ingénuos quando o apresentam a Pilatos como alguém que ameaça a autoridade civil, embora ele não lhe encontrasse qualquer culpa, e soubesse que não era esse o motivo pelo qual o queriam condenar. Mas o medo de uns e de outros gera a condenação à morte. A pretensão de Jesus é mais radical que uma pretensão política ou social, qualquer que seja. Ele não é apenas um filho como todos os membros do povo de Deus. Ele é o Filho, o Único. E isto é que os que estavam acomodados à ordem estabelecida não podiam tolerar. A questão central é simplesmente esta: «Diz-nos, pelo Deus vivo, és tu o Cristo-Messias, o Filho de Deus?» «Deus chamou-nos por meio do Evangelho, para alcançarmos a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.» Se no fim, é Deus quem nos acolhe, é preciso já, acolhermos, nós, Aquele que Ele enviou. Pelo exemplo de Jesus, que toma nos seus braços uma criança, como sinal deste acolhimento, Ele quer-nos recordar que temos de acolhê-LO, nos mais pequenos, não apenas as crianças, mas nos pequenos aos olhos do mundo, mas afinal em quem Ele vem ao nosso encontro: em quem quer que se encontre na miséria, na pobreza, na fome, na solidão.
Falando em quem vem ao nosso encontro, esperais naturalmente que vos diga quem sou, e alguma coisa do que fiz e do que farei no meio de vós. Peço a vossa boa-vontade para escutardes. Quiseram chamar-me Rui ainda antes de ter nascido prematuro a 6 de Junho de 1986 na maternidade do Penedo da Saudade, em Coimbra. Filho mais novo da família, sou natural do Penedo da Sé, paróquia do Marmeleiro, concelho da Guarda, paróquia onde me baptizaram a 10 de Agosto do mesmo ano, e onde faria a caminhada normal de catequese, sacramentos, escola primária, até em Setembro de 1995 iniciar a caminhada de Seminário, no menor da nossa diocese, no Fundão. Entrei para o Seminário movido pelo exemplo do meu pároco, entretanto falecido, mas de que me marcou profundamente na minha imagem do sacerdócio. No Fundão passei os 5 anos do ensino básico. Em 2000 transitei para o Seminário Maior, na Guarda, onde fiz o ensino secundário e os dois primeiros anos do Curso de Teologia. Em 2005 interrompi o percurso de seminário, para ir frequentar o 3º ano do curso de licenciatura em Teologia na Faculdade de Teologia da UCP – Porto, onde transitaria para o Mestrado Integrado em Teologia. Regressei à Diocese em Setembro de 2006, a partir de quando comecei um semestre de trabalho pastoral, de acordo com as orientações do Senhor Bispo e do Reitor do Seminário, em três locais distintos: as Paróquias da Guarda (Sé e S. Vicente), confiadas aos Rev.dos Padres António Moiteiro e José Dionísio; a Equipa de Pastoral da Casa de Saude Bento Menni, sob a direcção da Ir. Alice Roseiro; e na Cáritas Diocesana. No 2º semestre desse ano lectivo recomecei as aulas no ISTBD, em Viseu, a frequentar o 4º ano de Teologia, onde estive até ao mês de Junho passado. Pastoralmente passei, mais tarde, a colaborar com o Pe. António Morais, em Gouveia, Folgosinho, Nabais, Freixo da Serra em 2007/2008, e no último ano também em Melo, até Julho passado. Em 2008/09 frequentei o Ano pastoral no mesmo instituto, acumulando a frequência do Mestrado na Faculdade de Teologia da UCP-Braga, onde sob a orientação do Prof. Doutor João Duque, me encontro ainda a realizar a tese sob o tema «o discurso sobre Deus na Teologia feminista de E. Johnson». Recebi no dia 8 de Dezembro o ministério de Leitor, e em 27 de Junho o ministério de Acólito.
Em Julho deste ano o Senhor Bispo pediu-me que realizasse o estágio pastoral junto do Pe. João Barroso, nas cinco comunidades paroquiais que lhe estão confiadas e no Dep D. Infância e Adolescência do SDEC. Entre outros serviços que o senhor padre ainda me há-de pedir, ocupam-me o tempo as aulas de EMRC na Escola EB2/3 de Loriga, e a organização da catequese paroquial. Encontro-me portanto num percurso em ordem ao sacerdócio, ao qual desde cedo me senti chamado, e que se Deus quiser hei-de abraçar num futuro não muito distante. Quisera servir-me das palavras do Evangelho de hoje, que é bastante sugestivo, no que diz respeito a como me apresento no meio de vós: apresento-me como o último de entre vós, e o servo de todos. Ajudai-me a caminhar, sobretudo com a vossa oração. Quem quer seguir Jesus tem de mudar a mentalidade, os esquemas de pensamento, os valores egoístas e abrir o coração à vontade de Deus, às propostas de Deus, aos desafios de Deus. Para poder exclamar com o salmista : “O Senhor sustenta a minha vida”. Mais do que um desafio que coloco a mim mesmo, é o desafio que a palavra de Deus hoje nos deixa a todos. Saibamos nós, de coração agradecido, deixar que o Senhor seja o sustento da nossa vida.
24 julho 2009
Afinal ele está connosco!
O Homem acompanha Deus. Jesus revela-nos o verdadeiro rosto de Deus, que através do seu Filho alimenta a multidão. Mas Deus requer a participação do homem. Espera de nós que sejamos sinceros e demos o que temos. Tem necessidade da nossa ajuda, mesmo se for insignificante, mas sincera. Não pode, ou não quer, fazer o milagre a partir do nada. «Um rapaz, cinco pães e dois peixes». Nem sequer é a partir da fé dos apóstolos. Deus nem nos substitui, nem se substitui a nós. Confia-nos a tarefa de fazer acreditar e multiplicar os seus próprios dons que se tornam assim dons nossos. Acabamos por reconhecer ao mesmo tempo os nossos limites, mas também a nossa grandeza em colaborarmos com a nossa acção na obra de Deus. Assim aconteceu com Eliseu na 1ª leitura que diz ao servo para alimentar as gentes, mesmo se eram poucos pães para tanta gente. Mas cumpriu-se o que o Senhor disse: comerão e ainda há-de sobrar. E assim foi. Mas também nós hoje podemos fazer o mesmo: em vez de procurar culpar Deus pelo mal que há no mundo, dar-mos as nossas mãos pelas grandes causas, como pelas pequenas. Ajudando quem sofre longe, ou perto, mesmo ao nosso lado. Dando do nosso pão e dos nossos peixes. O milagre é tarefa de Deus, mas também passa pelas nossas mãos. E porque muito amámos muito nos será perdoado.
Deus acompanha-nos. Quando ficaram saciados, quando o milagre se tinha realizado, a multidão espantada, reflecte no que tinha acontecido. Não pensa nos doze cestos que sobram, e no que quereria dizer isso, nem no número dos pães e dos peixes. A conclusão foi mais transcendente e ao mesmo tempo a mais normal: «Este era na verdade o profeta que estava para vir ao mundo». Então Jesus retira-se. Ele sabe que o queriam reter, que o queriam fazer rei. E retira-se porque não quer que nos detenhamos no milagre materialmente falando: muito pão, mais que o necessário, sem dinheiro. Nem noutra qualquer significação espiritual que não seja a de quem descobre o Coração do próprio Deus, que nos ama e sabe que nós, homens e mulheres, também hoje neste tempo, não vivemos só de pão. Por isso é que antes de alimentar a multidão, os instrui longamente. E depois retira-se sozinho, para o monte. Parece que tudo termina. Jesus não veio resolver a fome do mundo, nem naquele tempo, nem neste. Mesmo que ele tenha matado a fome àqueles, e hoje a nós, espiritualmente falando, somos nós, homens e mulheres, que temos de matar a fome aos nossos irmãos que sofrem. Veio para nos lembrar o essencial: «vinde e vede». Não é por causa dos pães e dos peixes que temos de O seguir. É pela Palavra que ele nos dá. A mesma que Ele foi enviado a anunciar, a mesma que hoje nos diz. E que somos de novo chamados a anunciar. A nossa vocação, como nos recorda Paulo, é a de sermos chamados a uma só esperança: Ele que está perto de quantos o invocam (Salmo), um só Deus e Pai de todos, que embora estando acima de todos, actua em todos, e em todos se encontra.
O Senhor nos torne conscientes de tudo isto e nos mova o coração, e os braços, para sermos hoje o milagre de Deus no meio do mundo, que de novo quer saciar todos os homens e mulheres com o Pão da vida, Jesus Cristo, a Palavra de Deus ao mundo em que vivemos, que nos garante que Deus não nos abandona, antes nos acompanha, ao ponto de dar a vida por nós. Ámen.

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