Começamos a existir Naquele Sonho que faz realidade todos os outros, derramando o Seu amor, através do amor de dois seres humanos, e, no milagre da vida, descobri-mo-nos capazes de pensar, de amar, de chorar, mas também de sorrir. Misturando este sonho, agitado pela vida, assim pensamos... e do pensar a letra se faz, e da Palavra se recomeça de novo, como na Origem.

25 maio 2006

Uma Pausa que nos transforma (V)


Há já algum tempo que não escrevo aqui. Será que também estou em pausa?! Não sei. Acho que estou meio perdido. Nem sei bem o que me leva a escrever aqui. Mas neste imenso mar, apetece-me também lançar a garrafa com a minha mensagem, esperando que vá parar a uma tal ilha ou praia perdida. Como se fosse o mapa do tesouro. E é-o de facto. É um mapa de mim próprio. Não sou lá grande tesouro. Mas na verdade não estou desprovido de alguma auto-estima e, como tal, acho que sou um pequeno tesouro. Este mapa é um mapa que me vai permitir deixar, a quem o vier a encontrar na praia, um mapa do meu coração.
Há dias fiz uma pequena releitura de um livro muito bom. O Principezinho de A. Saint-Exupery. O essencial é invisível aos olhos. Assim, neste mapa, o caminho está oculto. E roubo uma imagem desse livro. É como um desertoo, onde algo brilha sempre, por entre dunas, e onde um poço de água estará sempre escondido algures. Não se vê. Tem a sua beleza, o deserto. Mas precisamos do essencial, e é complicada a tarefa de encontrar esse poço. É tão bom quando encontramos aquele poço que o menino cabelos cor de ouro encontrou. Com tudo o que precisamos para tirar água. Esta água é diferente de todas as outras águas. Mata mais a sede que as outras. É aquela que ficou para sempre associada a sentimentos que marcarão, de agora para sempre, esse mesmo momento em que matámos essa sede. Também encontro muito que dizer acerca da flor, aquela rosa que o príncipe tinha no seu planeta. E quantas coisas lindas diria eu aqui se falasse da minha rosa. Apenas digo que é a mais bela de todas, é a única flor que de facto existe para mim, e eu para ela. O essencial é invisível aos olhos.
Mas deixo estas considerações preliminares. Falo agora de Pausa. Começou este blog por causa de uma pausa. Continuou com a pausa. Escrevi aqui alguns dos assuntos que me ocuparam as ideias ao longo de 8 meses. Espero é que não termine quando a pausa terminar. Essa pausa vai acabar.
Como é diferente o meu olhar sobre as coisas. Mas será que é diferente a maneira de (re)agir? A conclusão ainda não a posso tirar. Mas partilho alguns pontos de vista:
1. Uma pausa é sempre muito importante. Na nossa vida diária. Na nossa vida de estudo. Na nossa vida espiritual.
2. Ajuda-nos a situar. E se é verdade que "o Homem é um ser em situação", como é bom saber onde estamos situados. Situados num espaço, num tempo, por quem estamos rodeados.
3. Há laços que nos fortalecem. Há outros que se desfazem. Outros há onde não se mexe. Há ainda os que se constatam serem inexistentes.
4. Nas dificuldades crescemos. É como na canção: "perante o mar/ que te hei-de eu dizer/ olha, que tens de crescer". O mar estará sempre diante de nós. E nós por maiores que sejamos, nunca seremos maiores que o mar. Mas continuaremos, desafiados a crescer.
5. De que importa a desinquietação com os dias que hão-de vir. Quando o nosso sonho corresponde ao sonho de Deus para nós, não há que ficar inquieto. Esse sonho está seguro. Onde? Como? Em Deus. E aí está seguro, mais seguro que nada. Aliás aí. se aí está Deus, tudo está então seguro no mais pleno sentido.
6. "O essencial é invisível aos olhos", é apenas visível ao coração. E isto não é poesia. Precisamos de tempo para aprender. Para aprender a verdadeira mudança do coração, que nos levará toda a vida. Assim uma pausa permite reforçar confiança. Ganhar força e coragem para uma caminhada.
7. A novidade que todos os dias se nos mostra é a mais antiga, aquela que é sempre nova. "Ó Beleza tão antiga e tão nova".
8. Na nossa vida Ele está tão presente, que mesmo quando lhe viramos as costas, Ele usa as suas habilidades de equilibrista para fazer todos os saltos mortais que forem necessários até ficar frente a frente connosco.
9. Até para nos conhecermos a nós próprios é necessário um mapa. Esse mapa constrói-se, como nós, todos os dias. As indicações de rumo podem vir de fora. Mas só por dentro é que podem ser comprovadas e seguidas.
10. É o momento, como agora o será e o foi todos os dias, de dizer qual é o caminho. Preparar os Seus caminhos. Ser como o leito de um rio, onde a água passa, mas chega ao mar.
Obrigado a todos aqueles que durante um ano me ajudaram tanto A pausa termina. O caminho está à frente e está atrás. Nunca será agora direito. Quero que tenha Um Sentido Único. Mas sei que teve curvas, e quantas pedras. Sei que essas dificuldades de caminhante não deixarão de me acompanhar, a nãos er que deixa de caminhar.
Mas quero estar sempre a caminho. Até que termine um dia na meta que passa para lá do tempo, para lá do espaço, par lá do nosso entendimento.
Faz de mim um caminhante.
Nunca me deixes largar o cajado e o alforge;
nem as sandálias. Caminharei sem nada
se for preciso. Mas deixa-me caminhar.
Sei que és O caminho.
Sei que comigo fazes caminho.
Sei que por mim fazes o caminho.
(Já o fizeste há dois mil anos atrás)
Sei que me levarás ao colo se disso necessitar.
Sei que caído me levantarás.
Sei que com sede serás água viva.
Sei que nos dias escuros serás o sol.
Sei que és o Eterno Viandante.
Sei que nas noites serás luz.
Sei que nos dias belos serás a brisa.
Na tormenta serás abrigo.
Sob o sol ardente serás sombra.
Foste origem. Serás meta.
És motivo. Serás causa.
De Ti recebi a vida. Nas Tuas mãos a coloco.
"Sei que vai raiar a madrugada
e não me deixarás abandonado".

05 abril 2006

Stat crux, dum volvitur orbis...


Às voltas... às voltas... nunca sabemos muito bem o que permanece... as coisas mudam... nós próprios mudamos... só Deus é que não muda...

29 março 2006

Uma Pausa que nos transforma (cont.)


Está-se mesmo a ver que a vida não é como nós queremos... temos de tomar decisões... de fazer escolhas... de tentarmos ser o mais possivel rectos e correctos naquilo que fazemos. Está em nós pensar estas coisas boas... a minha dúvida reside na questão fulcral e central se não conseguiremos nós passar do pensamento ao acto. É muito fácil de criticar, de sermos impiedosos para os outros, ou justificar-mo-nos mesmo dizendo: estou apenas a ser justo... Será?! Começo a aprender e a realizar na minha propria vida que este nosso, e digo também meu, conceito de fazer justiça... é tão pobre... é que está até desviado do significado da palavra, é luz de Deus... Tornar justo... Quem nos justifica em sentido último e definitivo é Deus, e fá-lo gratuitamente... ora porque é que nós temos de colocar preços nas coisas?! Não é que se possa comprar a justiça... pelo menos esta de que falo... mas podemos tantas vezes vender a injustiça de forma gratuita... com o nosso agir... com o nosso coração... até querendo ser justos... O desafio é sermos diferentes, penso eu. Mas é tão complicado chegar a um momento de análise e ver que não fomos... aí a sensação de fracasso é total... sentimos o desânimo e a frustração...
A sensação de impotência, de fracasso... uma sensação de desilusão invade-nos a alma... e deixa-nos como que vazios, com um só pensamento: sonhei, sonhei e nada... de tudo o que fiz, nada vale nada. Foi bem feito, mal, ou não adequado... de nada valeu.... Então o que nos faz mudar? Não sei... não creio que seja uma pausa... também não creio que seja o tempo... Nós proprios sozinhos também não... Então?! Olha... alguma Força Outra que nos consiga demover das nossas falhas, dos nossos fracassos, das nossas frustrações, de tantas e tantas vezes que fazemos mal o que queriamos fazer bem. "Se nunca tentaste, não conseguirás".

28 fevereiro 2006

Viver no meio de tudo, como se tudo fosse nada, e apenas haja um Tudo...

Começa um periodo em que gostaria de ter um lema, precisamente aquele que dá titulo a este post: viver no meio de tudo como se tudo fosse nada, e haja apenas um Tudo. Será difícil?! A ver vamos... Na vida nada é fácil... e tudo o que se constroi, é com esforço e dedicação pessoal. A verdadeira renúncia é a tantas coisas que na nossa vida por vezes estão fora de sítio e que não conseguimos de modo nenhum colocar para fora, quando é necessário, ou arrumar...
Se na vida as coisas se conseguissem sem esforço era melhor, mas também não sei se teriam o mesmo gosto... em todo o caso, estou cansado e farto... nem de nada, nem de tudo... mas cansado... a precisar de caldos de galinha e cautelas... Enfim... de repouso de tudo isto... da vida... quem sabe estando congelado... ou ausente da realidade... não é nada fácil encarar o dia a dia com pessimismo ou amargura, vale mais deitar tudo para trás das costas e colocar tudo nas mãos de Deus. Afinal somos notas de uma melodia da eternidade que Deus compõe cada dia... Outra vez continuo...

14 fevereiro 2006

E vai de roda...

Isto é indecente, tamanha provocação!!! Mas fui desafiado por um amigo, numa de passar "a batata quente", a denunciar aqui os meus cinco maiores vícios. Desafio aceite.

1- pastilhas trident. Ando sempre com pastilhas, até nas aulas. só na igreja é que não.

2- telemóvel. chamadas que duram horas, mensagens a toda a hora, "always-on-touch" :)

3- compras. seja roupa, seja comida, seja... compras?! dinheiro para gastar?! é comigo...

4- a conduzir não tolero ser ultrapassado, sobretudo por um carro "inferior" ao meu

5- comer chocolate... quando estou mais em baixo tenho de "apanhar" uma overdose de chodolate...

E agora?! Quem será desafiado?! estejam atentos ;)

13 fevereiro 2006

Segunda-feira, Semana VI do Tempo Comum


Ele é o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Ele. Na provação recorramos a Ele, para que tudo possamos compreender, uma vez que dele nos vem a verdadeira sabedoria, que com fé aqui vimos pedir.

Uma pausa que nos transforma (III)

Será que só por estarmos a fazer uma pausa ficamos transformados?! Não me parece... A vontade de mudar tem de estar também presente. Pode chover torrencialmente mas se a terra não for permeável a essa água... de nada serve porque nunca seremos capazes de ver as flores germinar... Pode acontecer ainda o contrário... a terra estar tão ensopada que já tanto dá chover, como não... a semente apodreceu, e não deu, nem vai dar fruto, até que a terra esteja mais seca e de novo ela seja lançada à terra. Pessoalmente não sei em que situação me classificar... Mas acho que neste momento preciso deste tempo árido que estou a passar. Na vida, alguém, parafraseando, disse com graça: só o que custa e doi vale a pena... Mas é bem verdade!!! Recordo ainda um conselho de outra pessoa, que há alguns anos atrás não compreendi, mas que agora alcanço: "não vos entregueis à mediocridade". E é verdade... um homem entregue à mediocridade não vale para nada... agora percebo... O futuro é incerto... muito sinceramente não sei o que me espera... mas uma coisa tenho aprendido, e obrigado ao professor que me ensinou: o respeito por nós próprios vale mais que tudo e mais ainda, há sacrifícios que valem a pena. Estou muito longe de dizer como ontem ouvi: "Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo". Mas continuo a correr... esquecendo o que fica, lanço-me na corrida daquilo que está para a frente... é assim... só assim tem sentido... não vale a pena tentar que seja de outra maneira... para mim só assim tem sentido. Sentido Único e que sinto como obrigatório. Quem me dera que tudo fosse vento, pó e que a água pudesse apagar tanta coisa.. mas não pode... aliás, ainda bem, que isso não acontece! As coisas que passam por nós, estou cada vez mais convencido, não são para esquecer. A vida é a melhor escola, pois bem... como eliminar dela os mestres, as aulas e os exames?! A alegria também vem depois da cruz... portanto, resta que saibamos viver o dia a dia nesta dinâmica... Mas quanto a mim, tentando de forma absolutamente insistente, em colocar a alegria, mesmo na cruz, tanto quanto seja possível. Um santo triste é um triste santo... qualquer pessoa triste ém uma triste pessoa. Nada é fácil... Mas naquilo que é difícil prova-se quem se torna forte pelas dificuldades que passa, mais que pelas facilidades...

01 fevereiro 2006

Ai os exames!!!!

No meio deste tempo infernal em que os exames nos ocupam o tempo, a mente, o pensamento, a massa cinzenta, o tempo de tomar até um café... ocupam-nos ainda o tempo de podermos escrever algumas coisas que pensamos... e ficamo-nos por ser meros seres animados pensantes, sem escrever o que nos vai cá dentro. Em breve, alguma paciencia e um novo semestre terá começado!!!

25 janeiro 2006

"Deus caritas est"

Depois de ter lido a primeira Encíclica do Papa, gostaria de convidar aqueles que tiverem tempo (ainda demora um bom bocado) a ler. Vale a pena!
A fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de
Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz —
fundamentalmente, a única — que ilumina incessantemente um mundo às escuras e
nos dá a coragem de viver e agir. O amor é possível, e nós somos capazes de o
praticar porque criados à imagem de Deus. Viver o amor e, deste modo, fazer
entrar a luz de Deus no mundo: tal é o convite que vos queria deixar com a
presente Encíclica.(n.º39)

Quem sabe um dia não chego lá?...


Os desencontros que a vida nos provoca e as constantes chatices às vezes deixam-nos "abananados", provocam a nossa estupefacção e deixam-nos assim... como um barco que navega sem rumo e ao qual as marés impelem, bem como os ventos... Não sei se convosco acontece o mesmo... mas, eu dou comigo muitas vezes a ir para onde nunca julguei ser possivel... não falo propriamente de locais, mas de atitudes... ou seja, é mais a fazer aquilo que nunca julguei fazer... ou então fazer e concluir que foi uma tremenda asneira... Dizemos que ao mal feito, já não há remédio... senão o bem que pudermos fazer para o remediar, digo eu! Não sou perfeito, tenho-o cada vez mais presente na minha vida... cada vez mais me confronto com a minha simplicidade. Diante dela, sou eu próprio que estou... sozinho, sem mais ninguém, sem mais farsas, sem mais coberturas... só nós, só eu... diante de mim: este sou eu. Acho que aqui é o lugar onde fica o "quarto" do nosso íntimo. Penso e repenso, mudo e volto a mudar, faço um propósito, desfaço outro... caminho e caio, caio e levanto-me, de novo tropeço e logo me magoa uma pedra qualquer do caminho... Também eu percorro o caminho que todos os dias me leva e trás... como é difícil assim andar... Hoje é um daqueles dias em que senti o peso da caminhada de uma forma especial... em que senti como uma flor pode murchar e morrer se não tratarmos dela, em que senti quão breve pode ser a alegria e em que vi que a nossa via, longe de ser um caminho recto, é um entrelaçado de encruzilhadas que vamos percorrendo... onde nos vamos perdendo e encontrando, onde vemos o sol, mas também onde sentimos o frio do gelo, a geada, a neve que por branca e macia que seja, se torna também fria... e muitas vezes mata a vida onde cai... mas também a protege... A nossa vida é um eterno paradoxo... (digo eterno, enquanto me refiro à limitação temporal da nossa vida neste 3º calhau a contar do Sol) Sinto-me bem, mas logo me sinto mal... que coisa complicada é a vida... às vezes assalta-me a dúvida (!!!) mas também o desalento... falta-me a força para caminhar... falta-me o ânimo, o sopro da vida... Mas apesar de tudo continuo a caminhar. Sinceramente não sei se estou a subir ou a descer... mas caminho. caminho porque não sei fazer outra coisa. Se as pedras do caminho me fazem tropeçar, logo as flores e a sombra que encontro me dão alento... se a poeira do caminho me suja e me consome de sede, a água das fontes sacia a minha sede e ajuda a lavar-me. Em tudo, mais que um fim está um principio, basta encarar-mos assim a nossa vida... mas... sim, bem sei que não é fácil... eu também nem sempre consigo... mas todos os dias tento. Havia um rapaz que, conta-se, treinava todos os dias para os jogos olímpicos, mas nem correr sabia direito... Um dia perguntaram-lhe: "para quê todo esse esforço se nunca irás às Olimpíadas?" ele respondeu: "talvez nunca consiga não sei sequer correr, mas tento todos os dias fazer o melhor que posso, quem sabe um dia não chego lá?... "

21 janeiro 2006

Onde Deus quer que eu esteja...

Um dia destes uma amiga mandou-me um mail com uma apresentação daquelas que tantas vezes circulam pela internet. Mais uma das que recebi... mas esta tocou-me especialmente:"Onde Deus me quer". Como é possivel que tantas vezes me esqueça que não estou sozinho. Deus está comigo, acompanha-me. O Seu interesse por nós começou muito cedo. O hagiógrafo anotou esta preocupação de Deus pelo Homem desde a criação, colocando na Sua "boca" uma pergunta que Ele nos faz todos os dias: "Onde estás?"...
E nós estamos... ocupados?! indisponíveis?! a tratar dos nossos problemas?!

Quantas vezes no meu caminho
sigo, assim, simples passageiro
E me sinto pois sozinho
Como errante caminheiro

Procuro apoio, sustento, companhia
Penso ir sozinho, noite e dia
E não vejo, quem, nos espinhos,
alivia e me ajuda, por caminhos

Em que Tu, Jesus, meu Deus
Acompanhas os filhos Teus
E, quantas vezes os carregas

Salvando-os dos perigos
Libertando-os dos castigos
Com Teu Amor, dando a vida.
(10/01/06)

Ou será que o oleiro não pode fazer do mesmo barro um vaso de uso nobre e um vaso para uso vulgar? Rom 9, 1

Tu, porém, nosso Deus, és bom e verdadeiro, és paciente e tudo governas com misericórdia. Mesmo se pecarmos somos teus, porque conhecemos o teu poder. mAs não pecamos sabendo que te pertencemos. Sab 15, 1-2

19 janeiro 2006

Actualizar?! Escrever mais?!


Ora pedem-me os fãs que actualize o meu blog... Informo pois que estou a proceder à mesma. Tenham calma ;) afinal foram apenas alguns dias sem escrever!!!

10 janeiro 2006

Será tudo um fim?!

Este texto é da minha autoria, mas prometo em breve revê-lo e torná-lo mais interessante...

Aquilo que para nós é um fim, nas mãos de Deus é uma oportunidade de criar algo de novo. Não concordas?!
Ao longo da nossa vida, desde que nascemos até que morremos, são muitas as etapas que têm um fim:
Chega ao fim o tempo de gestação, mas nascemos para a vida...
Chega ao fim o tempo em que somos amamentados, mas começamos a comer...
Chega ao fim o tempo em que os nossos passitos precisam de apoio, mas começamos a descobrir a nossa realidade envolvente...
Chega ao fim o tempo em que nos exprimimos por choros e outras "coisas" inefáveis, mas começamos a falar...
Chega ao fim o tempo em que apenas brincamos, mas começa a escola...
Chega ao fim o tempo de crianças inocentes, mas começa o tempo de adolescentes e jovens...
Chega ao fim o tempo em que procuramos conforto apenas nos braços da Mãe ou do Pai, mas encontramos outros amigos...
Chega ao fim o nosso tempo de estudos, mas começa o tempo em que aprendemos a trabalhar por nós...
Chega ao fim a dependência dos nossos pais, mas começa a nossa vida adulta...
Chega ao fim o nosso tempo de irresponsabilidade, mas começamos a construir e a conhecer as nossas responsabilidades...
Chega ao fim o tempo em que encaramos a vida sozinhos, mas começamos a viver em função de um compromisso ou de alguém, fazendo da nossa vida um dom...
Talvez chegue o tempo em deixamos de precisar que olhem por nós, mas precisamos de olhar por outros...
Chega ao fim o tempo em que olhamos por outros, mas começam outros a olhar por nós...
Chega ao fim o tempo de trabalhar, mas começa o tempo de descanso...
Chega ao fim a vida, mas começa a Vida sem fim...

Afinal, em tudo Deus criou algo de novo, mesmo quando tudo parecia ter acabado. E porquê? Porque Deus te ama loucamente! Toma consciência disto e ajuda os outros a tomarem também consciência... Mas não te preocupes, mesmo que não tenhas dado conta até agora, Deus vai mostrar-te que de facto te ama.

09 janeiro 2006

In epiphania Domine

Tu mostras-Te.
Eu, mesmo não sendo Rei
Nem mago (a minha magia é fraca)
Nem sequer alguém do Oriente importante...
Quero vir a Ti:

Não tenho o Ouro
mas reconheço-Te como Rei
Não Te ofereço incenso
Mas sei que Tu és Deus,
Nem mirra,
Mas Tu, de facto feito Homem,
vens ao meu encontro.

Fáz-me semelhante a Ti,
na pequenez do presépio.
Aceita o ouro da minha vontade
Aceita o incenso da minha oração
Aceita a mirra do meu ser homem.

Mostra-me a estrela...
Essa luz que me guiará
ao sacrário do estábulo de Belém.

Quero na minha vida
Adorar-Te e louvar-Te
Aceitar-Te e Amar-Te...

Amar-TE porque sem Ti nada sou
Louvar-TE porque és Deus
Aceitar-TE porque preciso de Ti
Amar-TE porque Tu me amaste primeiro...

05 janeiro 2006

Tenho sede. Nesta dia há muitas fontes. Na verdade, de quantas fonte bebemos nós?! De muitas... E quantas vezes ficamos ébrios? Não se torna nada fácil às vezes discernir qual a fonte que mana e corre através da noite escura...
Quantas vezes pensamos estar a beber da fonte, ou melhor, da Água Viva e, não estamos senão a beber um rasco refrigerante?! Mas no fundo queremos beber da Àgua Viva...
"Dá-me, Senhor, dessa água". Mas parece que é necessário conhecer o dom... e também Aquele que muitas vezes vem até nós e nos pede "Tenho sede. Dá-me de beber"... Às vezes é mesmo complicado de perceber... como é que eu próprio que tenho sede, vou dar de beber?! A realidade ultrapassa em muito estas palavras, mas querem significar isto mesmo: Tenho sede.

Dá-me dessa água viva
Tu, ò Fonte...
Tenho sede
Sei de quê...
Mas quantas vezes não encontro,
Não sei, nem vejo:
é noite...
Mas nessa noite
Vem, ò Luz
Ilumina a minha vida
Sacia a minha sede
Mata a minha fome
Sê para mim O mais íntimo,
que no íntimo me preenche.
Busco-Te,
Faz-me encontrar-Te
- Sim, mesmo na noite -
E que eu possa dizer
Bem seu sei a fonte que mana e corre
(Embora seja noite).
Rasga em mim uma nascente
Torna-me num regato,
faz-me para os outros
Caminho para Ti...
Mesmo se como caminheiro
sem bússula, sigo...
Sê para mim a Estrela-guia
o Horizonte
a felicidade
e sim, finalmente, Meta.
Sou Teu,
Mendigo, à porta das noites escuras
mas que quer chegar à manhã
Manhã sem tarde que se lhe siga
mas princípio sem fim,
partida sem chegada
de um tempo,
em que Tu, Amor-outro,
saciarás a sede que aí terá fim,
e então, vem Àgua Viva,
inunda-me: sou Teu.

03 janeiro 2006

O que tenho de novo é o jeito de caminhar





Na vida somos muitas vezes levados a situações que não sonhamos sequer serem possíveis. Mas de que nos adianta sonhar? Será que algum dia os nossos sonhos serão reais?! È belo viver... é bela a vida... sim, mas não me serve uma vida sem sentido. Procuro um sentido único, um sentido que possa seguir sem voltar para trás... mas não, vejo-me forçado a dizer mais uma vez como outro alguém já disse: o caminho faz-se caminhando e a vida faz-se vivendo... A minha meta... que curioso... sei a partida, mas desconheço a chegada... de facto acho que a chegada será um dia, longínquo ou não, mas um dia será..., e nesse dia poderei olhar para a partida e para a chegada e poderei dizer: fui feliz. Espero que sim, que um dia possa olhar o mundo que criei e onde fui actor sem papel, e dizer: fui feliz, eis-me aqui: ajudei quem precisou, olhei mais para os outros que para mim, não procurei nunca ser egoísta, mas procurei sempre dar-me até ao fim. O maior pecado que poderei encontrar, é aquele que já conheço: as faltas de amor. Não do amor-light, não, mas do Amor que é no fundo o Próprio Amor. Mas sei que Tudo posso n’Aquele que me sustenta...

Dá-me um coração puro,
um coração que saiba amar
um coração que saiba reconhecer-se pequeno
mas que saiba cada dia crescer
... Crescer porque mais amou
Porque mais se entregou,
Porque mais Te reconheceu nos outros
Porque a Ti buscou
A Ti achou
E a Ti se entregou
E nunca mais Te deixou...

Coloca à minha volta um jardim,
Onde brotem as mais belas flores
As flores que eu semeie no caminho...
Sim, torna-me um jardineiro,
Que cuide das rosas que colocas no meu caminho…

Mas, se achares que é demais,
assim um jardim
Dá-me um pequeno pedaço de terra
E sê em mim a Água viva
Que fará florir as sementes
Num pequeno vaso de barro
Neste pequeno pote partido
E molda-me,
molda-me como se fosses o Oleiro
E eu o barro,
a argila da terra
A mais tosca terra...

E porque das pedras podem surgir filhos
Toma-me como um Pedreiro...
Desenha em mim,
Com o cinzel do Teu Amor,
Uma pequena estátua
Mas que embora pequena,
Seja cada vez mais perfeita,
E vendo-a, Te possam louvar.

Como um pequeno grão de areia
Como uma pequena poeira
Faz-me Senhor.
Sou Teu, faz de mim o que queiras
Tudo quanto fizeres eu o aceito.
Transforma a minha vontade
De pródigo filho,
à Tua imagem...
Então poderei exclamar: sou feliz

No dia em que a noite não se seguir,
No Dia sem fim
Aí, possa louvar-te
Também sem fim.

Olha, desenrasca-Te...
Eu estou aqui, faz de mim o que queiras…

24 dezembro 2005

E eis que é Natal


De há mais de dois mil anos para cá, que é assim... todos os anos celebramos um aniversário muito especial: o de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Eis que na plenitude dos tempos, aprouve a Deus enviar o Seu Filho. Ele veio. Para nos salvar a todos. Mas muitas vezes somos fariseus que nos julgamos donos da salvação. Ele veio salvar-nos a todos. a todos...
Fez-se homem para nos endeusar...
Fez-se Menino para não podermos ter medo dele...
Fez-se pobre para que sejamos ricos...
Fez-se, em suma, pequeno para nos exaltar e nos dar a conhecer que o Seu amor por nós não tem limites e que não basta Deus encarnar, mas que Ele próprio, o Verbo de Deus, há-de ser suspenso numa cruz e de Ressuscitar.

A todos a Paz, a alegria e o Amor da família de Nazaré: que sejam derramados nos vossos corações.

14 dezembro 2005

Uma Pausa que nos transforma (II)

Isto de pausa continua a ter muito que se lhe diga. O tempo "rende" quando estamos numa pausa... outras vezes passa a correr! Sei lá onde é que a vida me vai levar... certamente não me levará sem mais... nem muito menos para onde eu não queira... isto se tiver os pés, como barco ancorado em porto seguro.
Às vezes não temos claro o que queremos fazer... andamos horas, dias e talvez meses à deriva... Será possível que também andemos anos?! Ao olhar para a vida sinto que não descobri ainda qual a o conteúdo desta caixa de surpresas...
Se tivermos um sonho para sermos felizes não temos de nos preocupar muito para realizar esse sonho desde que ele corresponda ao sonho que um Outro Alguém tem para nós... aí ele estará seguro, nós próprios estaremos seguros e apenas temos que nos deixar guiar por essa brisa suave que na nossa vida nos orienta constantemente, desde que nós deixemos. Que difícil é aceitar às vezes as mudanças de rumo na nossa vida!!! Em vão corremos... à meta que queremos não chegamos. Mas bem, "Chegamos, não chegamos?!/ pelo sonho é que vamos!", escreveu um poeta um dia. E a chegar... Estamos a chegar ao Natal. Mais do que vir agora, Ele vem ao nosso encontro, em cada homem e em cada tempo, para que o recebamos na fé e na caridade... Que difícil às vezes é vê-lo nos outros e fazer de cada dia natal e de cada Homem o Menino. Se é verdade que cada novo dia é como uma nova flor que desabrocha nas nossas mãos, então quero ter a alegria de saber tratar do meu jardim, de saber colher as flores e de as colocar no altar da vida, como oblação perfeita. Se a nossa vida não for um dom... de nada serve. Podemos ter muitas esperanças e muitas alegrias, mas serão efémeras e incumpridas se não estivermos abertos ao Dom.
Quando será o kairos que espero tão ardentemente?! É complicado... a dúvida assalta-me... já o aqui escrevi e é verdade... Estar disposto a arriscar às vezes não é tudo... Eu estou disposto e no entanto falta qualquer coisa! E que qualquer coisa... Não sei muito bem o quê, nem como mas que falta, falta. É fácil às vezes sermos felizes porque sentimos prazer no mal dos outros. Quantos felizes, mesmo se alguém está infeliz... Eu próprio posso fazer o mesmo, infelizmente.
Ai que "raio" de vida que nos volta de cabeça para baixo e não nos deixa endireitar...
Mas será que ha alguém que nao tenha problemas?! Não me parece... bem, mas temos sempre os amigos que nos podem ajudar... temos, não temos? Nós estivemos lá quando eles precisaram... e porque é que eles agora não estão? Apenas ficam uns poucos... o resto foge como a areia sacudida pelo vento, sem poder, ou melhor não querer, voltar...
Não invejo a sorte de quem é feliz... caminho também eu para a felicidade. Pelos espinhos, mas caminho e, corro para alcançar... não creio que seja fácil, não está a ser... mas há-de passar a tempestade e vir a bonança... custa um pouco quando se anda sem bússula nem caminho certo... mas se até o ouro se purifica no crisol, quanto mais?...
Luz terna suave, leva-me mais longe
E quando faltar apenas um passo para a Ti chegar
Mostra-me o Calor que aquece...
A Luz que não se apaga...
E é essa praia onde tenho de chegar
que me continua todos os dias a fazer navegar...
Na verdade, nem sempre foi como hoje que te peço
mas ao fim terei abrigo e acesso
Ao Teu porto seguro, á Tua plena luz...
Dá-me a Tua mão e não terei medo
Meus passos a andar hão-de ser firmes
se Tu me deres a mão...
Luz terna, suave no meio da noite...
Esta é a noite... Vai raiar nova madrugada...
Depois de um dia virá a noite, e da noite
virá o dia que não mais se apaga...
Na noite desta vida, com ténue luz acesa,
esperamos alegres
Maran-thá!

16 novembro 2005

1 Cor 1, 22-28



Os judeus pedem sinais e os gregos procuram a sabedoria; nós, porém, anunciamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. Mas, para aqueles que são chamados, tanto judeus como gregos, Ele é o Messias, poder de Deus e sabedoria de Deus. A loucura de Deus é mais sábia do que os homens e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.
Portanto, irmãos, vós que recebestes o chamamento de Deus, vede bem quem sois: entre vós não há muitos intelectuais, nem muitos poderosos, nem muitos da alta sociedade. Mas Deus escolheu o que é loucura no mundo, para confundir os sábios; e Deus escolheu o que é fraqueza no mundo, para confundir o que é forte. E aquilo que o mundo despreza, acha vil e diz que não tem valor, foi isso que Deus escolheu para destruir o que o mundo pensa que é importante.

15 novembro 2005

Uma pausa que nos transforma ( I )

Uma pausa num blog pode dever-se a vários motivos... podemos querer parar para pensarmos, não temos assunto para escrever... estamos de férias... sei lá... uma pausa na nossa própria vida. Eu na minha vida estou num momento de pausa. É um momento de reflexão prolongada para chegar a uma conclusão que te mostre qual o caminho a seguir... O blog que estás a ler podes vê-lo como uma grande pausa... em que deixo as minhas reflexões... algumas... para poder eu próprio pensá-las... de novo.
Pausa... vivemos a correr, nem sempre temos tempo para ela. Deliberadamente não fazemos nenhuma pausa. Quando paramos é sempre para fazer algo diferente daquilo que habitualmente estamos acostumados. Mas não para uma pausa. È algo abstracto, uma pausa. De facto não creio que eu próprio quisesse fazer uma pausa. Às vezes é bom que os outros decidam por nós... mesmo que erradamente, mas decidem e isso tira-nos responsabilidades “de cima”. Na verdade, esta pausa, começo a acreditar, vai transformar-me, aliás está a transformar-me. Não é por dizer que digo “vai transformar-me”. Digo-o para me lembrar a mim próprio que ela me vai mudar algumas coisas que não estão bem em mim.
É muito complicado mudar de hábitos, corrigir os errados e ver que nem sempre o que julgamos é o melhor, e que também estamos condicionados aos nossos horizontes, mesmo que pensemos que vemos mais longe. É inevitável... como a nossa envolvente física, cultural e material nos pode desviar... tantas vezes as nossas razões não são a razão que nos devia guiar.
Comigo acontece o mesmo... quantas vezes me julguei dono da razão e como vejo agora que ela esteve às vezes tão longe, e eu fui tão pobre. Não soube ser quem quero ser e cedi à circunstância, sem olhar mais além, pensando que sou dono da razão. Reconheço agora quantas e quantas vezes acabei por não ser também quem sou...
Há valores que na nossa vida são fundamentais. Na minha, a coerência e a verdade são essenciais... Isto em nome de um bem maior. Que possa dar a vida para ajudar os outros. Amar com um coração pequeno, mas amar de tal modo que a pequenez se inverta numa grandeza de sentimentos, que possa irradiar calor humano para todos os corações atribulados e frios que se aproximem de mim. Quem me dera ser a brisa que sopra no ar e que transforma tudo à sua passagem. Nada fica igual, as folhas caídas dançam num corrupio frenético, as que estão nas árvores da nossa existência abanam... as pessoas sentem a agradabilidade de uma mesma brisa; no calor uma sensação de frescura, no frio a quente sensação de um aconchego...
A pequenez e a simplicidade na nossa vida, creio não poderem estar dissociadas da alegria. Se não fores alegre e se andares sempre mal com todos, nunca poderás ser a brisa que queres. Mas não podemos esqueces o nosso auxílio. Aliás, como é possível que não possamos amar o outro...
Por hoje fica a curiosidade de uma pausa...