Começamos a existir Naquele Sonho que faz realidade todos os outros, derramando o Seu amor, através do amor de dois seres humanos, e, no milagre da vida, descobri-mo-nos capazes de pensar, de amar, de chorar, mas também de sorrir. Misturando este sonho, agitado pela vida, assim pensamos... e do pensar a letra se faz, e da Palavra se recomeça de novo, como na Origem.

19 setembro 2009

O Senhor sustenta a minha vida (partilha)

Esta é a partilha que vou fazer este Domingo nas novas comunidades onde farei estágio pastoral. Pode ser que ajude aqueles que o lerem, mais que não seja a que possam rezar por mim, em mais uma etapa.
Este Domingo a Palavra de Deus que nos é proposta coloca frente a frente dois modos de proceder: o dos ímpios e o dos justos. Há os que vivem na rectidão, na paz, que procedem com misericórdia. E há os que pensam em invejas, rivalidades, conflitos e toda a espécie de más acções. No seu caminho estes últimos, os ímpios, encontram o justo, que até pela sua vida é uma reprovação viva do seu modo de proceder. Jesus, no Evangelho, não cria distinções. Fala daqueles que acolhem, sem olhar às dificuldades em O compreenderem e O seguirem, mesmo deixando entender, até pelas narrações anteriores de Marcos, que também fala para os que O não recebem.
Na primeira leitura do livro da Sabedoria, de acordo com o seu estilo, quer-nos fazer compreender uma lição essencial: a incompatibilidade entre os dois modos de vida, gerando dificuldades inevitáveis para o que quer viver segundo a Lei de Deus. A leitura de hoje não pode ser isolada do contexto e até do capítulo em que se integra cuja mensagem essencial é «Deus não quer a morte, a justiça é imortal». Pelo seu modo de vida, pela lembrança das suas convicções, o justo torna-se para os ímpios uma censura permanente. Daí a atitude dos ímpios: a melhor maneira para se tranquilizarem é eliminá-lo. Na Paixão de Cristo isto deixa de ser apenas uma lição de moral, para se converter numa realidade inscrita no coração da história humana. Não se tratam apenas de aspectos materiais: ultrajes, tormentos, condenação à morte… São também todos os acontecimentos que, pouco a pouco, se vão acumulando no decorrer dos factos. A Paixão dele é de facto a paixão do justo que nos descreve o livro da Sabedoria. Junto à cruz evoca-se isto mesmo, quando, na narração de Lucas, o centurião que O trespassa exclama «de facto, este homem era um justo». Nouvelle du salut annoncée aux hommes par JésusAttitude qui incite à l'indulgence et au pardon.
Tudo isto nos diz respeito. E de que maneira. A carta de S. Tiago retoma estas duas formas de vida: a da justiça em Cristo Jesus, e a que, independentemente das aparências, será o reverso da medalha, fonte de conflitos e da morte. «Cobiçais e nada conseguis: então assassinais. Sois invejosos e não podeis obter nada: então entrais em conflitos e guerras. Nada tendes, porque nada pedis.» É uma passagem realista. De facto somos nós, homens e mulheres, que destruímos, e que criamos os sofrimentos, as desigualdades, as guerras. «Pedis e não recebeis, porque pedis mal, pois o que pedis é para satisfazer as vossas paixões.» Ao contrário, a Sabedoria que vem de Deus e antes de mais rectidão, e consequentemente, paz fecunda. «Ela dá o seu fruto aos que fazem a paz.» Diz uma passagem do sermão da Montanha: «Felizes os que fazem a paz, porque serão chamados Filhos de Deus». Cabe-nos então a nós acolher o Filho do Homem, em toda a sua verdade e realidade, que inclui a sua paixão e morte, para partilharmos na Ressurreição a vida divina Daquele que no-la enviou. A explicação dada aos apóstolos, por Jesus no Evangelho, quer iluminar a sua incompreensão que não é senão um reflexo da impiedade que a todos nos habita. O silêncio no qual eles se fecham vem do medo que têm em Lhe perguntar o sentido daquilo que o Mestre afirmara.
A realidade e a proposta que Jesus nos apresenta são diferentes daquelas que poderia vislumbrar o autor do livro da Sabedoria, algumas dezenas de anos antes. Jesus é rejeitado por outros motivos. Em primeiro lugar por ser um incómodo, por trazer ao de cima a verdade. Uma verdade que faz tremer o círculo em que se fechara o ímpio. «A verdade vos fará livres». Depois, ele não é apenas um justo no meio dos justos, com uma personalidade interessante. Também não é apenas a consciência dos que andam dispersos. Como Messias, Ele é provocante de outra forma. Reune o Povo de Deus sobre o próprio Deus. Os seus adversários não são ingénuos quando o apresentam a Pilatos como alguém que ameaça a autoridade civil, embora ele não lhe encontrasse qualquer culpa, e soubesse que não era esse o motivo pelo qual o queriam condenar. Mas o medo de uns e de outros gera a condenação à morte. A pretensão de Jesus é mais radical que uma pretensão política ou social, qualquer que seja. Ele não é apenas um filho como todos os membros do povo de Deus. Ele é o Filho, o Único. E isto é que os que estavam acomodados à ordem estabelecida não podiam tolerar. A questão central é simplesmente esta: «Diz-nos, pelo Deus vivo, és tu o Cristo-Messias, o Filho de Deus?» «Deus chamou-nos por meio do Evangelho, para alcançarmos a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.» Se no fim, é Deus quem nos acolhe, é preciso já, acolhermos, nós, Aquele que Ele enviou. Pelo exemplo de Jesus, que toma nos seus braços uma criança, como sinal deste acolhimento, Ele quer-nos recordar que temos de acolhê-LO, nos mais pequenos, não apenas as crianças, mas nos pequenos aos olhos do mundo, mas afinal em quem Ele vem ao nosso encontro: em quem quer que se encontre na miséria, na pobreza, na fome, na solidão.
Falando em quem vem ao nosso encontro, esperais naturalmente que vos diga quem sou, e alguma coisa do que fiz e do que farei no meio de vós. Peço a vossa boa-vontade para escutardes. Quiseram chamar-me Rui ainda antes de ter nascido prematuro a 6 de Junho de 1986 na maternidade do Penedo da Saudade, em Coimbra. Filho mais novo da família, sou natural do Penedo da Sé, paróquia do Marmeleiro, concelho da Guarda, paróquia onde me baptizaram a 10 de Agosto do mesmo ano, e onde faria a caminhada normal de catequese, sacramentos, escola primária, até em Setembro de 1995 iniciar a caminhada de Seminário, no menor da nossa diocese, no Fundão. Entrei para o Seminário movido pelo exemplo do meu pároco, entretanto falecido, mas de que me marcou profundamente na minha imagem do sacerdócio. No Fundão passei os 5 anos do ensino básico. Em 2000 transitei para o Seminário Maior, na Guarda, onde fiz o ensino secundário e os dois primeiros anos do Curso de Teologia. Em 2005 interrompi o percurso de seminário, para ir frequentar o 3º ano do curso de licenciatura em Teologia na Faculdade de Teologia da UCP – Porto, onde transitaria para o Mestrado Integrado em Teologia. Regressei à Diocese em Setembro de 2006, a partir de quando comecei um semestre de trabalho pastoral, de acordo com as orientações do Senhor Bispo e do Reitor do Seminário, em três locais distintos: as Paróquias da Guarda (Sé e S. Vicente), confiadas aos Rev.dos Padres António Moiteiro e José Dionísio; a Equipa de Pastoral da Casa de Saude Bento Menni, sob a direcção da Ir. Alice Roseiro; e na Cáritas Diocesana. No 2º semestre desse ano lectivo recomecei as aulas no ISTBD, em Viseu, a frequentar o 4º ano de Teologia, onde estive até ao mês de Junho passado. Pastoralmente passei, mais tarde, a colaborar com o Pe. António Morais, em Gouveia, Folgosinho, Nabais, Freixo da Serra em 2007/2008, e no último ano também em Melo, até Julho passado. Em 2008/09 frequentei o Ano pastoral no mesmo instituto, acumulando a frequência do Mestrado na Faculdade de Teologia da UCP-Braga, onde sob a orientação do Prof. Doutor João Duque, me encontro ainda a realizar a tese sob o tema «o discurso sobre Deus na Teologia feminista de E. Johnson». Recebi no dia 8 de Dezembro o ministério de Leitor, e em 27 de Junho o ministério de Acólito.
Em Julho deste ano o Senhor Bispo pediu-me que realizasse o estágio pastoral junto do Pe. João Barroso, nas cinco comunidades paroquiais que lhe estão confiadas e no Dep D. Infância e Adolescência do SDEC. Entre outros serviços que o senhor padre ainda me há-de pedir, ocupam-me o tempo as aulas de EMRC na Escola EB2/3 de Loriga, e a organização da catequese paroquial. Encontro-me portanto num percurso em ordem ao sacerdócio, ao qual desde cedo me senti chamado, e que se Deus quiser hei-de abraçar num futuro não muito distante. Quisera servir-me das palavras do Evangelho de hoje, que é bastante sugestivo, no que diz respeito a como me apresento no meio de vós: apresento-me como o último de entre vós, e o servo de todos. Ajudai-me a caminhar, sobretudo com a vossa oração. Quem quer seguir Jesus tem de mudar a mentalidade, os esquemas de pensamento, os valores egoístas e abrir o coração à vontade de Deus, às propostas de Deus, aos desafios de Deus. Para poder exclamar com o salmista : “O Senhor sustenta a minha vida”. Mais do que um desafio que coloco a mim mesmo, é o desafio que a palavra de Deus hoje nos deixa a todos. Saibamos nós, de coração agradecido, deixar que o Senhor seja o sustento da nossa vida.

24 julho 2009

Afinal ele está connosco!

Deus acompanha-nos. Com a multiplicação dos pães, Jesus revela que Deus está atento à nossa vida humana ordinária e quotidiana. Já no domingo passado o Ev chamava a atenção para o olhar de Jesus sobre a multidão: ao ver uma grande multidão compadeceu-se dela porque eram como ovelhas sem pastor, e começou a ensiná-los. O essencial para todos nós é encontrar, hoje, ou cada dia, a resposta à nossa necessidade de saber, de conhecer, para dar-mos um sentido à nossa vida, a toda a nossa vida. Jesus ensina a multidão dos que acorrem até ele. Tanto ou tão pouco que eles acabam por passar um dia inteiro, sem se aperceberem, e ao cair da noite, era tarde para ir procurar alimento às aldeias à volta, casais e quintas. Este é o quadro de continuidade que o Ev hoje nos apresenta. Por um momento parece que o Evangelho e o próprio Jesus se tornam realistas, se podemos considerar assim. Ele tinha dado prioridade a ensinar a Palavra, ao alimento espiritual, mas reconhece também a situação em que a multidão se encontra. E novamente é ele que toma a iniciativa, e pergunta a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?» A resposta é também realista: o salário de duzentos dias de trabalho não dava para alimentar aquela multidão. Eles não tinham meios para tanto.
O Homem acompanha Deus. Jesus revela-nos o verdadeiro rosto de Deus, que através do seu Filho alimenta a multidão. Mas Deus requer a participação do homem. Espera de nós que sejamos sinceros e demos o que temos. Tem necessidade da nossa ajuda, mesmo se for insignificante, mas sincera. Não pode, ou não quer, fazer o milagre a partir do nada. «Um rapaz, cinco pães e dois peixes». Nem sequer é a partir da fé dos apóstolos. Deus nem nos substitui, nem se substitui a nós. Confia-nos a tarefa de fazer acreditar e multiplicar os seus próprios dons que se tornam assim dons nossos. Acabamos por reconhecer ao mesmo tempo os nossos limites, mas também a nossa grandeza em colaborarmos com a nossa acção na obra de Deus. Assim aconteceu com Eliseu na 1ª leitura que diz ao servo para alimentar as gentes, mesmo se eram poucos pães para tanta gente. Mas cumpriu-se o que o Senhor disse: comerão e ainda há-de sobrar. E assim foi. Mas também nós hoje podemos fazer o mesmo: em vez de procurar culpar Deus pelo mal que há no mundo, dar-mos as nossas mãos pelas grandes causas, como pelas pequenas. Ajudando quem sofre longe, ou perto, mesmo ao nosso lado. Dando do nosso pão e dos nossos peixes. O milagre é tarefa de Deus, mas também passa pelas nossas mãos. E porque muito amámos muito nos será perdoado.
Deus acompanha-nos. Quando ficaram saciados, quando o milagre se tinha realizado, a multidão espantada, reflecte no que tinha acontecido. Não pensa nos doze cestos que sobram, e no que quereria dizer isso, nem no número dos pães e dos peixes. A conclusão foi mais transcendente e ao mesmo tempo a mais normal: «Este era na verdade o profeta que estava para vir ao mundo». Então Jesus retira-se. Ele sabe que o queriam reter, que o queriam fazer rei. E retira-se porque não quer que nos detenhamos no milagre materialmente falando: muito pão, mais que o necessário, sem dinheiro. Nem noutra qualquer significação espiritual que não seja a de quem descobre o Coração do próprio Deus, que nos ama e sabe que nós, homens e mulheres, também hoje neste tempo, não vivemos só de pão. Por isso é que antes de alimentar a multidão, os instrui longamente. E depois retira-se sozinho, para o monte. Parece que tudo termina. Jesus não veio resolver a fome do mundo, nem naquele tempo, nem neste. Mesmo que ele tenha matado a fome àqueles, e hoje a nós, espiritualmente falando, somos nós, homens e mulheres, que temos de matar a fome aos nossos irmãos que sofrem. Veio para nos lembrar o essencial: «vinde e vede». Não é por causa dos pães e dos peixes que temos de O seguir. É pela Palavra que ele nos dá. A mesma que Ele foi enviado a anunciar, a mesma que hoje nos diz. E que somos de novo chamados a anunciar. A nossa vocação, como nos recorda Paulo, é a de sermos chamados a uma só esperança: Ele que está perto de quantos o invocam (Salmo), um só Deus e Pai de todos, que embora estando acima de todos, actua em todos, e em todos se encontra.
O Senhor nos torne conscientes de tudo isto e nos mova o coração, e os braços, para sermos hoje o milagre de Deus no meio do mundo, que de novo quer saciar todos os homens e mulheres com o Pão da vida, Jesus Cristo, a Palavra de Deus ao mundo em que vivemos, que nos garante que Deus não nos abandona, antes nos acompanha, ao ponto de dar a vida por nós. Ámen.

21 julho 2009

verdade na caridade

Ando a ler a nova encíclica do Papa. Não haja dúvida de que é um documento interessante sobre vários pontos de vista. Aliás, espero com isto desafiar muitos à leitura. Já agora, alguém me saberá responder porque é que não parece a mesma pessoa a escrever, quando relacionado com as atitudes que transparecem do seu ministério como sucessor de Pedro?!

06 julho 2009

Para ler e perceber

Carta de Bento XVI para proclamar o Ano Sacerdotal, no 150º Aniversário de João Maria Vianney, o Santo Cura d'Ars
" é o próprio Deus que corre atrás do pecador e o faz voltar para Ele". Esta é uma frase do Cura d'Ars, que, a mim, da leitura da carta do Papa, mais me toca e me interroga. Penso que nos deveria fazer pensar a todos, quem sabe até àqueles que pensam, e escrevem, que o Santo entrava na Igreja de manhã, e dela saía no final do dia. É que hoje a casa de Deus está partida em mil pedaços também junto daqueles que não se deslocam ao edifício, e o padre já não pode apenas sentar-se lá, esperando que venham ao seu encontro, porque é o próprio Deus que corre atrás do pecador e o faz voltar para Ele. E por aí será o caminho. Termina a Carta do Papa: "«No mundo sofrereis tribulações. Mas tende confiança: Eu venci o mundo» (Jo 16, 33). A fé no divino Mestre dá-nos a força para olhar confiadamente o futuro. Amados sacerdotes, Cristo conta convosco. A exemplo do Santo Cura d’Ars, deixai-vos conquistar por Ele e sereis também vós, no mundo actual, mensageiros de esperança, de reconciliação, de paz."

28 junho 2009

Mais um passo...

Com a oração de benção dos Acólitos, do Pontifical Romano da Instituição dos Leitores e dos Acólitos, o bispo institui o acólito dizendo «Fazei que sejam assíduos no serviço do altar, distribuam fielmente aos seus irmãos o Pão da vida, e cresçam cada vez mais na fé e na caridade, para edificação da vossa Igreja.». Este foi o ministério que assumi. Que o Senhor seja o meu auxílio e protecção.

22 junho 2009

Entrevista ao Jornal "A Voz da Fé", suplemento do "A Guarda"

(Transcrição do Suplemento do Jornal "A Guarda" de 18/06/2008)
VF - Quem és?
Rui – Um jovem de 23 anos, nascido, prematuramente, a 6 de Junho de 1986, em Coimbra, concretamente na maternidade que existia no Penedo da Saudade. Filho mais novo do Joaquim e da Maria da Piedade, irmão da Virgínia e tio da Filipa e do Miguel. “Separam-me” da minha irmã 20 anos de idade, e dos meus sobrinhos, respectivamente, 5 e 10 anos. Mas, vamos por partes. Sou natural da Paróquia do Marmeleiro, concelho da Guarda, onde me baptizaram a 12 de Agosto do ano em que nasci, e, mais exactamente, da pequena aldeia do Penedo da Sé, onde cresci, frequentei a escola primária, e vivi, ininterruptamente, até aos 9 anos. Nasci numa família simples, que se dedica à agricultura e à pastorícia, e que me tem dado sempre mais do que o possível. Os meus pais também são naturais da mesma localidade, bem como a minha irmã, pese embora que alguns anos tenham conhecido a emigração em França. De “casa” faz parte, agora de forma diferente, um tio-avô meu, Joaquim, que viveu connosco até ao ano passado, e a quem devo, também, muito de quem sou. Representa sempre para mim a figura dos avós, que, praticamente, não conheci. Não tendo tido filhos, encontrou, nos meus pais e em nós, os filhos, os netos e bisnetos, por quem sempre trabalhou, e por quem ofereceu a sua longa e dedicada existência. O facto de ser tio da Filipa e do Miguel também constitui a minha identidade, porque o sou desde pequeno, e, eles são únicos para mim, como os meus pais e irmã, já que sou também o único tio que têm, porque o meu cunhado não tem mais irmãos. Quem sou devo-o também, felizmente, a mais pessoas, familiares, amigos e amigas, que têm passado pela minha vida ao longo destes 23 anos, e que me têm oferecido o seu amor, a sua amizade, o seu tempo, enfim, para não vos enganar, me têm mostrado o rosto de Deus, por graça de Quem, no fim de contas, sou quem sou.
VF - O que foi para ti o Seminário?
Rui – Boa pergunta. O Seminário acolheu-me ainda criança, e acolhe-me, actualmente, nesta etapa da minha juventude. Tendo em conta que conheci o Seminário com 9 anos de idade, em 1995/96, no Fundão e passei pelo da Guarda em dois períodos diferentes, desde 2000/01 a 2004/05, e depois de 2006/07 até agora, devo saber responder o que foram estes quase 14 anos! Entrei porque queria ser como o meu pároco, o Pe. José de Oliveira Martins, alguém que me estimou e foi um dos meus primeiros amigos. Foi ele que me chamou, ou, melhor, foi por ele que Deus me chamou, por então, a “ajudar” à Missa e a ler, com 5 anos. Antes ainda, recordo a ida à Igreja ao colo do meu pai com a minha mãe. Eles confiaram nas minhas palavras de criança, que queria, também, um dia, ser “senhor padre e professor”. Essa foi a minha primeira experiência de seminário: o meu pároco (que, felizmente, nos que o sucederam, se prolongou até hoje), e a família. Já não foi, no entanto, com ele que conheci o Seminário do Fundão porque, antes, o Senhor decidiu colocar-lhe, «aos ombros, a cândida estola da imortalidade». Para não alongar a resposta, simplificaria o tempo de seminário menor a uma experiência de companheirismo, até então não experimentada, que, durante cinco anos, me educou, sobretudo intelectualmente, não esquecendo as demais dimensões do seminário, mas que talvez não tenham ficado tão marcadas. O Seminário da Guarda descobri-o ainda durante as visitas que nos faziam ao Fundão e que, nós, quando já éramos dos mais velhos por lá, vínhamos cá fazer. Foi o prolongamento natural, que eu segui, para continuar a realizar a vontade nunca anulada da criança de 5 anos. Aqui descobri, no início do secundário, uma nova família, diferente da que tinha encontrado antes. Mais pequena, é certo, mas unida. Um grupo de amigos, mais até de irmãos, onde, os mais velhos, de tempos a tempos, concretizavam o sonho e a vocação que tínhamos em comum, e que nos fazia viver na mesma casa. Deus tem caminhos que nós não compreendemos, e «os dele não são os nossos». Isto tem força; não porque eu o diga agora, mas porque é Palavra dele. E, depois de ter passado um ano na Faculdade de Teologia da UCP, no Porto, regressei ao Seminário da Guarda, até ao presente. Parece que iludi, até aqui, a resposta, mas não: isto, dito tanto quanto se pode dizer neste espaço, foi o “meu” seminário. Agora, vejo-o como o tempo que percorri para procurar começar a aprender de Jesus, por meio de instrumentos humanos, seus, a sua vontade a meu respeito. Uns dias mais claros, outros mais escuros. Manhã radiosa, com pequenos rasgos de submersa, aqui e além, mas «eis-me aqui». No seminário encontrei amigos e irmãos, não apenas os colegas, mas também superiores, irmãs e professores. As marcas que deixaram em mim exigem que os refira. Mesmo se não digo nomes, eles sabem quem são, ainda hoje, e qual o papel que continuam a desempenhar na minha vida.
VF - Que papel podem ter os nossos Seminários na sociedade de hoje?
Rui – Além de referir que não só podem, como devem, ter na sociedade de hoje o papel que a Igreja espera deles, e, apesar de não ter de ser eu a responder a essa questão, posso referir-me à minha experiência concreta. A mim, os nossos seminários, maior e menor, ajudaram-me, em cada momento da minha vida, a descobrir a vontade de Deus a meu respeito, para que, hoje, possa colocar nas mãos da Igreja a decisão concludente, sobre a forma como me quero entregar, através dela, ao serviço do mundo, que Deus criou para nós. Não vislumbro outro papel que os nossos seminários devam ter, e têm, senão ajudar a aprofundar a fé daqueles que aqui vêm, como candidatos futuros ao sacerdócio, e ajudá-los a conhecer melhor as implicações da sua vocação, preparando-os para dar uma resposta Àquele que acreditamos que, por meio das circunstâncias diversas da nossa vida, nos chama.
VF - Como ser imagem de Cristo hoje?
Rui - Simples e complexo ao mesmo tempo. Ele disse que nos haviam de reconhecer, aos cristãos, pela forma como nos amávamos uns aos outros. Ora isso tem “tradução” concreta em acções e formas de vida, não apenas em linguagens mais ou menos cuidadas, ou em exterioridades, possivelmente sem qualquer profundidade interior. Nesse sentido, é simples porque, Cristo, quando nos «mandou» fazer como Ele fez, não só nos deu o exemplo, como nos disse concretamente o que fazer. Mas “isto” de ser imagem de Cristo é também complexo, sobretudo no mundo de hoje! Só que hoje, como sempre, este é «o» mundo que acreditamos que Deus criou para nós, pesem embora as suas limitações, onde estão incluídas as nossas, e seguramente as minhas. Por isso, acidentalmente (!), não há-de ter sido criado em contraposição, nem a Cristo nem a Deus! E é possível, hoje, ser esta imagem de Deus, que, por excelência, é Cristo, e hão-de ser os cristãos.
VF - Que projectos para o futuro?
Rui – Já vos contei quais os projectos que bailavam na minha mente de criança quando falava “disto”. É caso para dizer que entrei no seminário com uma ideia, “pintada” pelo exemplo impressionante de um sacerdote, que tinha um enorme sorriso para todos, e que essa ideia se foi tornando maior, pelos sorrisos que fui encontrando. Mas Deus também me foi mostrando que a vida não é apenas esses sorrisos e que há, a preceder a alegria, uma cruz que, com Ele, temos de saber levar para o Gólgota. Por isso, ser padre, mantém-se «o projecto», para um futuro, se Deus quiser, não muito distante. O «como» é que foi realmente mudando ao longo destes anos. Hoje, em teoria, sei o que é ser padre e estou disposto a sê-lo. Mas também tenho consciência que não hei-de ser padre assim como aprendi. Por diversos motivos, onde se incluem, certamente, as minhas debilidades. Mas «imensamente mais», pelo Seu Espírito em mim, assim creio, se inclui Jesus Cristo, à imagem de quem quero ser padre, e é Ele que há-de dar a “chave” para responder ao «mistério» a que me proponho, nesta Igreja diocesana.

06 junho 2009

Mais um... e vão 23!


Nunca seria capaz de agradecer este dom se Ele não me ajudasse a reconhecê-lo. É dom e mistério ao mesmo tempo. Porque é grande, porque não sei onde me leva, pelo menos por agora... Confio em que Ele comigo traça o caminho... Obrigado pela vida, pela família, pelos amigos.

25 maio 2009

palavras, mais do que a Palavra

Há meses que não escrevo aqui. Tenho passado o tempo noutras escritas. Talvez tenha sido pouco o tempo para partilhar pensamentos, sonhos, ou palavras ao vento. Sinto-me um pouco dentro de uma vitrine, diante de uma rua onde as pessoas vão passando, e a chuva molha os vidros, ao sabor do vento que fustiga e arrefece. Nunca ninguém disse que a vida era fácil. Mas também foram poucos aqueles que a têm assim tão dificil. Ler, dizia Pessoa, é uma forma servil de sonhar. Por isso há que sonhar os nossos próprios sonhos. Uns dias em prosa. Alguns em poesia. Outros numa confusão de letras que estamos à espera que se arrumem. Depende de nós alinhar o alfabeto. Não depende de nós escolher as letras. Foram-nos ensinadas. Mesmo se só aqui e além entendemos o que significam. Cultura, dizem. Confesso que desconheço qual a cultura em que nos encontramos nestes dias. Ontem e hoje passam. Amanhã acreditamos que vai chegar. E, eu penso que é lá que vale a pena morar. Porque morar no hoje, ou com os pés no ontem não está bem. Quem vive só do hoje depressa perderá o sentido de cada dia. E quem vive de ontem... bem, não vive, já morreu. Só quem vive do amanhã é que pode continuar a viver com quem foi, quem é, esperando quem será. Há um tempo para tudo. Mas parece-me que neste tempo não há que continue de pé.

06 março 2009

Confesso...

Confesso que há muitas coisas que não sei dizer, que ando inseguro e que não sei viver em plenitude aquilo que me pedes. E tenho que dizer, que rompo com os Teus planos pela raiz, que procuro atalhos para ser feliz, quando é preciso fazer caminho.
Confesso, confesso a todos os que estais aqui, que recebi muito mais do que dei, porque nem sequer dei nada. E tenho de reconhecer, que é muito mais simples falar que fazer, e até agora disse muito, mas ser, fui muito menos. E às vezes dizem-se coisas sem sentir, sem pensar que Deus é alguém importante. E que para manter a imagem as vezes sou capaz de esquecer que é Deus a quem tenho diante.
Confesso que rezo a Deus e esqueço os irmãos, que digo "amén" por não seguir na luta, e que procuro fazer regos com as mãos. E não posso esconder que me instalei num lugar fácil, que me conformo com olhar pra trás e não deito mãos ao arado... Confesso. (Trad. do espanhol)

24 fevereiro 2009

Santo Desierto de San José de Batuecas


Desde o princípio da Reforma do Carmelo Descalço masculino, que Sta. Teresa de Jesus recordara aos frades para que tivessem presente aqueles Santos Padres do Deserto, nos que a Ordem teve a sua origem. A Santa queria frades, e queria-os contemplativos, submetendo à contemplação, a vida litúrgica e de oração, as actividades externas, e não ao revés. S. João da Cruz, protótipo do Carmelita Descalço, foi antes de mais uma alma contemplativa, amante da solidão e da penitência. Ele soube conjugar a actividade apostólica, com a exigência da vida retirada, orante e simples do Carmelo reformado. Fr. Tomás de Jesus promoverá a erecção canónica de conventos contemplativos que se chamarão “Desiertos”. O primeiro “Desierto” carmelita foi fundado em Bolarque (Guadalajara), em 1593, num sítio solitário e apartado do tumulto do mundo. Em 1599 foi fundado o Santo Desierto de San José de las Batuecas. Os Desertos acolheram frades desejosos de uma vida de maior recolecção, fosse permanente ou temporal. Os últimos, uma vez terminado o seu tempo no Deserto, voltavam aos seus conventos com um renovado fervor, convertendo-se em testemunhos edificantes para os seus irmãos de hábito, e promotores de uma maior e mais perfeita observância. De tal modo se viu a conveniência dos Desertos, que cada Província do Reino fundou o seu próprio deserto. A desamortización de Mendizábal (1835) trouxe a sentença de morte para os “Desiertos” e demais conventos carmelitas. San José de las Batuecas foi abandonado, como tantos outros, e apesar da restauração da Ordem, iniciada no Convento de Marquina, em 1868, o Deserto das Batuecas não foi recuperado. Em 1937, Santa Maravilhas de Jesus instalou-se aqui (tinha-o adquirido pouco antes da guerra) com uma comunidade de monjas. Será em 1950, quando se transladou a comunidade feminina para Cabrera (Salamanca), que será devolvido aos frades Carmelitas Descalços. Assim, a vida religiosa foi restaurada nas Batuecas (pelo venerável Fr. Valentín de San José), até hoje. Actualmente, o Deserto das Batuecas continua com a sua silenciosa missão no seio da Ordem e da Igreja. A sua missão, escondida e quase despercebida, é frutíferos dados os frutos que recolhe. A comunidade do “Desierto de las Batuecas” experimenta um novo despertar vocacional. Este género de vida suscita interesse. Por isso, foi concedido à jovem comunidade, presidida por Fr Ramón María de la Cruz, a faculdade de receber postulantes, que depois de fazerem o noviciado interprovincial no Desierto de las Palmas (Benicasim) e os estudos eclesiásticos, têm assegurada a conventualidade nas Batuecas. A vida mariana, simples, orante, pobre e trabalhadora do Deserto é atractiva nos tempos actuais, por isso o mosteiro dispõe de uma hospedaria para poder passar alguns dias. Também existe a possibilidade de se retirar a qualquer das eremitas dispersas pelos terrenos conventuais. Os frades oferecem acompanhamento espiritual mas não aceitam grupos, nem realizam actividades pastorais nos “pueblos” vizinhos.

19 janeiro 2009

Um serviço à Palavra...

www.evangelizo.org

Vale a pena passar por lá e subscrever o serviço...

05 janeiro 2009

Epifania... A palavra de Deus hoje

Porque é que será que teimamos em não reconhecer Deus cada vez que Ele se manifesta na nossa vida?!
Manifestou-Se como menino, mais tarde capaz de mudar a água em vinho, e, se dúvidas ainda houvesse, "fez-se ouvir a voz do Pai: «Este é o Meu Filho muito amado»". Os mais intrépidos seremos levados a responder que na nossa vida a Voz do Pai não se ouve... Mas faz-Se ouvir. E esta era hoje a minha oração e a minha partilha convosco: já que Deus nos fala por meio do Seu Filho, Jesus Cristo, porque não tentar ouvi-lo?!
Dá-nos, Senhor, a capacidade de Te escutarmos quando nos falas, Tu que nos dizes hoje o mesmo que disseste a Filipe: "Segue-me".
Amen.

10 dezembro 2008

A Palavra de hoje...

Disse Jesus hoje: "Vinde a Mim, vós todos... Se estais cansados, oprimidos, tristes, angustiados, perdidos no meio da vida, como crianças na noite, vinde a Mim... Se vos parece pesado o "peso" da vossa vida, tomai o meu jugo, que é suave... deixai que Eu tome o vosso, porque Eu sou manso e humilde de coração. Aprendei de mim a maneira como quero ir até vós... Porque em Mim está a fonte da mansidão e a humildade de quem sendo grande se faz pequeno... Em Mim encontrareis o descanso que precisais... para as vossas fadigas sem sentido, para as vossas fadigas com sentido, para o vosso coração, para a vossa alma, para vós... Porque Eu, o Senhor, quero habitar no meio de vós... Eis que o meu jugo é suave e a minha carga é leve..."
Mais do que palavras, a Palavra: Jesus Cristo.

09 dezembro 2008

Mais do que palavras, uma Palavra: Jesus Cristo!

Neste tempo de Advento, em que meditamos intensamente sobre a vinda de Jesus, a liturgia proclama: "Ele veio a primeira vez na humildade da natureza humana realizar o eterno desígnio do vosso amor e arbrir-nos o caminho da salvação; de novo há-de vir [...] para nos dar em plenitude os bens prometidos, que entretanto vigilantes na fé ousamos esperar. [...] Agora Ele vem ao nosso encontro em cada homem e em cada tempo, para que o recebamos na fé e na caridade e dêmos testemunho da gloriosa esperança do seu reino. "
Jesus não é apenas aquele que veio "na humildade da natureza humana", nem apenas aquele que "há-de vir", mas é também aquele que agora vem ao nosso encontro. Ao meu encontro veio ontem, por antonomásia, no assumir de um ministério. Jesus é esta Palavra que Deus Pai nos dirige a nós, homens e mulheres, em cada tempo, para nos encontrar e habitar connosco, fazendo-se pequeno para nos tornar grandes. Não que deixemos de ser pequenos, ou que ele se estreite na nossa pequenez. Mas a sua imensidão incompreensível habitou no seio da Virgem(Guerrico d'Igny), e quer fazer caminho connosco. Vem para nos convidar a entrar em comunhão com o Pai, por Ele, no Espírito.
Mais do que palavras, uma Palavra, a do Pai, a única, a última e definitiva, a sua Palavra de Amor: Jesus Cristo, que é Homem connosco, para que nós deixemos que Ele seja Deus connosco.

18 novembro 2008

O pobre da rua, ou eu nos meus dias

Não tinha ninguém,
aquele pobre na rua
que pensava ser sua,
não tinha ninguém.

Acordava com o sol
que lhe iluminava o rosto
e lhe aquecia as mãos,
não tinha ninguém.

Comia se lhe davam,
fruto de uma tal caridade,
que diminuia com a idade,
não tinha ninguém.

Vagueava nessa rua,
pois não tinha mais nada,
mas ela não estava fechada,
não tinha ninguém.

Passavam por ele e não olhavam,
e, desviando a cara, negavam
a solitária cruz no seu calvário.
Não tinha ninguém.

E, dia após dia, foi ficando
fazendo parte daquela rua
a única que era sua.
Não tinha ninguém.

E também o Calvário era seu
como noutrora a solitária cruz
de um certo desconhecido Jesus.
Não tinha ninguém.

Até que, um dia, morreu,
mas a ruanão foi ao seu funeral;
a sua presença era habitual, mas banal.
Não tinha ninguém.

Aquele pobre desapareceu,
e ninguém se apercebeu,
a não ser Aquele Deus nascido em Belém:
afinal sempre teve Alguém.

28/10/2008

17 novembro 2008

30 setembro 2008

O meu Deus

Desabafos, encantos e desencantos... muito disso fui escrevendo aqui ao longo de algum tempo. Hoje, pensando no "porquê" de todas estas partilhas vieram-me à memória coisas boas e coisas más. E, no meio dos pensamentos soltos deste dia, ocorreu-me que hoje era um dia especial. Porquê? Não foi pela grandeza do dia, nem pela beleza do horário, nem por grandes diálogos. Somente, se é que posso dizer somente, pela beleza, pela grandeza de mais uma possibilidade de encontro com o meu Deus. Digo meu porque sei que Ele não se importa, mas também porque seria muito bom que todos o sentíssemos verdadeiramente nosso. Digo meu porque quero que essa seja uma realidade constante na minha vida. Digo meu porque tantas vezes O rejeito e mesmo assim Ele continua a bater à minha porta, esperando que simplesmente lhe abra um pouco a porta da minha vida, abrindo-me à Luz da Sua presença discreta, simples, sem grandes alaridos, mas que, como a brisa outrora, me pode encher de Paz, do Seu Amor... Anseio pelas Águas vivas e tranquilas que brotam da Sua Fonte, as que cada dia podem saciar até à eternidade, onde o meu e teu Deus nos espera... Por isso hoje é um dia especial... Ele sussurrou-me de novo ao ouvido que me ama.

28 setembro 2008

Novos... Mais... Menos...

As férias acabaram... o último ano de estudos começou... Novos colegas, pelo menos alguns... Novos horários... novos locais... mais tempo livre... mais tempo ocupado... a mesma vontade de continuar...

19 setembro 2008

Sl 141 (142)

Em alta voz clamo ao Senhor, *
em alta voz imploro o Senhor.
Ponho diante d’Ele a minha aflição, *
diante d’Ele descubro a minha angústia.

Quando me desfalece o ânimo, *
Vós conheceis o meu caminho.
Na senda que vou trilhando, *
esconderam um laço.

Olhai à direita e vede: *
não há quem se interesse por mim.
Não encontro refúgio, *
não há quem olhe pela minha vida.

Clamei por Vós, Senhor; *
disse: Sois o meu abrigo, †
a minha herança na terra dos vivos.

Atendei o meu clamor: *
estou reduzido à miséria.
Livrai-me dos meus perseguidores: *
eles são mais fortes do que eu.

Tirai-me desta prisão *
e darei graças ao vosso nome.
Os justos hão-de rodear-me, *
pelo bem que me fizestes.

23 agosto 2008

Senhor eu creio...


Também eu creio que Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo, presente agora e para além do tempo e do espaço, no meio de nós e que por nós deste a vida, por Amor, e por amor me quero entregar a Ti, entregando-me aos irmãos. Perdoa tantas e tantas vezes que não tenho a coragem de por palavras e por obras testemunhar esse Amor que derramas-Te no sopro de vida que me deste. Aceita mesmo assim a fraqueza das minhas pobres palavras e das minhas grandes quedas. Toma as minhas mãos e faz delas as Tuas próprias mãos. Amen.

16 agosto 2008

À sorte...

Quem a Deus tem, nada lhe falta...

21 julho 2008

In manus Tuas... En Tus manos...

Um amigo partilhou comigo uma homilia sua. Dela retiro esta oração e partilho-a eu também...

¡Oh Padre!, hoy queremos alabarte y glorificarte por tu infinita misericordia, misericordia que te hace paciente y comprensivo con nuestras maldades, fracasos, desánimos, dudas y rebeldías. Danos un corazón misericordioso, para que sepamos ser pacientes y comprensivos con los demás y con nosotros mismos. En tus manos, Padre, colocamos el bien que has sembrado en nosotros y que, con paciencia y a duras penas, va fructificando en nuestras vidas. Toma también en tus manos las gavillas de nuestro egoísmo, de nuestra indiferencia, de nuestra injusticia, de nuestra soberbia y arrogancia, y quémalas con el fuego de tu infinita bondad. Bendito seas Señor! – Amén.

13 julho 2008

E nós a quem iremos?

No meio de tantas coisas, Senhor, a quem iremos?
Quando nos sentimos sós, a quem iremos?
Quando na noite da nossa vida apenas encontramos o ocaso do sol poente, a quem iremos?
Se nos sentirmos cansados, tristes e sós, a quem iremos Senhor?
Se for grande a nossa sede, e profundo o poço donde brota a água?
Se for grande a nossa dúvida e pequena a nossa fé,mesmo assim, a quem iremos?
Se maior que o nosso amor, for o egoísmo que por dentro nos sufoque, a quem iremos?
Senhor, se mesmo procurando Te não quisermos encontrar, a quem?
Mata, Senhor, a nossa fome a nossa sede,
ilumina a nossa mente,
uma fé a arder cá dentro nos concede,
amor que jamais se extinga,
manhã nunca acabada,
tarde que jamais chegue ao ocaso,
noite que se desfaça pela Luz da madrugada,
dia que em nós comece,
onde a Luz jamais fenece...
Diz pois uma palavra,
e a Tua Palavra será meta,
e Vida...
Só Tu tens palavras que nos dão vida!!!

11 julho 2008

No final de mais um dia...

Sou apenas um homem... Sinto como um homem, sofro como um homem, afinal... vivo como um homem... com as minhas alegrias, as minhas tristezas, os meus anseios, as minhas paixões, os meus desencantos, tanta coisa Senhor! Mas no final de mais um dia olho para Ti. Não com este olhar que por vezes brilha como se fosse puro, mas tantas vezes o não é, mas com o coração que me deste. E come este coração, entre sonhos e encantos, entre risos e abraços, entre perdas e reencontros, entre "mortos e feridos", com tanto, e mesmo com tão pouco... No final de mais um dia, vem Senhor ao meu encontro... torna-me cada vez mais homem, à Tua imagem e semelhança...

05 julho 2008

"Espelho"

Todos temos um espelho em nós... Dizem que os olhos são os espelhos da alma. O brilho do olhar indica sempre um estado de felicidade. Há dias em que eles brilham... e mostramos a nossa alma, o nosso mais íntimo estado de felicidade. Há outros em que eles parecem sombrios. Então logo surgem outros que fazem brilhar os nossos. Em cada dia há momentos, sentimentos, razões, pensamentos... E neste turbilhão continuo a dar por mim com uma conclusão típica: somos seres animados pensantes!

02 julho 2008

Sic transit gloria mundi, hic transit gloria nostra!

Novidades no meio académico. Assim noticia a Ecclesia.pt. 

26 junho 2008

[Deus]



Louvado seja [Deus] pelos que passaram
os tormentos do mundo dolorosos
e contentes, sorrindo, perdoaram
pela alegria dos que trabalharam
pela morte serena dos bondosos.

"E se Deus fosse um de nós?"

http://www.youtube.com/watch?v=CO2u_jMJ1Ls

18 junho 2008

Quase de férias...

Mais um ano que passou. E as férias estão à porta. Venham elas que são merecidas... votos de boas férias a todos!!!

06 junho 2008

Viva a Vida!!!

eud&gComo partilha neste dia, gostava de pedir a todos os que por aqui ides passando que comigo agradecesseis ao Senhor o dom da minha vida. Há 22 anos em Coimbra nascia um bébé prematuro de 7 meses, com um peso que o obrigou a permanecer um mês na encubadora... Na altura colocou em risco a mãe, e ele próprio parecia correr riscos...Hoje é este que vós conheceis... O peso modificou-se, as dificuldades foram ultrapassadas. Rezai também pelas minhas imperfeições, que são muitas, e com a vossa amizade e oração conto vencê-las. Obrigado meu Deus pela vida, pela minha família, pelos meus amigos, por tanta gente que me rodeia cada dia...  

31 maio 2008

"Contemplari et contemplata aliis tradere"

As palavras que hoje te digo, grava-as no teu coração, na tua alma, ata-as à mão como um sinal e sejam como um frontal diante dos teus olhos, assim começa a leitura que hoje escutamos do livro do Deuteronómio. E mais, Deus diz-nos que seguir os seus mandamentos é fonte de bênçãos. Não podia ser de outro modo. Quem segue a Palavra do Senhor não se engana, nunca se verá desamparado. Mas pode enganar-se. Podemos enganar-nos. Umas vezes porque não temos claro que Jesus Cristo é para nós a Rocha onde podemos construir sem medo, porque nenhuma tempestade nos pode abalar. Outras vezes, porque mesmo sabendo, nos deixamos levar por caminhos mais fáceis, por atalhos.

Mas tende coragem e animai-vos vós todos os que esperais no Senhor, faz-nos cantar o salmo, porque não serão confundidos os que Nele esperam. Os nossos conhecidos, vizinhos, amigos, parentes, irmãos, até o pai e a mãe, nos poderão desiludir, mas não o Senhor. Ele é para sempre o nosso refúgio. E pela Sua justiça nos há-de salvar. Não é esta justiça a nossa. Se fosse seria o céu na terra. A Sua justiça é aquela que vê mesmo aquilo que nenhum de nós é capaz de ver. Mas podemos pedir a Sua justiça.   Paulo na 2ª leitura diz aos Romanos que a justiça de Deus vem pela fé em Jesus, ora esta fé não é senão o conhecer uma pessoa que tem um rosto e viver da vida dessa pessoa: esta pessoa é Jesus Cristo, é o rosto de Deus, que Se mostra assim à humanidade. Um Deus que de graça nos salva, um Deus que nos dá o Seu Filho e pelo Seu sacrifício na Cruz obtém para cada um de nós, manifestando assim a Sua justiça. Diferente da nossa. Foi O Justo que pagou por cada um de nós, pecadores. Não podemos compreender totalmente esta dádiva. Sabemos que vivemos dela, mas não a conhecemos senão pela experiência que somos chamados a fazer. Vivendo cada dia mais e melhor como imagens de Deus, com os seus ensinamentos como Luz, aí então sim, estaremos a abrir caminho para chegarmos a compreender este Deus, que Se fez um de nós, que entregou o Seu Filho, e que nos convida a sermos, cada um de nós, essa oferta para os outros.

Poderão porventura muitos achar louca esta lógica dos cristãos. Esta não é a forma de vida da nossa sociedade. Mas há-de ser cada um de nós a marcar a diferença. A fazer a vontade do Pai que está nos céus. E que vontade é essa? É que permaneçamos unidos a Cristo, como a os ramos à videira, para que demos fruto abundante. Assim, ouvindo as Suas palavras e pondo-as em prática, somos os construtores de algo novo: poderão soprar os ventos, as tempestades, tremer a terra, mas a nossa construção permanecerá. Está fundada em Jesus Cristo, na Sua Palavra, a Palavra de Deus. Não construir sobre a Rocha, a Pedra Angular que é Jesus Cristo, é como construir na areia, sem fundamentos. E a casa cairá ao mínimo sopro de vento. Não bastam as palavras. Nem mesmo falar em Seu nome. É preciso dispormo-nos a viver segundo a Sua vontade, e não de acordo com as nossas conveniências.

Cristo hoje de novo nos diz: coloco diante de ti o bem e o mal. Escolhe o bem e viverás. Porque nem todo o que Lhe diz Senhor, Senhor entrará no Reino dos Céus. Apenas aqueles que souberem praticar desde já a justiça de Deus, e não a iniquidade. Eu quero a misericórdia mais que todos os sacrifícios – diz o Senhor. Aprendamos do Senhor que é manso e humilde de coração. O Seu jugo é suave. A Sua carga é leve. Que o Senhor abra os nossos corações à Sua Palavra, para que a vivamos em actos e na verdade.

12 maio 2008

So you ask me why I love my Lord Jesus?

Quando passei pelo Porto, entre navegações na Web, encontrei este texto que imprimi por achar que me dizia muito... Reencontrei-o ontem no meio de um livro. E decidi partilhá-lo... é que a pergunta final continua a ecoar bem dentro de mim... e a ser um verdadeiro mistério.

You ask me why I follow this Jesus?
Why I love Him the way I do?
When the world's turned away from His theachings
and the people who serve Him are few.

It's not the rewards I'm after
or gifts that I hope to receive.
It's the Presence that calls for commitment
It's the Spirit I trust and believe.

The Lord doesn't shelter His faithful
Or spare them all suffering and pain;
like everyone else I have burdens,
and walk trought my share of rain.

Yet He gives me a plan and a purpose,
and that joy only Christians have known,
I never know what comes tomorrow,
But I do know I'm never alone.

It's the love always there when you need it;
It's the words that redeem and inspire,
It's the longing to ever be with Him
that burns in my heart like a fire.

So you ask why I love my Lord Jesus?
Well, friend, that's so easy to see,
but the one thing that fills me with wonder is
why Jesus loves someone like me.

Autor desconhecido.

29 abril 2008

"Deus é Luz e n'Ele não há trevas"

Como Marta andamos tantas vezes preocupados em fazer muitas coisas. Em mostrar muito serviço. Quando uma só coisa é necessária. Jesus diz que Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada. E o que é necessário? Escutar a Sua palavra. E a Sua palavra é para nós farol, é para nós Luz, é para nós guia, é para nós o mesmo que o pão é para o corpo, é para nós também verdadeiro Pão da Vida. Cristo é a Palavra do Pai, e quem O segue não caminha nas trevas...
Na nossa vida parece-nos muitas vezes óbvio o caminho, mas não o palmilhamos. Todos acabamos por ter tanto de frei Tomás, dizendo como ele diz, e fazendo também como ele faz... Ou seja, não fazendo. Nesta tarde gostava de pedir ao Senhor que me ajude, e a todos nós ajude, a sermos capazes de nunca deixarmos de O seguir, e de sermos sempre capazes de fazer o que deve ser feito, de fazer sempre o mesmo que Ele teria feito, de deixarmos que em nós seja Ele a fazer...
Em mim, Jesus, age com a Tua força,
a força da Tua Ressurreição,
e na pequenez destas mãos e deste coração,
aceita a entrega que mesmo assim ouso fazer-Te:
aceita as minhas mãos,
age em mim;
aceita o meu coração,
ama em mim;
aceita o meu olhar,
vê em mim;
aceita os meus passos,
caminha por (através de) mim;
aceita por mim continuares a dar-Te aos irmãos.
Que eu nada faça, Senhor, sem que Tu o faças em mim.
Ámen.

28 abril 2008

«E vós também dareis testemunho de Mim»

Continuamos tantas vezes na nossa vida a deixar passar ocasiões de dar graças a Deus por tadas as maravilhas que nos concede... por tudo aquilo que nos aquece o coração, que não é senão a Sua bondade espalhada no meio do nosso mundo... de Lhe pedir forças para sermos capazes de suportar as nossas falhas e as dos outros, que depois nos provocam feridas, e, finalmente, são o verdadeiro mal no mundo em que vivemos... de, pelo menos, Lhe oferecer um coração pobre, humilde, fraco, mas generoso que quer comprometer-se na transformação do Reino... Sobretudo neste tempo em que nós, os cristãos, ainda celebramos o Dia grandioso da Ressurreição de Jesus. E quando, de resto, deveríamos ser capazes de o celebrar em toda a nossa vida, de tão importante que este é...
Cada vez que rezo este hino sinto-me aproximar do verdadeiro sentido da Páscoa. Ela foi de Um e é para todos… Partilho nesta tarde pascal, convosco, um pedacinho da oração de toda a Igreja, e que pode ajudar-vos, como a mim, a continuar, como Jesus quis, e nos diz de novo hoje, para darmos testemunho d’Ele, pelo Espírito que habita em nós.


Percorrei os caminhos do mundo
Ao encontro de Cristo Pascal
E cantai aleluias de festa
E comei do banquete imortal.

Vinde, pobres, entrai rejeitados,
Aceitai o convite do Pai.
Vinde todos, humildes da terra,
Exultai com Jesus, exultai.

Este o dia em que exulta a Igreja,
Como Esposa de Cristo Jesus;
Este o dia das núpcias de Cristo:
Ele desce do trono da Cruz.

Vinde, vós os exaustos da guerra.
Vinde, vós os obreiros da paz.
Rasga a noite uma luz fulgurante,
Surge Cristo que a força vos traz.

Glória ao Pai e a seu Filho, Jesus.
Glória ao Espírito, excelso Fulgor.
Salvação para todos os homens:
Que eles vejam a luz do Senhor!

22 abril 2008

Miss Solidão?!

Há uns tempos lembro-me de ouvir uma música com o nome "miss solidão".
Concordo com o início da letra.
Eu e ela somos um.
Procuro-a porque talvez ela tenha as respostas do momento presente.
Interrogo-a porque ao menos com ela posso falar.
Com ela posso pensar, e ouvir a minha própria voz,
dando espaço para que nas respostas que ela não me dá eu possa encontrar-me.
Mas até as palavras escasseiam... estou sem voz.
Faz-me pensar no entanto como é possível de repente vermo-nos sozinhos mesmo rodeados por tanta gente?! Enfim... a vida tem destas coisas.
Claro, existe Alguém que nunca nos abandona. Agradeço-Te por isso.

16 abril 2008

Um episódio que foi (quase) assim...


Deve ter sido por voltas de meio dia.
Sim, mais ou menos por essa hora.
Não é que andava a passear a livraria
e de repente lá passa uma senhora,
que assim sem mais nem porquê,
manda destas logo ao ar:
- vêm para aqui a passear, em vez de virem ler.
E de novo continuou, por trás dos seus óculos D&G,
a procurar, talvez, livros para estudar.

Ler, lhe respondi, mas ler o quê?
Tudo escreve mas não sabe porquê.
Se soubessem mas era passear, rir e viver,
depois haviam de escrever, mas sem errar,
que quem não viveu a passear,
fora melhor que ao nascer quisesse morrer.

15 abril 2008

Uma oração

Torna-me Senhor atento a cada instante que passa.
Faz-me compreender o ocaso de cada dia,
o brilho das estrelas em cada noite,
e de novo o amanhecer,
até ao dia da Ressurreição.

05 março 2008

"Suportai os fardos uns dos outros"

Vale a pena colocar na nossa oração as intenções que a CECEF divulgou recentemente. Deixo o link para consulta do texto completo.

Prions pour les chrétiens issus des traditions ecclésiales remontant aux premiers siècles, comme pour les nouveaux chrétiens.
Prions pour leur unité, comme pour la nôtre.
Prions pour que dans ces lieux de tensions et de souffrance, les chrétiens et les Eglises discernent leur rôle et reçoivent la force de l’assumer.
Prions et agissons pour que la pauvreté et la désagrégation sociopolitique n’ajoutent pas de la violence à la violence.
Prions et agissons pour que la liberté de conscience et de culte soit vraiment respectée dans tous les pays.
Puisse la paix du Christ être ainsi au service de la paix dans la diversité de notre monde.
Puisse la communion de l’Eglise universelle servir un peu plus la fraternité humaine.

http://www.cef.fr/catho/espacepresse/communiques/2008/20080302passion.pdf

04 março 2008

Génesis!

«Deus disse: "Que a terra produza verdura, erva com semente, árvores frutíferas que dêem fruto sobre a terra, segundo a sua espécie e contendo semente."»
Gen 1, 11.

27 fevereiro 2008

Um brinde espirituoso ao mistério que é a vida!

No meio do Universo há estes seres animados pensantes que somos nós. Não sei se somos seres porque pensamos ou se pensamos porque somos seres. Vivemos cada dia na esperança de que não sejam apenas uma sucessão de dias, mas que contenham em si, como em germen, o sentido do definitivo e pleno Dia. Parece que em cada dia vivemos um simpósio com os nossos semelhantes. E bebemos o vinho doce da alegria e do amor, mas também o amargo que a nossa convivência por vezes nos trás. É quase que numa esponja de vinagre... No meio do mistério que é a vida, gostava de propor um brinde feito com a bebida do esforço de cada dia. E porque somos também "alma", que ele seja um brinde espirituoso, o de seres animados pensantes, que o fazem com o vinho do esforço de cada dia.

22 fevereiro 2008

Paixão por Cristo, paixão pela humanidade, vividas em comunidade

Vale a pena dar uma "vista de olhos" pelo texto integral desta mensagem da UCESM, recentemente reunida na Bélgica. Transcrevo apenas uma das muitas ideias que nos devem fazer pensar. Deixo o link.
Nós cremos que a comunidade, dom do Espírito, afirma o primado de Deus e o seu Reino, porque é o lugar do encontro com Cristo que nos escolheu e reuniu, e nos dá a graça de responder ao seu amor, vivendo uma fraternidade autêntica, alegre e legível.
Nós cremos que a comunidade é uma verdadeira escola que conduz a um processo de conversão do eu ao nós, suscitando a paixão pelo encontro e o gosto de ser feliz juntos.
Nós cremos que a comunidade é escola de relação, na qual se tecem pacientemente os laços com o outro, pondo em comum os recursos, as dificuldades e as fragilidades de cada um. A força da relação constrói comunhão e a unidade cria-se integrando as diferenças. Nós cremos que a comunidade é escola de reconciliação e perdão. [...] Nós cremos que a comunidade é escola de hospitalidade, para dar espaço a Deus e aos outros, e escutar o grito dos excluídos [...] Nós cremos que uma comunidade evangelizada é chamada a evangelizar.

20 fevereiro 2008

Dar a vida...


Somos seres animados pensantes! Escrevo-o muitas vezes por aqui. Quando uma pessoa se põe a pensar nas várias coisas da vida, nas realidades que nos envolvem, em tanta coisa... enfim, no que vai cá dentro, surgem perguntas deveras complicadas. Um dia destes voltei a pensar no ocaso da vida de uma pessoa que deu tudo pelos outros. Curiosamente essa pessoa, que viveu de uma entrega constante aos outros, sem reservas para si - afinal os outros precisavam - acabou por morrer sozinho, com os seus últimos dias semelhantes aos de um vagabundo que não tem eira nem beira. Não que não tivesse tecto. Nem que lhe faltasse comida. Mas morreu faltando-lhe talvez o essencial: o amor. O mais curioso é pensar que isto continua a acontecer muitas vezes e com muita gente. Mas concretizando, faz-me pensar muito aquilo que acontece aos padres no final das suas vidas. Um dia deixaram tudo para O seguir. E dentro das suas limitações viveram a sua vida como um verdadeiro serviço aos outros. A todos. Sem reservas. Chegada no entanto a velhice, em que o seu serviço aos outros pouco mais poderá ser do que a oração, algo a que não se tende a dar tanto valor, parece que já só empatam! São velhos. Chatos. E tantas outras coisas que não escrevo. Mas e que foi feito da alegria que deram quando se dispuseram a servir todos? Porque não acolhem agora os seus irmãos aquele que viveu para eles? Viveram uma vida para todos, sem nenhuma exclusividade para quem fosse. E agora quem os ampara? O bom Deus certamente. Mas humanamente é um exemplo de como somos também consumistas. Falamos das famílias que não acolhem os seus idosos, e muito menos se preocupam com eles. E esta grande família dos irmãos de Jesus? O que faz aos que se lhe entregaram? Vale a pena pensar...

10 fevereiro 2008

Um retiro...

Começar a quaresma é sempre oportunidade de rever metas e caminhos, refrescar objectivos... numa palavra: conversão!!! Os primeiros dias foram oportunidade para um retiro do quotidiano, para entrar dentro de um eu humano que tantas vezes anda esquecido. De facto quantas vezes se esquece que no comboio da vida não estamos sós... nem somos chamados a viver como solitários. Ocorre-me uma frase que resumiria estes dias: acreditar no amor e viver a salvação como amor!

29 janeiro 2008

Uma página de um diário...

Partilho-a convosco.
Se tivesse que percorrer na minha memória o pensamento mais luminoso que me envolve, ele seria hoje o mais tenebroso. Isto falando humanamente. Deixo de lado Aquele que hoje não quer nada comigo. E também lembrando outro alguém que não quer ser lembrado. Hoje alguém se cruzou comigo, e embora tenha ido embora, ficou, como sempre, dentro do meu coração. Pela atitude demonstrada percebi rejeição. Percebi, porque Deus me fez perceber assim. Às vezes pergunto-me porque terá Ele permitido tal situação. Sempre a velha e acertada, por vezes, resposta da liberdade. Mas e onde a liberdade não age?! Onde nos vemos condicionados por uma mera convivência com algo que somos nós, mas que não queremos... ai, onde está Ele? Onde está a tão proclamada liberdade?! Será que também existe? Na forma como aceitamos e vivemos as coisas, respondeu-me um dia uma amiga. Até concordo. Mas aí não é plena essa liberdade... Hoje pergunto uma vez mais a um Deus, que sei que me escuta, onde está a minha felicidade? Perante o sofrimento todas as ideias que temos se transformam. Porque nada nos afecta mais interiormente do que o sofrimento... Mesmo psicológico... diria sobretudo esse. Hoje, no final de mais um dia, sinto-me ferido de morte... capaz de encher imensos caixões com os restos mortais de algo que antes preferia que não voltasse à vida... As palavras são como espadas. Mal usadas podem ferir gravemente. Sem serem utilizadas possuem a capacidade de serem mesmo letais... Que estranha esta condição humana que nos faz sentir tão impotentes. Se pudesse criar de novo o Homem, havia de o criar sem angustias existênciais, nem problemas para resolver. Talvez lhe retirasse também a capacidade de amar quem não deve. Porque não criar um Homem que em si mesmo fosse plenitude e nada exterior lhe provocasse desejo?! Na noite, nesta lua e naquelas estrelas vejo o brilho de olhos que choraram. Na chuva que cai, as lágrimas inutilmente derramadas. Na sombra o rosto dela, o rosto daquela que me faz sentir tão pequeno, que o mais pequeno me parece maior... Enquanto girar a terra, há-de continuar a bater o meu coração por ela. Eu serei a terra, de quem ela é o sol...
Anónimo

24 janeiro 2008

Uma questão oportuna...

Onde encontrar Deus?! Onde o procurar?! Porquê?! Gostava de ter "eco" sobre estas perguntas...

09 janeiro 2008

Um rosto de Jesus Cristo hoje

O Rosto d’Ele na actualidade vai mais além do pequeno rosto de criança com que O imaginamos no presépio. Um pequeno bebé de origem judia, semita, não o de uma criança branca, como habitualmente o representamos. Mas naturalmente o Seu rosto é sempre sereno e a sua figura de uma beleza inconfundível. Isto deve-se ao facto de que já na filosofia platónica um dos transcendentais era a Beleza, que se identifica com o divino, e obviamente, para nós com Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo. Representar o Filho, Jesus Cristo, com uma beleza cativante é sempre um acto de reconhecimento da Sua divindade.
“Na plenitude dos tempos, aprouve a Deus […] enviar o Seu Filho para nos tornar participantes da natureza divina”, por isso fez-Se homem, como os homens, assumiu na Sua divindade a nossa humanidade. Baixou à nossa condição finita, para nos abrir “a porta” para a Sua transcendência. Da Sua vida mortal recordamos sempre que passou fazendo o bem, socorrendo todos os que necessitavam, curando todas as enfermidades, do corpo e do espírito. Antes de sofrer a morte por nós, para nos restituir à vida divina, pois é, com efeito, na Sua Morte e Ressurreição que nos introduz na vida divina, fez-Se alimento por nós. Quis permanecer na espécie do Pão e do Vinho, na Eucaristia, que deixou aos Seus com o mandato de a celebrarem em Sua memória. Não deixou grandes exigências, pediu apenas que como Ele fez, fizéssemos também. O testemunho com que hão-de reconhecer que O seguimos é o amor que temos uns para com os outros, amando-nos como Ele nos amou. “E sabemos que O amamos se nos amamos uns aos outros”.
O dar a vida por todos e cada um de nós constitui o centro de toda a jornada de Jesus Cristo no meio de nós. Centro pela importância inigualável de um Deus, o Único Deus, que não bastando ainda a humilhação de Se fazer da mesma condição, aceita dar a Sua vida para nos libertar das nossas imperfeições, para mostrar a certeza de que a vida eterna começa já. Se o rosto de um Cristo que sofreu por nós, derramando o Seu sangue até à ultima gota nos impressiona, mais nos faz pensar a realidade gloriosa da Sua Ressurreição. Ressurreição que é para nós garantia da nossa mesma ressurreição, certeza da vida eterna, do amor de Deus para connosco, mas à qual acedemos apenas pela fé. Cristo Ressuscitado passou pela Cruz, pela Morte, mas venceu. A Sua vitória é mais, é a vitória do Seu amor sobre o mal no mundo, sobre o nosso pecado, sobre a nossa infelicidade. A claridade e o brilho do Seu rosto glorioso são o de Alguém que triunfa de tudo aquilo que nós sozinhos não conseguiríamos nunca vencer. O Seu esplendor passa a mostrar aquilo que nós esperávamos sem certeza, mas que n’Ele temos por certo: o viver eternamente no Amor que é Deus. Um Amor tão grande que O leva a “transbordar” ao ponto de Se entregar por cada um, pela Sua Criação. Mas o Seu rosto é já glorioso, está já liberto daquilo que é finito, é o rosto de um homem que vive já a plenitude da vida divina. É inevitável o contraste entre a Luz e as sombras. O Seu rosto é Luz e n’Ele não há trevas. Mas também o mundo e a nossa realidade desde então gozam deste início da vida eterna, deste início da Páscoa de todos e de toda a Criação.
Assim, Ele mostra-Se hoje de novo no calvário daqueles que sofrem injustiças, daqueles que não são felizes, de todos quantos cometemos faltas, de tudo o que se deixa submeter ao mal e ao pecado. Como O ignorar no preso, no doente, numa criança desprotegida, num vagabundo, num abandonado, naquele que é perseguido, em quantos são mortos sem razão, no que vive a guerra sem culpa, em tantos homens e tantas mulheres que desesperam nas suas vidas?! Ele está aí. Hoje esse é o Seu Rosto de Cristo sofredor.
Mas de tudo isto Ele triunfou, sabemos que tudo isto teve tem e terá solução em Deus. a Ressurreição de Jesus Cristo é a vitória sobre tudo isto, a prova determinante do poder de Deus sobre tudo e todos. Por isso o Seu rosto é um rosto já glorioso, que vemos mais facilmente nas situações agradáveis. Ele está ressuscitado em quantos vivem e amam a vida, em quantos são felizes, em quantos lutam pela justiça, pela verdade, dão a vida pelos seus semelhantes, em quantos salvam os que sofrem, no sorriso das crianças, mas também nas lágrimas de felicidade dos adultos... a Sua ressurreição abriu caminho a tudo isto, e começou o fim de tudo o que pesa sobre nós e sobre toda a criação.
O Seu rosto é também hoje a Igreja. A Igreja continua visivelmente aquelas acções de libertação, salvação, cura, reintegração que Jesus Cristo, Ele mesmo, fez na Sua jornada terrena. Sacramentalmente está presente na Eucaristia, que a Igreja, a comunidade dos crentes, celebra, ao mesmo tempo que ela nasce continuamente da Eucaristia, pois ninguém dá o que não tem... Se tantas vezes, porque homens e mulheres de condição finita, não fazemos o que Ele fez, é aí de novo que Ele se mostra crucificado, foi por isso que Ele deu a vida...
Veio a primeira vez na humildade da natureza humana, e de novo vem em cada Homem e em cada tempo, para que de novo O acolhamos nas nossas vidas, tão realmente como na Eucaristia. Onde dois ou três continuam a rezar, Ele vem. Quando se repõe a paz, o amor e a justiça, Ele está. No mais pequeno gesto de doação, Ele dá de novo a vida.Na simplicidade de um olhar puro, mostra-Se de novo ressuscitado como depois da Páscoa aos discípulos. No amor verdadeiro com que deixamos inundar os nossos corações, Ele continua presente para sempre, e faz de nós morada de Deus. O mesmo Deus que continua a amar tanto a Sua criatura, que nunca a abandona, e continuamente a chama para que O conheça e se saiba amada por Ele.
Eis o rosto de Jesus Cristo hoje: um rosto do Deus Amor, que não pode senão amar.

19 dezembro 2007

Mensagem de Natal

É tempo de enviar e receber mensagens de Natal. Fica a minha para todos vós...


04 dezembro 2007

"Maranatha"

Procurei sentar-me e escrever qualquer coisa. Mas hoje não me saiu nada... Em todo o caso lembrei-me de ir ler alguns textos do início deste blog e decidi publicar novamente um excerto de um deles que me diz muito e que continua a transmitir o meu pensamento actual...

Luz terna suave, leva-me mais longe
E quando faltar apenas um passo para a Ti chegar
Mostra-me o Calor que aquece...
A Luz que não se apaga...
E é essa praia onde tenho de chegar
que me continua todos os dias a fazer navegar...
Na verdade, nem sempre foi como hoje que te peço
mas ao fim terei abrigo e acesso
Ao Teu porto seguro, á Tua plena luz...
Dá-me a Tua mão e não terei medo
Meus passos a andar hão-de ser firmes
se Tu me deres a mão...
Luz terna, suave no meio da noite...
Esta é a noite... Vai raiar nova madrugada...
Depois de um dia virá a noite, e da noite
virá o dia que não mais se apaga...
Na noite desta vida, com ténue luz acesa,
esperamos alegres
Maran-thá!

27 novembro 2007

Uma Imagem do Reino...


"Louvor ao nosso Deus que está sentado no trono, e ao Cordeiro. A benção, a glória, a sabedoria, a acção de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus pelos séculos dos séculos. Amen."

08 novembro 2007

Eu, Job, ou Job e a nossa própria existência

Que fazes, meu Deus? Acaso dormes?! Porventura não vês que se apaga a minha vida?! Acaso rejeitas aquele que se volta contra Ti? Porque me rejeitas? Porque permaneces calado? Comparece diante de mim, mostra-me as Tuas razões!
Invoco-Te e não me respondes. Procuro-Te e não apareces. Estás antes diante dos ímpios. Os caprichos deles têm o seu cumprimento. Os anseios de alguém justo não passam disso mesmo. Dás-me e tiras. Mas não é por isso que Te peço contas. Preocupa-me antes o Teu silêncio. Todos me dizem que vale mais abandonar-Te. Tudo me aconselha a que deixe de crer em Ti. Interrogam-me sobre as minhas acções. Querem ver nelas a causa da minha inquietação. Até o mais íntimo se levanta contra Ti...
Mas continuo inocente. E se de todo não o sou, eis que venho a Ti com as mãos estendidas. Eis que me coloco diante de Ti como um pano nas mãos de uma lavadeira, para que afastes de mim toda a iniquidade. Lava-me e ficarei branco.
Não poderei acaso compreender-Te? Apresenta-Te diante de mim. Dá-me as Tuas razões. Deliberemos juntos. Finalmente Te mostras. Eis que Te escuto:
“Quem te criou, ò criatura pequena?!
De onde vem tudo o que tens?
Acaso não fui Eu que infundi o Meu sopro em ti?
Porque haverias de dominar uma obra que não é tua?!
Voltas agora as tuas palavras contra Mim,
Acaso não é no Meu colo que te refugias, ò homem?
Não sou Eu que preparo tudo o que precisas?
Responde-Me agora tu, que te atreves a questionar-Me, a Mim, o Senhor do Universo!
Dá tu mesmo solução aos teus problemas,
se acaso fores capaz!
Entende tu mesmo o mundo,
se acaso estás nele sem Mim.
Rejeita agora o Meu amor como costumas fazer.
Fiz aliança contigo mas tu ousas quebrá-la.
Não és fiel, mas esqueces que Eu Sou.
Tens um coração de pedra
e queres arrancar o coração de carne que para ti criei.
Acarinho-te e tu maltratas-me.
Chamo-te mas tu não Me respondes.
Dizes que não te ouço,
mas tu é que não falas comigo,
Eu que sempre te escuto.
Que compreendes tu da tua própria vida?
Não segues os Meus caminhos.
A fonte de que bebes não é a minha.
Dei-te o mundo. Que fazes dele?
Eu, o Senhor, fiz-Me um como tu,
para te mostrar que podes ser como Eu.
Amei-te com amor eterno.
É assim que me pagas?!
Procura-Me, pois eu deixo-Me encontrar.
Encontra-Me pois tens em ti a Minha imagem.
Ama-Me porque Eu já te dei o exemplo.
Mas se mesmo assim Me rejeitares,
Eis que Me coloquei no mais íntimo de ti,
Como um mapa, para que saibas que estou no teu caminho,
Eu, o Senhor.
Eis que estou sempre contigo,
Eis que a Minha graça vale mais que a vida.”

29 outubro 2007

www.santosubitoonline.com

Diário (5)

E se quiserem um dia falar sobre mim?!

Não falem!
Prefiro antes que se calem...
Vivo como quiser
mesmo se não quanto quero fizer.

Falar já eu falei...
leiam o que escrevi!
afinal escrevi tudo quanto vi
mas não vi tudo o que vivi.

E se quiserem mesmo assim falar
procurem bem entender
aquilo que eu quis esconder
quando disse: vivi apenas para amar.

Procurem-me talvez junto de Deus
e encontrem-me nestas linhas
- e que nem estas são minhas -
pois até os que estão com Ele são Seus.

"Meu Deus tende compaixão de mim que sou pecador"

Quantas vezes rezamos como o fariseu?! "Ainda bem que não sou como os outros. Eles são.... e ... e... " Da oração do publicano poderíamos aprender a transparência de alma: é pecador, sabe-se pecador, apresenta-se perante Deus como pecador, e é por causa da sua transparência que volta para sua casa justificado. A "folha de serviço" que o publicano apresenta dos outros é a mesma que tendenciosamente fazemos daqueles que nos rodeiam. Mas quando quisermos rezar, recordava a liturgia, que é a oração do humilde que atravessa as nuvens, isto é, que chega até Deus... "O pobre clamou e o Senhor ouviu a sua voz!!!"

25 outubro 2007

Uma interrogação

Porque é que na vida temos de necessariamente ter altos e baixos? Porque é que temos de sentir a ausência das pessoas? Porque é que tudo parece, às vezes, carecer de sentido? Porquê...? Porquê...?

24 outubro 2007

E eu?

Que poeta não finge?!
Que pensador não mente?!
Nunca põe em verso quanto sente
Não usa as palavras para falar...

Disfarça... oculta... confunde
mas fala, diz o que sente.
Mente.
Não iriam compreender.
Ele entende os outros,
quem me entende a mim?

22 outubro 2007

Diário (4)

Há momentos em que a vida parece ganhar mais sentido. Outros em que a vida nos recorda o seu sentido. Talvez alguns em que não faça sentido. Todos já vivemos momentos assim... e de uma forma ou de outra, mesmo aqueles que não querem pensar n'Ele, acabam por buscar n'Ele uma razão, um refúgio, os motivos... Os últimos dias foram para mim ocasião de experimentar um pouco de cada uma destas situações... Nestes momentos há respostas que ficam por dar. Talvez tivesse sido apenas ocasião de lançar as questões. As respostas hão-de chegar... Pouco importa se mais agora, ou talvez mais logo, ou nunca, o que importa é que a vida seja um caminho para que o Reino chegue até nós.
Abre em mim a portas do Teu Reino,
rasga os portões da Tua misericórdia e do Teu amor,
molda o meu coração de pedra num coração de carne,
age em mim com o Teu coração,
então serei feliz,
pois nada há-de afastar-me de Ti...
Sim, há-de ser esse o Dia feliz,
em que serás a Paz...

15 outubro 2007

"Morro porque não morro", Teresa de Ávila

Vivo sin vivir en mí
Y tan alta vida espero
Que muero porque no muero.
Vivo ya fuera de mí
Después que muero de amor,
Porque vivo en el Señor
Que me quiso para Sí.
Cuando el corazón le di
Puso en él este letrero:
Que muero porque no muero.


Esta divina prisión
Del amor con que yo vivo
Ha hecho a Dios mi cautivo
Y libre mi corazón;
Y causa en mí tal pasión
Ver a Dios mi prisionero,
Que muero porque no muero.

¡Ay, que larga es esta vida,
Qué duros estos destierros,
cárcel y estos hierros
En que el alma esta metida!
Sólo esperar la salida
Me causa dolor tan fiero,
Que muero porque no muero.

iAy, que vida tan amarga
Do no se goza el Señor!
Porque si es dulce el amor,
No lo es la esperanza larga:
Quíteme Dios esta carga
Más pesada que el acero,
Que muero porque no muero.

Sólo con la confianza
Vivo de que he de morir,
Porque muriendo el vivir
Me asegura mi esperanza.
Muerte do el vivir se alcanza,
No te tardes, que te espero,
Que muero porque no muero.

Mira que el amor es fuerte;
Vida, no me seas molesta,
Mira que sólo te resta,
Para ganarte, perderte;
Venga ya la dulce muerte,
Venga el morir muy ligero,
Que muero porque no muero.

Aquella vida de arriba,
Que es la vida verdadera,
Hasta que esta vida muera
No se goza estando viva.
Muerte, no seas esquiva;
Viva muriendo primero,
Que muero porque no muero.

Vida, ¿que puedo yo darle
A mi Dios que vive en mí,
Si no es perderte a ti
Para mejor a El gozarle?
Quiero muriendo alcanzarle,
Pues a El solo es al que quiero.
Que muero porque no muero.

12 outubro 2007

Diário (3)

Deus. Ele ama-te. Ama-me. Ama-nos. Mas como posso ver o Seu amor se ninguém mo der a conhecer?! Se ninguém de carne e osso me disser que me ama?
Podias ter-me feito um santo Senhor. Podias ter-me poupado a todas as situações que acontecem na minha vida e que me afastam de Ti. Porque não o fizeste? Porque não me criaste só com coisas boas?! Porque tenho de passar também pelas pequenas coisas más?! Ou às vezes maiores que eu?!
Há noites escuras, noites em que não Te vejo, não te consigo encontrar... É a noite escura dos sem amor... e nesse noite, vem Tu, ò Senhor, dar luz e vida...

10 outubro 2007

Diário (2)


Deus de quem afastar-se é cair, a quem dirigir-se é levantar-se, em quem permanecer é estar firme, a quem voltar é renascer, em quem habitar é viver.

Sto. Agostinho, Soliloquios I, 1,3 PL32, 870

Na verdade sinto que quando me afasto de ti caio. Ajuda-me a ir para ti, que eu me possa levantar para ficar em ti, para que firme, tendo voltado a ti renasça, e habitando em ti de facto viva!

01 outubro 2007

Ela compreendeu...

O amor é a chave da minha vocação. Compreendi que se a Igreja tinha um corpo, composto de direferentes membros, não poderia faltar-lhe o mais necessário e mais nobre de todos. Compreendi que a Igreja tinha um coração e que esse coração está ardente de amor. Então, no auge da minha alegria exclamei: Jesus, amor meu... finalmente encontrei a minha vocação. A minha vocação é o amor. No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o Amor...

Teresa do Menino Jesus e da Santa Face

24 setembro 2007

"Tende cuidado com a maneira como ouvis"

Apenas pode sentir a falta de Deus quem já experimentou a sua presença. E quando isto acontece é um sinal do agir d'Ele na nossa vida. Não é meu o pensamento. Partilho-o com o seu autor, e convosco... Jesus fala hoje da presença de Deus. Não é difícil de compreender o que Jesus quer dizer: ninguém acende uma lâmpada para a tapar de modo a que a sua luz não se veja. A lâmpada acesa ilumina o que está ao seu redor. Quem age como filho da luz é esta espécie de lâmpada e as suas obras não são ocultas. Elas iluminam aqueles que nos rodeiam, e nenhuma das nossas obras é oculta. A advertência com que Jesus termina não nos deixa indiferentes: "tende cuidado com a maneira como ouvis". É que nem sempre ouvimos tudo da forma como Jesus ouviria. Às vezes ouvimos pensando que connosco é diferente... Deus quando passa na vida de uma pessoa não nos deixa ouvir de outra forma que não seja conforme ao Seu coração. Há dias em que não deixamos Deus falar, outros em que Ele fala e nós não o escutamos... A maneira como ouvimos há-de ser sempre conforme à Sua vontade, para que a nossa vida brilhe como luz diante dos irmãos, para que O glorifiquem.

22 setembro 2007

Há coisas do outro mundo...

«Como podes ter a certeza do que queres fazer? Sim, como podes tomar uma decisão que afecte desta forma a tua vida, numa idade ainda jovem?!» Nos últimos dias tive alguns diálogos com pessoas diferentes que começaram, ou a dada altura se encontraram nestas mesmas inquietações. Chegam também notícias de profissões monásticas... Como podemos estar certos de que não nos enganamos?
Ao longo da nossa vida as nossas decisões reflectem-se. Com umas perdemos e com outras ganhamos, para usar uma linguagem do lucro. Ocorre-me a pergunta retórica de Jesus: "De que serve ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder tudo?"... Ou ainda um outro pensamento de alguém, que não muitos tiveram ocasião de escutar, mas que se expremia da seguinte forma: "Tudo é efemero e passageiro. A nossa fé pelo contrário é uma espécie de seguro que fazemos para o outro mundo" e prosseguia, mas o que queria relembrar está contido nestas palavras.
À luz da fé decisões insensatas aos olhos de muitos, ganham sentido, pois o que parece louco e insensato aos olhos do mundo é que Deus escolheu para confundir a sabedoria, chamando o que nada vale a seus olhos, mas que aos Seus olhos há-de ser instrumento de amor. Mas atrevo-me a colocar outra hipótese: mesmo sem fé estas decisões são assim tão insensatas?! Já não somos livres de fazer escolhas duradouras quanto a nossa vida o permite?
De facto na sociedade actual ninguém se compromete com nada por muito tempo. É só pelo tempo que nos convier. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus, mas ao passo que Ele se compromete connosco desde o ventre materno, para nos chamar a todos à salvação, nós arranjamos desculpas para não nos comprometermos. O futuro é incerto. Emprego e família são tantas vezes uma dicotomia que poucos conseguem harmonizar. Talvez por isso quando aparece alguém que se decide pelo celibato, respondendo ao Apelo, e que como modo de vida se consagra ao serviço do Reino, isso pareça uma coisa do outro mundo. Do outro mundo, de facto é, mas toda a vocação do ser humano é isso mesmo, uma vocação a um outro mundo.
Quem dera que nos nossos corações, de homens e mulheres, verdadeiramente deste tempo, nascesse a disponibilidade para compromissos eternos à imagem e semelhança do próprio Deus. E ainda que esse caminho humanamente entendido pudesse falhar, há algo que vem de Deus e não falha: a nossa vocação comum à felicidade, à santidade, à comunhão eterna com Deus...
Qualquer que seja o caminho a seguir, pode ser que mais tarde ou mais cedo nele venham a aparecer dificuldades, mesmo tantas e tais que obriguem a que esse caminho seja alterado, mas importa saber em Quem colocamos a nossa confiança. E aí sim, ao contrário de tudo aquilo que é mundano e passageiro, Ele não falha. Nunca.
Mas a propósito vem a advertência do Evangelho: quem não é fiel no pouco também o não é no muito.

21 setembro 2007

Diário (1)


A ausência de algumas pessoas na nossa vida vai criando um vazio tão grande que parece não ter fim. É incrível como conseguimos por vezes distanciar-nos de uns, ou desligar de outros. E mais, parece que nada disso nos faz falta... parece que nada nos faz voltar ao caminho que deixamos. Diz um provérbio oriental que não se deve deixar crescer a erva na porta de um amigo, de um irmão... Mas o que fazer quando a erva começa a ganhar força e a brotar da terra, apagando a trilha que outrora serviu para fazer chegar ao outro o sangue que batia através do coração?!
Em momentos tais, apetece gritar como aquele que se sente abandonado na beira do caminho: Jesus, Jesus! Preciso de Ti...

17 setembro 2007

Diário (0)

Quando estamos quase a terminar umas férias queremos e temos a sensação de ter de aproveitar todos os momentos até ao ultimo milésimo de segundo. É assim ano após ano... cada vez que acontece este fim de férias, acontece um apertar miudinho do estômago. Não é medo. É uma espécie de ansiedade por reviver o ritmo anual habitual... ano após ano. Falta mais ou menos uma semana para terminar este horário livre de imposições agendadas, daí estes pensamentos soltos, sem grande nexo. Tal como a minha cabeça nesta altura. Sem grande nexo de pensamentos...
Há uma ideia disparatada que todos os anos antes do começo das aulas me ocorre, a mim que nem me sinto dos mais cábulas, porque não haveria de ser ao contrário?! Este tempo que passou de aulas, e o tempo que vem de férias! Não é por nada, mas no fim das férias é que se vê que muito mais havia para fazer, muito mais haveria... muito mais houvera...
Desculpem a desconexão. Ainda são férias!

09 agosto 2007

As férias são ocasião de oração...

Hoje apetece-me agradecer-Te tudo quanto nos concedes, mesmo quando, e se nunca merecemos. Contemplar e viver a maravilha da juventude, que melhor oração que esta?! Entregar-Te todo e cada instante, para que o vivas comigo, para que me saiba sempre acompanhado, sempre seguro no Teu abraço de Amor. Obrigado, meu Deus.

23 julho 2007

Confio em Te abraçar

Queria, meu Deus, encontrar-Te
Sem que ninguém
Nada, nem mesmo o silêncio,
Me pudesse distrair de Ti.

Então amar-Te-ia como os santos,
Sem nunca Te deixar,
Amar-Te seria para mim
Um suave respirar:
Suave…
Como respirar para viver.

Paz no coração,
Encontrar-Te, na solidão,
Um Amor que já é,
Um Amor para amar.

Não sou santo…
Nem muito, nem tanto,
Mas busco-Te como Luz nos meus dias,
Como sol no meu horizonte,
Desde a manhã, a iluminar
Esta fronte...

Mesmo assim confio
Em Te abraçar,
Quando Te encontrar,
Como filho muito amado
De um Pai, que tinha abandonado.

27 de Maio 2007.

16 julho 2007

Em arrumações...

No ano passado tive ocasião de participar numa escola de oração organizada pelo Padres Carmelitas, no Convento Stella Maris, Foz do Douro, Porto. Andei a arrumar uns "papéis" e encontrei esta reflexão. Partilho-a na esperança de que vos possa ajudar nesta caminhada de "seres animados pensantes".
"Tornar-mo-nos servos do Amor, eis o fim para que fomos criados" (Teresa de Jesus V11,1)
O verdadeiro orante, reza onde quer que seja. Somos muito diferentes, Ele e eu. A diferença entre nós é intransponível por mérito nosso.
Ele deixa-nos liberdade para seguirmos o caminho que quisermos seguir. A Sua paixão descentra-se de ser nos Seus próprios interesses, mas em favor dos outros, não como nós, cujas paixões estão centradas em nós.
A nossa condição e realidade é esta. Pelo contrário, em Jesus, o centro deixa de ser Ele, e passa a ser em favor dos outros, no interesse dos outros. Partimos, então, da oração para colocar "no sítio" aquilo que em nós está desordenado.
"O amor não se cansa, atrai-nos, espera sempre". Quando por vezes pensamos estar a construir a nossa vida, o nosso futuro, o nosso ..., o nosso... acontece que basta chegar ao virar da esquina e encontramos apenas as nossas mãos vazias: nada restou.. Com os olhos de Deus vemos as coisas de modo diferente: "faça-se a vossa vontade assim na terra como no céu"...
O objectivo final é que a nossa vontade seja a vontade de Deus, vivendo o céu na terra, assegurando assim que a nossa vida não seja senão o cumprimento da Sua vontade.
Jesus espera por nós, cansado, mas curando as nossas feridas, acolhendo-nos, sarando as nossas chagas, como sempre, de braços estendidos...

05 julho 2007

O "meu" Salmo 24

Para Ti Senhor elevo a minha alma, pois em Ti confio
Que eu não me deixe confundir, nem de mim possam rir os inimigos
Não são confundidos nunca os que esperam em Ti
São sim confundidos aqueles que ignoram o que eles mesmos dizem…

Mostra-me Senhor os Teus caminhos, ensina-me as Tuas veredas
Guia-me na Tua verdade, e ensina-me,
Tu és Deus, meu salvador, em Ti espero sempre

Lembra-Te e tem compaixão de mim
A Tua graça é eterna
Não Te lembres das minhas faltas,
Os pecados da minha juventude,
Lembra-Te antes de mim com a Tua compaixão
Por causa da Tua bondade

Tu, meu Deus, és bom e recto:
Ensina o caminho a este pobre pecador
Orienta os humildes na justiça
E dá-lhes a conhecer os teus caminhos

Todos os Teus caminhos são misericórdia e fidelidade
Para os que guardam a Tua aliança e os Teus preceitos
Por amor do Teu Nome
Perdoa o meu pecado, por maior que seja.

Quem é o homem que teme ao Senhor?
A este ensinas o caminho a seguir
Ele há-de viver feliz
E a sua posteridade há-de possuir a Terra

São amigos do Senhor os que O respeitam
E Ele lhes dá a saber o Seu amor
Os meus olhos estão postos n’Ele
Pois Ele livra os meus pés da armadilha

Olha para mim e tem compaixão
Estou só e desprotegido
Alivia o meu coração
E livra-me dos meus tormentos.

Olha a minha miséria e inquietações
E apaga todos os meus pecados
Vê como são numerosos os meus inimigos
E com o ódio que eles me importunam

Defende a minha alma e livra-me:
Nunca me hei-de envergonhar de ter confiado em Ti
A inocência e a rectidão me ajudem
Pois foi em Ti que pus a minha esperança.

Ó Deus, liberta este Teu Israel
De todas as suas adversidades.